06/09/2011

Dear Daddy - Part 2

Eles estavam chorando
   - Não, crianças, não é verdade, mentir é feio, é muito feio e...
   - Mas eu não estou mentindo!
   - Ele não está mentindo não! - Eu me apavorei, pelas lágrimas nos olhos deles dava apara notar que eles não estavam brincando!
   - Me levem até lá agora! - Espere um minuto... O que eu havia acabado de falar?? Me levar aonde? Ele havia sido sequestrado! Significa que tinha sido levado para longe, tipo roubado só que ele era uma pessoa!! Como iriam me levar lá? E onde afinal era "lá"? Por que alguém sequestraria meu pai? Eu definitivamente não entendia... Mas tudo isso passou rápido demais pela minha cabeça, não deu tempo de assimilar e organizar todas as perguntas antes que a Abbey e seu amigo me puxassem pelos pulsos para não-sei-aonde... Logo estávamos fora do restaurante, lá fora estava bem vazio... Apenas algumas casas, algumas lojas, as mesmas de sempre, mas sem pessoas, sem absolutamente ninguém, o que confirmava uma idéia que surgiu na minha cabeça de que só eles viram o sequestro. Todos estavam no restaurante - Mas, o que...
   - Foi aqui, viu? Foi bem aqui!! Ele pegou seu papai aqui e levou ele pra longe! - A Abbey berrava enquanto me balançava
   - Pra onde ele foi?
   - Ele tava aqui e levou ele pra bem longe em um cavalo marrom!! - O menininho ficava apontando para o chão
   - EU PERGUNTEI PARA ONDE ELE FOI? ME MOSTRE A DIREÇÃO!! - O menininho apontou para a sua direita, eu ainda conseguia ver as pegadas do cavalo dele, saindo da cidade - QUE DROGA! O FILHO DE UMA PUTA SAIU DA DROGA DA CIDADE!! - As crianças me encararam - Eu não disse puta, gente, a Jenny não falou palavrão.
   Eu corri para dentro de casa, deixando os pequenos lá sem entenderem absolutamente nada. Procurei bem em tudo e peguei um saco de dormir, uma caixa de fósforos, duas armas do papai e mais um cantil cheio d'água. Depois disso chamei a Kitty e já ia começar a seguir as pegadas que o sequestrador havia deixado, quando vi que as crianças ainda estavam no lugar onde as deixei, me aproximei delas com o cavalo
Eu e a Kitty
   - Abbey, não conte para ninguém que eu fui atrás do cara, eles vão querer vir também e eu não quero ter que lidar com mais gente, ok?
   - Tudo bem. - Ela saiu de perto, eu confiava que ela não diria nada, mas o garotinho continuou ali
   - E você...
   - Johnny, é o meu nome.
   - Johnny, idem, não conte a ninguém, ok?
   - Posso ajudar?
   - Não
   - Por que??
   - Pelo mesmo motivo pelo qual eu não quero que ninguém mais saiba, se eu for atacada por índios ou algo do tipo, eu quero ter total mobilidade, eu quero poder sair de onde estou sem o perigo de bater com meu colega, ou sem ter que me preocupar com ninguém que possa ou não ficar para trás, entendeu??
   - Mas eu quero te ajudar
   - Vai ajudar não contando pra ninguém, que tal vigiar a cidade?
   - Mas eu quero ir com você - Eu desci do cavalo e peguei um pedacinho de areia meio duro, similar a uma pedrinha, que esfarelou metade na minha mão, me ajoelhei e olhei para ele
Eu mostrando o graveto para ele (Sim, eu
consigo ser muito dramática quando quero)
   - Johnny, essa areia é você, ok?
   - Certo
   - A minha mão é um índio e isso aqui é a lança dele, certo? - Eu peguei um gravetinho no chão e mostrei para ele
   - Certo
   - E isso é o que vai acontecer se você for comigo resgatar o meu pai: - Eu comecei a enfiar o graveto na pedrinha de areia até que ela se espalhasse toda na minha mão, depois que ela já estava toda esfarelada e espalhada, eu joguei tudo no chão - Poof, garoto! Você vira adubo! Porque eu não vou poder te ajudar e você vai ficar para trás
   Ele ficou me olhando e piscando aqueles grandes olhos castanhos inocentemente para mim antes de começar a chorar como um bebê e correr na direção da Abbey que já estava longe de nós, amarrando seu cabelo loiro em um coque, sei que o havia magoado, mas era o melhor para ele, se não ele ia se misturar à areia do chão que nem a pedrinha que eu peguei, subi de novo na Kitty e, sem hesitar, comecei a seguir as pegadas e correr.
   Passaram-se boas horas e o caminho me pareceu longo demais, as pegadas iam ficando cada vez mais suaves e difíceis de se enxergar, podia ser o meu cansaço, ou eu havia me perdido da trilha de pegadas à quilômetros, sem que percebesse e agora estava vendo pegadas onde havia apenas um monte de terra bagunçada. Eu parei a Kitty, o sol estava se pondo, eu não enxergava direito, resolvi me instalar por lá, peguei o meu cantil e bebi quase metade da água, quando lembrei que provavelmente caminharia por alguns dias e precisaria de água, então parei e guardei o resto, me enrolei no saco de dormir e na mesma hora peguei no sono. Acordei com o sol batendo na minha cara, e me queimando. Levantei, arrumei minhas coisas na mochila e continuei andando com a Kitty, seguindo a direção que o Johnny havia me apontado, já que as pegadas haviam sido apagadas... Durante a noite ou eu havia me desviado do caminho... Não importa, eu usei a única informação que eu tinha no momento, achava que nunca ia encontrar o meu pai, tudo que eu conseguia ver era uma floresta um pouco mais a frente. Eu estava passando meio que pelo lado da floresta, torcendo para não ser atacada por nenhum índio. E me pareceu que tudo estava conspirando contra mim aquele dia, porque justo quando eu estava bebendo água, um idiota chegou por trás de mim sem que eu visse e atacou a Kitty com seu cavalo, ela saiu
Esse era o cavalo dela, mas ele tem um
monte de pinturas na pata traseira esquerda
e um monte de penas no rabo...
correndo e eu caí, o cantil foi lançado para cima e me molhou toda. Enquanto a nativa que havia feito
isso descia de seu cavalo e apontava uma lança enorme para o meu umbigo, ainda deitada eu peguei uma das armas do papai do meu bolso e apontei para ela, a lança estava tocando na minha barriga.
   - O que você está fazendo aqui? - Perguntou
   - Eu não entrei na sua droga de floresta se é o que quer saber.
   - Você vai fazer que nem o outro? Você ia matar toda a minha família de onde está antes mesmo que eles pudessem te ver!! Você não tem vergonha, garoto?
   - Eu não ia matar eles! Eu não estou nem aí para a sua família, o MEU pai foi sequestrado e eu estou indo ajudá-lo a escapar!! E... EI!! EU NÃO SOU UM GAROTO!
   - Eu sei, percebi a voz fina! - Ela sorriu sarcasticamente
   - Olha aqui, nativa! A minha arma mata, meio que, umas dez vezes mais rápido que a sua, e é mais potente, melhor e...
   - Vá direto ao ponto!!
   - Se você me cortar com a sua lança, eu vou atirar em você na mesma hora, eu vou morrer, você vai morrer e não vai mais poder proteger a sua maldita família, mas se você me deixar ir agora a pé, já que você espantou o meu cavalo, ninguém se machuca e nunca mais teremos que olhar para a cara uma da outra, que tal?
   - Como sei que posso confiar em você?
   - EU SÓ QUERO PEGAR O MEU PAI E IR PARA CASA! QUE DROGA!
   - Espera... O seu pai foi sequestrado?
   - Foi o que eu disse! - Eu já estava ficando com raiva, já ia atirar na testa dela coberta por penas e pedrinhas sem mais nem menos, quando ela disse uma coisa extremamente útil
   - Num cavalo marrom? Ele tinha bigode e uma cicatriz e... - Não era aquele tal de Billy, do panfleto?
   - Peraí, eu não falei nada sobre o sequestrador.
   - Eu os vi! Passaram por aqui, naquela direção - Ela apontou para onde eu estava indo antes - Acho que me precipitei sobre você... Realmente só quer ajudar o seu pai, eu perdi o meu pai quando tinha oito anos, foi o outro que atirou nele, bem aí de onde você está, por isso eu sou tão...
Como ela conseguia morar tipo, aí??
   - Paranoica? Estressada? Esquisita? Maluca?
   - É... Já pode parar de adivinhar o que eu ia falar! Quero te ajudar, não merece passar pelo que eu passei - Achei estranho e a encarei por alguns segundos mais
   - Espera... Você quer me ajudar?
   - Quero. Não desejaria o que aconteceu comigo nem para o meu pior inimigo - Nós guardamos as armas e ela me ajudou a levantar
   - E aí, qual o seu nome?
   - Thaya.
   - Sou a Jennifer, eu estou surpresa que você fale minha língua com tanta fluência
   - É que um dia eu e minha família encontramos uma menina, devia ter uns dez ou doze anos, ela viveu conosco até os cinco anos e nos ensinou a falar essa língua, depois ela teve que partir...
   - Mas eu acho que ainda temos um problema.
   - Qual?
   - Você espantou meu cavalo, e acabou com a minha água, e espantou meu cavalo!!
   - Sem problemas - Ela colocou o indicador e o dedo polegar entre os lábios e assobiou, esperou um pouco, de novo ela fez isso, de novo e de novo, e nada da Kitty.
Thaya

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