22/07/2011

A morte da dama de metal

Eu
   - Cloe Lagh Hashitta! - Era a minha madrasta, a rainha Zahinna Mahushi. Os amigos, a chamam de Zah, mas ela prefere sempre ser chamada por outros pelo seu nome completo, e também não chama ninguém pelo apelido, chama sempre o nome completo. Eu caminhei em direção ao seu trono metálico envolto por uma cúpula de vidro blindado logo atrás da esteira rolante de ouro - Na minha frente. Agora!
   - Sim, senhorita Zahinna Mahushi?
Zahinna Mahushi (quando era
nova e cheia de photoshop
)
   - Andei escutando uns rumores que talvez, só talvez, sejam reais. Você andou relaxando quanto aos estudos de princesa. Não está se esforçando para falar kornockineanno fluente, não tem treinado suas artes mortais, não tem ao menos praticado para as provas de governadoria interplanetária!
   - Senhorita, em pleno século 27 não poderia simplesmente implantar todas as informações das quais preciso no meu cérebro com os capacetes...
   - NÃO NÃO E NÃO! VOCÊ NÃO ENTENDE QUE PARA SER UMA RAINHA TEM QUE APRENDER DA MANEIRA TRADICIONAL, VOCÊ TEM QUE SABER O QUE FAZER E ESSES TAIS CAPACETES QUE TE ENSINAM COISAS NÃO LHE DÃO AS EXPERIÊNCIAS QUE PRECISA!!
   - Mas elas eu posso ganhar com o tempo, implante as informações no meu cérebro para que eu possa obtê-las - Eu me ajoelhei - Por favor, Zahinna Mahushi, eu te imploro
   - Não. Agora, como punição por não ter dado o devido valor às suas importantes tarefas reais, você limpará toda o castelo, e para garantir que o fará sozinha, eu já desativei os robôs pelo resto da semana
   - Sim, senhora
É onde eu moro
   Eu comecei a caminhar devagar para o meu quarto, ao chegar à porta dele a abri cuidadosamente e a bati com ódio em cada gota de sangue do meu ser parcialmente metálico. Pulei na minha cama, o que a fez pairar com um pouco mais de intensidade, ela ia para cima e para baixo, mas logo voltou à sua flutuação normal, peguei meu travesseiro transparente com silicone verde do planeta HayamasshiLaho. Às vezes eu penso "porque os planetas dos quais as minhas coisas são importadas de planetas impossíveis de se pronunciar o nome?" e nunca consegui encontrar uma resposta para essa pergunta. Comecei a chorar, chorar de ódio, pressionava aquele travesseiro frio contra o meu rosto. E antes que pudesse perceber, eu estava dormindo.
   - Então. - Ouvi a voz da minha madrasta e governanta - Concluiu a pesquisa? - Eu levantei da cama para ver o que estava acontecendo, a luz do banheiro do corredor estava acesa
   - Sim, majestade. - Ouvi a voz mecânica do nosso espelho-computador do banheiro
   - E então, ainda estou no auge da minha fama? - Eu me aproximei do banheiro que estava com sua porta entreaberta, olhei por dentro, aproximei a minha visão com um dos meus olhos que era mecânico. O espelho mostrava um gráfico que representava uma comparação entre a fama dela e a minha naquele planeta - Espelho...
   - Sim, majestade.
   - Por que está comparando a minha fama com a da minha inútil afilhada? Bem... é claro que sei que ela é mais famosa do que eu, mas...
   - Majestade, a senhora parece não compreender. Uma rainha, em tempos como os de hoje, deve ser a mais adorada, a maior ídola dos habitantes de seu planeta, ou isso, ou suas ordens virão em segundo lugar, muito depois da opinião de sua tola concorrente, no caso, sua afilhada
   - Hmm... Interessante. Espelho, me responda com sinceridade: Se  uma garota, uma celebridade, de repente desaparece, seu corpo nunca é encontrado, e pouco tempo depois ninguém mais lembra dela, embora muitos aleguem que a tal garota foi assassinada. Responda-me qual a probabilidade de isso ser profundamente investigado pela polícia nesse meio-tempo.
   - Muito provavelmente investigarão
   - Entendo, mas e se for um... Acidente, um acidente no quarto dela, em que a tranca automática vai travar e a temperatura diminuir, até que ela congele e morra
   - Bem... Essa trava tem dado alguns defeitos e você já alegou em tribunais que a Cloe gosta de temperaturas baixas, quem sabe eu não dou um jeito com seus advogados?
   - Faça isso - Ela ficou parada um bom tempo, até que resolveu perguntar - Mas, espelho...
   - Sim, majestade.
É esse o maldito espelho-computador
   - O que essa pequena monstrinha com pernas metálicas tem que eu não tenho?
   - Além de cabelos bem hidratados, carisma com todo o povo desse planeta, olhos claros com uma pele escura, uma voz conhecida e adorada, perfeitas técnicas de atuação, olhos com a distância perfeita para ser uma super-modelo interplanetária, presas adequadamente pequenas dentro da boca, um corpo adorado por mais da metade do povo desse planeta, um nome facilmente pronunciável, lembrável, de uma língua universal e uma reputação completamente limpa não é percebido nada até agora
   Ela, parecendo ter perdido a paciência, desligou o espelho. Eu me afastei da porta, não acreditava que ela queria me matar! Antes que ela saísse do banheiro, eu ejetei rodas da sola de meus pés e saí rapidamente pelo corredor sem fazer barulho, mas tinha que sair daquela CASA

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