| Minha mãe era bonita quando era nova... |
- Isabella!! - Berrou a minha mãe - Ou você pede desculpas para a sua irmã, ou EU vou quebrar o seu violão aqui e agora!! - Ela agarrou o meu violão e o levantou no ar, olhei fixo, com ódio para a Karey
- Foi mal.
- Peça direito - Falou a Karey com um sorriso malicioso no rosto - Irmãzinha, querida!
- Me desculpa, Karey
- Melhorou. - O meu ódio se elevou tanto que eu sentia o meu cérebro pulsar, as minhas mãos ficarem quentes, os meus dentes trincando, seriam capazes de rachar com a força que eu os estava rangendo
- Mãe - Falei calmamente - O meu violão, por favor - Ela o entregou para mim, eu queria quebrá-lo na cabeça dela, mas me contive, enquanto todos eles se abraçavam que nem três retardados, eu fui para o outro lado do porão e comecei a tocar uma música que eu havia composto há duas semanas, era sobre falta de integridade da família, sobre a falta de compreensão no lar, e como isso podia levar ao suicídio. Depois de um bom tempo tocando e vendo todos eles se abraçarem para se proteger das tremidas leves que dava de vez em quando nas paredes do porão, percebi que o barulho havia parado - Gente, o barulho parou, vamos lá pra cima! - Eu corri até o alçapão por onde havíamos entrado e o abri
- ISABELLA, NÃO!! - Minha mãe berrou
| O alçapão do porão de lá de ccasa |
- Oh, bitch! - Falei me referindo ao desastre que havia acontecido, todos os meus instrumentos estraçalhados no chão, ao menos havia salvo o violão da muvuca... Notei o resto da família tão imóvel quanto eu, não era só a minha casa, era a cidade inteira, provavelmente o país inteiro... Estava tudo estilhaçado, não se via mais estrada, não se via mais quase nada, era como uma guerra entre o homem e a natureza, ela só respondia ao que já havíamos feito, e agora era hora de pagar, ela apenas estava devolvendo tudo... Em dobro
- E AGORA?? PARA ONDE VAMOS?? O QUE VAMOS FAZER?? - A Karey se desesperava, eu até me divertia com o sofrimento dela, mas acabei dizendo algo que acalmou todo mundo
- Gente, já vi isso num filme e em vários documentários, o melhor a fazer agora é sair da cidade, mas precisamos pegar suprimentos e armas - Tirei um estilete do meu bolso e entreguei a Karey - Sabe usar isso caso sejamos atacadas, não é?
- Ah! É claro que eu sei usar um estilete numa pessoa! - Ela tomou com força da minha mão e colocou no bolso
- Bella, a quanto tempo você anda com isso? - Perguntou o meu pai furioso, mas quando eu abri a boca para falar ele disse - Não, não quero saber
- Ah, e por falar nisso, pai a sua Beretta 9mm, está comigo - Eu comecei a revirar a bolsa até que encontrei-a - Como sou uma garotinha inocente e indefesa eu fico com isso, certo?
- Escute aqui, mocinha, se não fosse esse apocalipse acontecendo aqui fora, eu juro que teríamos uma séria conversinha sobre...
- Pai, quer sobreviver ou me ensinar que matar o coleguinha é feio?
- Fica com a arma, tá legal? - Ele parou por um segundo e ficou pensativo - Aliás... Tem mais alguma aí com você? Por acaso outra das minhas armas sumidas não está com você também não? - Pai, roubar uma arma de um policial sem ser pega é esperteza, pegar duas armas de um policial não é uma coisa que se faça sem esperar ser pega né?
- Quer dizer que...
- Não, eu não estou com mais das suas, além do mais, sempre me dei melhor com a Beretta aqui, tá?
- Melhor? Espera aí, tem alguma arma branca? Arma de um amigo? Veneno?
- Ah, pai, estou sim, e também sou traficante, assaltei um banco, cometi 32 homicídios aos dez anos e fumo crack
- Põe a mão na cabeça, filha!
| Aos oito anos eu quase ceguei um cara com minha boneca preferida, meu pai confiscou ela, tipo pra sempre |
- Não.
- Espera aí, mas eu estava
- Não é por isso, agora vai lá, afasta a s pernas, põe a mão na cabeça, já viu isso antes, conhece o processo - A Karey riu depois disso, eu virei de costas e fiz o que ele mandou
Depois de ser revistada pelo meu próprio pai, a gente pegou o que sobrou de água e comida, e depois pudemos seguir viagem, ficamos andando pelo nada, não sabíamos aonde íamos, mas se encontrássemos civilização seria ótimo, estávamos quase chegando a um lugar da cidade em que as coisas não estavam tão feias, a estrada ainda estava quase inteira, haviam algumas casas e até carros em estado relativamente bom
- Se continuarmos andando a água não vai durar por muito mais tempo - Disse a minha mãe - Temos que pedir carona pra alguém
- Jessica, não está vendo ao redor? Todos esses que estão dirigindo os carros ou são ladrões, ou estão fugindo deles, o desespero dessas pessoas é grande demais para que parem e pensem em nos dar carona, há uma altura dessas eles estão pensando em sobreviver
- Vamos então, pegar um carro vazio, mesmo que acabado e sem chave ainda dá pra fazer ligação direta...
- Bom, tem muitos carros assim por aqui, mas quem aqui sabe fazer ligação direta?
- Eu sei - Falamos eu e o papai ao mesmo tempo, mas aí ele começou a me encarar e eu resolvi dizer - Quer dizer, ele sabe - Apontei para ele - O papai sabe fazer ligação direta, eu não - Ele continuou me encarando, até eu apontar para um carro branco que estava quase inteiro! Bem... Não exatamente, mas ele tinha as quatro rodas e portas no lugar onde deviam estar e isso é o que importava! - Ali! Tem um carro, ali! Vai fazer ligação direta nele, papai, porque eu não sei!!! - Fiz cara de santa, mas acho que ele estava no modo "Policial malvado" naquele momento, então carinha de santa e olhos brilhantes não funcionariam. Corremos até o carro e esperamos o papai terminar de ligar o carro, e francamente, eu seria mais rápida! Mas não disse nada, não é? Afinal não queria me encrencar com o meu pai... Mais ainda Entramos no carro e minha mãe começou a dirigir
- Vamos ter que ir para Idaho
- Acha mesmo que Idaho ainda existe? -Perguntei - Espera, acha mesmo que alguma cidade ainda existe? Acha que nesse país ainda existem as fronteiras entre as cidades? Ou alguma delas ainda tem nome? Mãe, não estamos mais no mundo civilizado em que acordamos hoje de manhã! Voltamos à pré-história basicamente! Vamos ter que improvisar e ir a qualquer lugar que tenha segurança!
- Essa é a coisa mais boba que eu já ouvi, com certeza Idaho é a melhor escolha - Disse o meu pai
- Mas, pai! Essa idéia é completamente...
- Isabella cala a boca! - Foi a Karey, obviamente - O papai é policial conhece dessas coisas! Você não! E sem falar que quase matou a gente por causa desse violão idiota!! E mais...
Nesse momento freamos, e eu, que não estava com cinto de segurança, me bati na cadeira da frente, a Karey riu vitoriosa, olhamos para frente, estávamos no meio de um engarrafamento
| A tonta da minha mãe saindo do carro |
- Sua mãe foi morta depois de matar um dos membros da gangue, vamos embora, não podemos fazer mais nada! - Ele começou a dirigir para longe
- Eu disse que não devíamos ir para Idaho!
- O que aconteceu? - Perguntou a Karey desesperada
- Umas gangues estavam assaltando as pessoas nos carros, fecharam a estrada com um caminhão - Disse o meu pai dirigindo rápido e segurando o choro, ele não queria chorar na nossa frente para não nos preocupar. Estranhamente eu não fiquei triste com a morte da minha mãe, só me recostei na janela e esperei... Realmente eu não conseguia sentir nada, apenas indiferença... O meu pai freou de novo, dessa vez, no meio do nada, havia algumas plantas próximas ao local, tinha muita areia... - Saltem! Não podemos continuar pela estrada, é muito perigoso! Eles esperam que façamos isso, então iremos a pé!
| Tenso |
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