As rodas passavam suavemente pelo carpete sem fazer muito barulho, ela não ouviria nada, pois a audição da espécie dela não era muito boa, mas logo as rodas chegaram ao ouro da sala de estar, fazendo um barulho alto e agudo, corri para a parede, abri uma das caixas de força e ativei o meu holograma no quarto. Zahinna Mahushi, tendo ouvido a minha voz, fechou a tranca e desativou o modo automático por dentro usando o controle remoto, o que fez um grande barulho e me deu tempo de sair daquela casa, ativei os jatos do meu tornozelo, deslizando pela terra, era a primeira vez nos últimos dois anos que eu podia ter contato com a natureza. Mas me lembrei, poucos centímetros a frente, aquela terra acabava, simplesmente por estar elevada através de um material metálico, similar aos troncos das árvores KAnnigsha do meu planeta, antes aquilo era para impedir que os ladrões, sequestradores, etc. entrassem, mas agora estava me impedindo de sair, se eu voasse, minha madrasta me veria e me exterminaria, se eu pulasse... Olhei para baixo, tinha uma nave ali! E não era dos seguranças! Eu só precisava pedir uma carona! Eu estava salva!
Pulei na beirada da nave, consegui me pendurar até a parte de baixo, onde fica a porta daquele modelo de nave. Eu me segurei em dois cabos que estavam soltos e usei toda a força das minhas pernas para abrir a porta à força. Ela fez um pequeno estrondo, seguido da aparição de algumas faíscas soltando, mas logo se normalizou. Eu entrei, era uma casa muito bonita por dentro, havia à minha direita um enorme sofá roxo acompanhado de poltronas verdes e uma mesa de centro prateada, não parecia ter porta para a cozinha, ela estava bem ali, uma geladeira, uma bancada e um forno de nano-ondas, claro, bem no centro do local, tinha uma mesa de jantar. Eu esperaria ali até alguém entrar naquela casa flutuante, para me dar uma carona até bem longe dali e me esquecer de vez, sentei em uma cadeira, vi que tinha um painel de controle e um volante com a chave encaixada nele, mas resisti à tentação de fugir ali naquela nave mesmo, continuei olhando ao redor e notei uma porta. Caminhei devagar até ela e a abri com delicadeza, encontrei três beliches à jato, uma escrivaninha e um armário, estava uma bagunça, percebia-se que eram meninos que moravam ali por causa das cuecas espalhadas que me deram náuseas, mas também tinha cereal derramado no chão, vidros quebrados e muita, mas muita água (espero) espalhada por lá. Normalmente não gosto de arrumar o que já me parece arrumado, mas quando chego em um lugar bagunçado ao extremo, é como se eu magicamente ganhasse uma obsessão louca por limpeza, então comecei a arrumar, ao fim de tudo, o quarto estava limpo e a pinça eletrônica cansada de pegar cuecas, meus braços doíam, e se minhas pernas fossem reais estariam tremendo, me direcionei até a sala e deitei no sofá para tirar uma soneca, a mãe dos caras certamente chegaria com eles e me ajudaria, ou me expulsaria e eu teria arrumado o quarto deles para nada, mas eu estava tão cansada que esperei pelo melhor
| O sofá era bem confortável |
- Vai devagar aí, grandão - Era uma voz um pouco parecida - Ela é muita areia pro seu caminhãozinho
Do nada, um monte de garotos começaram a rir, e essa risada virou uma discussão bem alta, mas ainda não havia me acordado completamente, eu ouvia suavemente uma voz feminina no meio da briga, até que alguma coisa me tocou, eu me assustei, agi por impulso, pensei que algo ia cair em cima de mim, interpretei como uma agressão e comecei a dar um monte de socos e chutes no que eu nem via o que era, quando finalmente me dei conta do que estava fazendo, parei de bater em seja lá quem fosse, era um garoto, muito provavelmente de Yashohilonro, meu planeta vizinho, as espécies de lá eram bem parecidas com as do meu planeta, ele tinha cabelo ruivo, olhos completamente pretos, como os meus, mas tinha uma pele lilás, o que era típico no seu planeta, como outros tons de pele tipo azul piscina, bege e verde neon, mas não no meu, exceto pelo bege, que é muito comum sim.
- Ai meu deus!!! - Berrei quando parei de espancá-lo - É o proprietário da casa! Me desculpa! Eu sempre agi por instinto durante o sono! Não é normal me tocarem enquanto eu estou dormindo, então eu me assusto! FOI MAL MESMO!!!!
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| Kaihannigha Tuyka |

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