Numa terra pós-apocalíptica, muitos lutavam para sobreviver. Eu e outras 48 adolescentes fomos resgatados por um bondoso fazendeiro, o senhor Davis, o seu nome na verdade é Brad J. Davis. Ele nos obrigava a cuidar dos animais em seu terreno, em troca de abrigo, comida, e água limpa, o que é muito raro em tempos como esses. O senhor Davis e seus empregados procuram nos poucos lugares que ainda restaram vegetação, animais que possam caçar e trazer para cá para serem cuidados e depois mortos para comercialização ou para o jantar.
| Eu |
- O chefe mando você cuidar dele, separadamente dos porcos, tá certo?
- Claro... - Os quatro saíram, foi quando eu o abracei, porque percebi que ele estava bem assustado.
O resto do dia eu cuidei apenas dele, não sei, achei que precisava saber como ele era e ensinar alguns truques a ele, mesmo sabendo que ele teria o mesmo destino que os outros porcos: A morte.
O sol começa a se por e eu percebo que a hora do jantar se aproxima, mesmo tendo apenas um dia que o conheci já havia me apegado muito a ele, eu caminhei até a sala de jantar, sentei numa cadeira qualquer e comecei a comer. Todos estavam conversando, mas eu não era muito de conversar durante a janta, que normalmente sou a última a terminar, o sr. Davis jantava com a gente e quando terminava só ficava ali, parado, encarando todo mundo. Logo que eu fui acabando o jantar e a mesa ficou quase completamente vazia o sr. Davis me chamou para sentar ao lado dele
| Wilbur |
- O Wilbur? Ah, não, claro que não
- Pois é, espero que não porque quero ele bem cuidado para daqui a três ou quatro anos possamos vender a carne dele, talvez ele seja um dos últimos javalis da terra e vai dar muito lucro - Eu já sabia que ele morreria, mas ouvir alguém comentando isso me atingiu como uma faca
- NÃO! - Ele me encarou - Quero dizer, se ele é um dos últimos, não é melhor que procuremos uma fêmea para ele? Sabe, para gerarem filhotes... E assim mais lucro
- Sabe a quanto tempo estamos a procura de um javali, Maya? Desde que a natureza inteira resolveu atacar os bem-sucedidos comerciantes da terra! Pois é, meio-metro! Desde que você era do tamanho de um grão de areia e por uma assustadora sorte não morreu dentro da barriga da sua mamãe com a chuva de meteoros, com os maremotos, furacões, terremotos, e desabamento dos maiores monumentos do mundo. Desde essa época eu mando caçarem javalis pelos quatro cantos do mundo, ao menos à procura de uma floresta para encontrar algum animal que tenha sido quase extinto, e sabe qual o tempo estimado para que encontremos uma fêmea para esse grandão? Exatamente o mesmo! Isso se encontrarmos, e nas condições de vida complicadas em que todos vivem hoje, esse carinha não vai durar muito mais que quatro anos!
- Desculpe, foi só uma sugestão
- Que foi tremendamente negada, agora vá dormir, não quero que você fique cansada para cuidar mal dos porcos amanhã
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| O Sr. Davis tem uma criada que põe a mesa e cozinha todo dia, parece bem mais legal ser ela |
Eu fui até o quarto e comecei a caminhar por entre as 48 camas, a minha é a décima quinta à esquerda, o que não é lá muito bom para mim, pois fica entre duas meninas que não gostam de mim e ficam fazendo som de porco porque eu gosto dos animais da fazenda, isso, é claro, antes de eu dar um murro na cara das duas. Eu deito na minha cama, elas já estavam dormindo "ótimo" Pensei " Ninguém para me zoar hoje".
Sem que eu percebesse, os anos se passaram e eu criei laços muito fortes pelo Wilbur, que à essa altura, já estava grande, gordo e com presas enormes, um mês era o tempo que faltava para que ele fosse morto, eu não queria que ele morresse, mas ninguém jamais me deixaria sair dos territórios do Sr. Davis com o javali, ele era uma joia para eles, que só pensavam em dinheiro.
Eu observei aquela coisa gorda do meu lado, estava decidida: Não queria que o matassem, jamais poderia deixá-lo morrer sabendo que poderia fazer algo a respeito. Levantei rapidamente
- Wilbur - Ele se levantou e olhou para mim - Beleza
Eu ensinei a ele truques realizados através de sinais discretos que eu desse para ajudá-lo a fugir na hora que tentarem cortar sua cabeça. Todos os dias eu praticava com ele, ensinava-o a fazer tudo cada vez com mais perfeição. Eu não estava psicologicamente preparada para isso, nem eu, nem o Wilbur, mas o dia havia chegado, o dia da morte dele, será que ele obedeceria aos meus discretos comandos em um momento de tanta tensão? Os mesmos empregados do Sr. Davis que haviam trazido o Wilbur à quatro anos se aproximavam, a cada passo que eles davam eu me sentia cada vez mais próxima de ver a cabeça do Wilbur sendo decepada.
| Se isso acabasse na mesa do jantar daquele dia ou fosse vendido, eu cairia na depressão mais profunda existente |
- Claro. - Não sei se era o clima extremamente quente da terra por causa dos desastres naturais ocorridos antes do meu nascimento, ou se eu estava realmente com vontade de chorar, nunca sei bem como é chorar, já que não faço isso com frequência, e quando faço, tenho vontade de arrancar os meus próprios olhos por vergonha. Chorar não é uma coisa cabível, à ocasião alguma. Engoli o choro e segui os quatro empregados enquanto eles arrastavam o meu adorável javali para a morte certa.
Continua...

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