11/07/2011

The Last End (Parte 4)

Wilbur


   O Wilbur corria e eu estava de olhos fechados em cima dele, começamos a reduzir a velocidade, até que o Wilbur quase parou, eu saí de cima dele, já estava fazendo muito peso, olhei para trás, todos iriam me pegar e me por naquele quarto até que eu morresse, mas nada, não havia ninguém lá, estávamos no meio de uma cidade, pessoas passavam por mim com facas enormes nas mãos, alguns conservaram armas de fogo e estavam segurando-as, ao meu redor, muitos barracos com pintura desbotada, mal iluminados, e de dentro de um deles saiu um homem com costeletas brancas na cabeça, um bigode assustadoramente volumoso e uma faca na mão, ele veio na minha direção
   - Ei, garota. Você sabe o que é isso? - Ele apontou a faca para o Wilbur
É, bela faca :D
   - Eu sei, e não está à venda
   - Olhe, pequena, a carne dessa coisinha vale todo o meu estabelecimento, você tem consciência disso?
   - Tenho, mas ele é o meu melhor amigo, mais que isso, ele e essa aranha na cabeça dele são minha família, não se vende a família, você tem consciência disso?
   - GAROTA INSOLENTE EU TE CORTO A GARGANTA, PEGO ESSE PORCO E FAÇO UMA CARNE MAL PASSADA - Ele levantou a faca, mas logo abriu completamente a mão, me pareceu paralisado, só então notei que a aranha havia mordido seu tórax, ele caiu no chão, provavelmente morto. Eu não fiz nada além de pegar a faca que estava com ele e sua sacola, pus a faca na sacola e saí andando com o Wilbur à minha esquerda e a aranha se segurando na minha mão. À essa altura, tudo do que eu precisava era um lugar seguro, longe daquele. Pelomenos um lugar onde eu pudesse dormir e acordar sabendo que não ia ocorrer uma tentativa de homicídio contra mim ou o Wilbur, ou a aranha. Continuei andando, andei o dia todo e boa parte da noite, minhas pernas começaram a tremer de dor, ajoelhei no chão, abri a mochila, sem ver nada, procurei o que parecesse ser um cobertor ou algo do tipo, puxei um, enquanto isso caiu alguma coisa no chão junto com ele, eu me cobri, junto com o Wilbur e a aranha, toquei no que havia caído do cobertor para saber o que era, era uma pedra, não tinha paciência ou energia para por de volta na mochila, então a fiz de travesseiro dormi como uma rocha. Ao acordar, com o sol batendo no meu rosto, tomei um susto, fiquei apavorada ao ver um crânio humano bem na minha frente, sentei e olhei ao redor, algumas pessoas andavam, eu não estava mais num lugar movimentado, mas muito, muito destruído, a aranha já havia se acomodado dentro do crânio, que à essa altura já estava oco, abri a mochila para olhar o que tinha dentro dela, o resto do corpo desse crânio, uma garrafa d'água, um pote de mel rachado, a faca que eu havia colocado lá e uma arma de fogo, tentei atirar no chão com ela, mas estava sem balas, mas por precaução, coloquei-a na mochila, e resolvi continuar andando, sei lá, só procurando um deserto, ou com sorte, algum lugar com uma árvore, talvez.
   Depois de andar tanto, antes que eu pudesse perceber, estava no meio de uma floresta morta, continuei caminhando, as minhas pernas voltavam a doer, o céu escurecia de novo, eu comecei a correr desesperada pela floresta, não sabia o que aconteceria depois que escurecesse, talvez ficasse tão frio e escuro que talvez eu não pudesse nem ver minhas próprias mãos trêmulas à frente do rosto, eu corri, procurando qualquer lugar em que a árvore fosse oca, encontrei, um buraco no tronco oco de uma árvore
   - Gente, vem comigo! - Eu entrei no buraco e os dois foram me seguindo, fiquei lá, e de repente escureceu, exatamente como eu havia descrito anteriormente, frio e escuro, peguei o cobertor e me enrolei, comecei a ver uma luz esverdeada, duas, três, logo formavam-se 10 luzes esverdeadas à minha frente e eu podia finalmente enxergar de novo a floresta mórbida de algumas horas atrás, eram vaga-lumes, lindos eles, mas a essa hora, eu já estava meio cansada, infelizmente tive a consciência de que teria que continuar meu caminho, eu saí da árvore, ia chamar os vaga-lumes para me ajudarem e iluminarem o chão para eu ver onde piso, mas eles saíram voando na maior velocidade, eu comecei a correr atrás dele, com a aranha no crânio que estava na minha mão e o Wilbur atrás de mim, minhas pernas latejavam, eu não aguentava mais correr, caí no chão de olhos fechados para que não entrasse terra, abri os meus olhos na mesma hora, estava de manhã, estava tudo claro, eu havia dormido ali, mas onde era ali? Com certeza era diferente de tudo o que eu já vira. Tinha grama, com algumas gotas na ponta das folhas, tinham flores em arbustos, árvores frutíferas e um lago cheio de animais, a aranha saiu do crânio, o Wilbur se levantou também, parece que havia dormido onde estava na noite passada, era o tal "Lugar com uma árvore" que eu estava procurando, sem a presença dos humanos para estragar tudo, só eu, o Wilbur e a aranha
Fim

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