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| Meu cabelo |
- Bem, pai, eu acho...
- Bom, bom...
Eu continuei limpando o balcão, sempre que eu esticava o meu braço para frente, minha trança balançava e batia no meu braço, era até engraçada a sensação, quando terminei de limpar o meu braço já estava doendo, me sentei no banco ao lado do meu pai, ficamos em silêncio, eu comecei a ler um panfleto com a foto de um procurado, um tal de Billy... Gordo, bigodudo, cicatriz na bochecha... Porque eles sempre têm bigodes tão grandes?
- Pai.
- Diga, Jenny.
- Por que os criminosos sempre tem bigodes tão grandes?
- Bem... - Ele soltou uma risada calma e alegre - É, parece que nessa você me pegou, grandona... Não tenho idéia do porquê os criminosos têm tanto bigode
Eu comecei a circular pelo bar e peguei o meu violão, encostado atrás do balcão, fui para o lado de fora, sentei num banco na varanda e comecei a tocar para descontrair até que alguém chegasse,
| O violão era do meu pai |
- Querida, posso falar com você? - Morrendo de sono, eu fiquei imóvel no primeiro degrau da escada, me dava muita raiva quando a minha mãe não me deixava dormir porque queria conversar sobre algo que ela achava que devia mudar em mim ou algo do gênero - Jenny? - Ela se aproximou, eu me controlei para não gritar com ela - Jennifer, querida, você está bem?
| Sim, eu uso botas E calça, problema mãe? |
- Bem, querida - Ela segurou minhas mãos e sentou numa cadeira, eu peguei uma também - As pessoas na cidade andam comentando.
- Comentando... O que exatamente? - Eu puxei uma cadeira e sentei junto a ela
- Sei que não vai querer dar atenção a esse assunto, mas como sua mãe, tenho autoridade sobre você. As pessoas na cidade têm comentado o quanto você se assemelha a um homem quase sempre!
- E...
- Jenny, você é tão linda, tem olhas tão bonitos, um cabelo tão adorável... - Ela tirou meu chapéu - Por que então fica agindo e parecendo um homem desse jeito?
- Não vejo problemas em usar calças, são confortáveis, não pinicam
- Mas e aquele chapéu?
- Mãe, antes que a senhora continue reclamando, vou defender o chapéu do papai: Primeiro ele me protege do sol, mais do que aquela touca rosa que deixa a minha cabeça gigante e não combina com essa roupa
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| Essa sou eu de cabelo solto... É, eu fico mesmo muito linda... |
- É uma roupa confortável que não é escandalosa e machista!
Revoltada, peguei meu chapéu da mão dela, tomei um banho, pus uma camisola e fui para o meu quarto e das minhas irmãs para dormir. Durante a noite, eu ouvi a minha mãe chorar, provavelmente pelo modo como a tratei, não consegui dormir a noite toda por causa disso, não porque me sentia culpada, já que não sentia, mas porque aquela criatura limitada não parava de chorar como um bebê!! Agora eu sabia o quanto era irritante quando eu era bebê. O fantástico é que quando finalmente peguei no sono.
- Hora de acordar, meninas! - Meu pai chamou e todas levantaram da cama, graciosas como flores, e isso me enojava! Mas o que eu podia fazer? Eram as minhas irmãs e eu não poderia pedir melhores do que elas! - Jenny. - Ele tocou no meu ombro e eu abri os olhos - Achou - Ele falou como se eu fosse uma criancinha de cinco anos
- Foi mal, pai, a mamãe não me deixou dormir porque queria conversar e depois ficou chorando
- Eu sei, ela me contou.
- Já tô acordando
- Quer saber? Durma. A Kate às vezes pode ser um pouco emotiva, você precisa descansar, acorde quando puder.
| Abbey |
Abri os olhos, olhei para o relógio, eram duas da tarde, levantei devagar, prendi o meu cabelo, coloquei uma blusa, uma calça e um colete simples, saí de casa, peguei a Kitty e fui até o bar e comecei a atender algumas pessoas, o lugar estava assustadoramente cheio dessa vez. Mas apenas uma pessoa me chamou a atenção: Um garotinho pequeno, correndo desesperado acompanhado de uma outra garotinha, loira, um pouco mais alta que ele, era a garotinha que eu tinha penteado o cabelo no dia anterior, a Abbey
- Jennifer! - O menininho berrou quando chegou bem perto de mim, olhando para cima - Sequestraram seu papai!


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