| Tinha uma portinha que dava para, tipo um quarto com cama de casal |
- Será que o meu pai está aí?
- Bem... Considerando que isso é uma casa no meio do absolutamente nada, e que o sequestrador veio nessa direção com o seu pai, além de poderem ser notadas pegadas de cavalos aqui ao redor... Acho que ele está sim
Me aproximei mais daquela casinha, percebendo que estava presenciando uma situação um tanto quanto ridícula... Não sei, achei que seria mais difícil encontrá-lo... Eu realmente havia me dispersado da trilha de pegadas e agora estava ali, simplesmente... sei lá, ali... Continuei me aproximando, dessa vez a pé, olhei pela janela, a casa estava vazia, abri a janela e chamei silenciosamente a Thaya para entrar, olhei ao redor, a casa estava escura e bagunçada, tinham alguns daqueles panfletos como os do restaurante. Então eu comecei a ouvir uma voz, uma voz grossa vindo do porão
- Sabe, até que foi divertido ser um criminoso conhecido durante dezoito anos, mas agora você não vai viver para contar a história sobre como... - Antes que ele terminasse de falar qualquer coisa, eu entrei pela portinha do porão, ele estava de costas o que só melhorou o meu "plano". Eu atirei três vezes na cabeça daquele maníaco e depois ajudei o meu pai a se desamarrar
| A corda era bem resistente mesmo... |
- Eu tô com uma amiga lá fora, ela me ajudou a chegar aqui, vamos pra casa, mas você vai na frente no cavalo
- Porque?
- Anda de cavalo melhor que eu, agora vamos.
A gente saiu de casa e andou na Kitty até começar a escurecer, quando começamos a avistar a floresta e nos afastamos da Thaya, nos despedimos com um caloroso abraço, eu chorei muito, provavelmente nunca mais veria a Thaya! E já éramos grandes amigas... Mas depois continuamos andando, não paramos porque estava escuro, a gente não parava por nada! Chegamos à cidade umas três ou quatro da manhã.
Eu estava exausta então não fiz nada além de ir dormir, mas estranhamente, acordei cedo e sozinha, todos ainda estavam dormindo e a casa estava uma bagunça, eu comecei a arrumar o quarto, e acho que eu fiz um pouco de barulho, porque a Annah acordou e olhou para mim
- Jenny? - E em seguida o resto todo foi acordando aos poucos
- Jenny? - Hannah falou assim que despregou os olhos
- Jenny? - Repetiu a Olga
| Olga |
- Quando você voltou?? - Nem deu tempo de responder à pergunta da Anne, quando a Hilda já veio toda empolgada em cima de mim:
- Por que você saiu?? - Agora foram a Annah e a Olga que resolveram interromper com outra pergunta:
- O papai voltou também??
- Por que ele saiu? - A Hannah perguntou
- Gente, calma! - Eu tentei explicar - É o seguinte: Aquele tal de Billy, o criminoso procurado, sequestrou o papai, eu fui lá ajudar ele e conheci uma nativa muito legal! O nome dela é Thaya, o papai voltou sim, e agora está tudo bem, porque o Billy está morto, entenderam? - Todas elas congelaram e ficaram me encarando surpresas, até que a Hannah gritou:
- O PAPAI VOLTOU! ELE VOLTOU!! - E todas começaram a correr e gritar até o quarto de nossos pais, eu continuei arrumando o quarto.
| Isso é só um pedacinho do quarto... E estava bagunçado na hora |
***
Querida Kate,
Esse tal de Bob finalmente me pegou, bem, pra começar ele me trouxe num chalé estranho no meio do nada, agora ele me acorrentou no porão e disse que ia me dar uma última chance de escrever uma carta para você, ele é quem está escrevendo, eu só estou ditando porque, como já disse, ele me acorrentou. Então por favor, o convença a cuidar de nossa filha como se fosse dele
***
Entendi muito pouco do que estava escrito naquela folha, mas tinha uma embaixo, parecia ser de um diário, um diário antigo... Da minha mãe
***
Querido diário, hoje foi um dia muito estressante e o resto da minha vida também será! Um sequestrador chamado Bob não-sei-mais-das-quantas levou o meu marido para longe, somos pouco conhecidos nessa cidadezinha, mas o restaurante está começando a fazer sucesso e esse antigo amigo do Billy sequestrou ele e o prendeu em algum lugar longe daqui para ficar com o dinheiro e comigo! Ele sabe que eu estou grávida, ele quer essa filha também, então vou fazê-lo cuidar da Jennifer como se a filha fosse dele, mas esse cretino não vai nunca me deixar em paz, mas por mais que tudo pareça impossível, eu vou tentar agir como uma mãe comum numa família feliz como se nada tivesse acontecido, ninguém nunca viu meu marido e nem o Bob nessa droga de cidadezinha sem-graça mesmo! Então o que me resta é passar o resto da minha vida infeliz, mas agindo como uma mãe normal... Bem diário, acho que isso é um adeus, essa é a sua última página mesmo, então...
***
| Eu já havia, inúmeras vezes, sugerido ao Bob que me deixasse decorar algumas de suas armas para ficarem com um pouco mais de classe |
- Hey, vadia!! - Todos olharam - Eu já descobri tudo - Chacoalhei as folhas no ar - Você matou meu pai!!
- Correção - Ele tentou fazer uma gracinha - Você matou o seu... - Não queria ouvir uma mísera palavra sequer que saísse da boca dele, apertei o meu dedo indicador contra a arma e basicamente explodi sua cabeça, voava sangue por todos os lados, e todo mundo chorava, menos a minha mãe e eu, ela sorria aliviada e eu joguei os meus longos cabelos para trás como uma dama que diz "É, missão cumprida"
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