12/08/2011

14 de Maio

   Fui para o meu quarto. Bom, pelo menos os meus pais não haviam descoberto. A janela estava aberta e o sol começou a doer a minha cara, eu a fechei rapidamente juntamente com  a persiana e a cortina, deitei na cama, liguei o ar condicionado e comecei a ver TV até anoitecer. À noite eu e a Abbey ficamos falando pelo computador, depois eu fiquei no telhado da minha casa olhando as estrelas, me tornar vampira foi um ótimo jeito de fugir das minhas responsabilidades futuras ou talvez apenas para manter a boa aparência, mas sei lá, só acho que vai ser bom quando eu tiver 30 anos, poder dizer isso para o espanto das pessoas e ver a reação delas. Saí do telhado da minha casa para um galho que estava encostado nele, ouvi a janela abrir, olhei para baixo assustada, esperando que tivesse sido apenas o vento, não. O Josh estava lá me encarando
   - Vou contar para o papai que ainda não foi dormir!
   - NÃO - Berrei.
Amo ficar naquela árvore, longe de todos da minha casa...
   Ele saiu correndo e eu pulei do galho e fui atrás dele, puxei ele pela camisa de volta para o quarto, depois corri até a porta e a fechei, quando virei, ele estava no chão, devia ter torcido o tornozelo ou algo do tipo, não entendo o Josh, ele não suporta apanhar de uma garota, então reagiu como reagiu
   - VADIA!! - Ele pegou um tijolo ao lado da cama dele, e com certa dificuldade, levantou, começou a andar rápido na minha direção, eu não poderia bater nele, ele era o meu irmão mais velho e se eu não soubesse calcular MUITO bem a minha força (Coisa que eu não sei mesmo), poderia até matá-lo, mas se eu o deixasse acertar aquele tijolo na minha cabeça, a morta seria eu, pânico no ar, ele já estava bem perto quando eu cheguei ao auge do meu pavor e simplesmente agi por instinto de sobrevivência feminino: Chutei o saco dele com toda a força do meu pavor, até que lembrei o quanto os humanos eram frágeis e reduzi um pouco essa força, mas acabou sendo um chute bem miserável. O Josh caiu gritando e chorando no chão
   - Ahn... Josh, você... Está bem? - Naturalmente ele me responderia algo como "Levei um chute nos testículos p****! Esperava que eu estivesse bem?" Mas acho que ele estava sentindo muita dor e só soltou uma série de gemidos.
   Eu simplesmente não sabia o que fazer, não sou muito amorosa fraternalmente então fiquei com uma expressão assustada no rosto e saí de costas do quarto dele, bati em alguma coisa, podia ter sido qualquer coisa: Um armário, uma mesa, mas quando me virei: Foi o meu pai
Quando eu era bebê era só carinho, agora por
qualquer besteira me mandam pro cantinho!
   - Então, Aghatta, sabe que horas são?
   - Por favor, diga que são oito da noite.
   - Quatro horas da manhã! - Eu dei um passo para trás e um sorriso
   - Paizinho! Vamos... Negociar, sim?
   - Não! Pra cama! Agora, mocinha! E pra garantir que não vai sair de casa de novo, vou ficar te vigiando!
   - Ah... É claro que vai... Hahahahaha - Forcei uma risada, depois fiquei séria e fui para o meu quarto, nossa! Parece até que eu vivo fazendo merda e nunca faço nada direito!
   Deitei na cama, meu pai sentou na poltrona do meu quarto, era como se eu tivesse esquecido como se dormia, ele apagou a luz, eu fazia mesmo isso a uma semana atrás? Fechei os olhos, afinal, era assim que se dormia né? Não sei, eu virava de um lado pro outro da cama, me balançava, batia minha cabeça no travesseiro, sei lá tentando perder a consciência, mas não adiantava, fiquei parada com os olhos fechados, num tédio só, sem conseguir dormir, até que senti tudo clarear. Finalmente era de manhã? Abri os olhos, sim, eram seis da manhã e o sol estava começando a arder um pouquinho meu rosto "Ninguém merece! Esse sol de seis da manhã acaba comigo!". Levantei da cama, meu pai estava sentado na poltrona, dormindo. Antes que alguém viesse me chamar, carreguei ele e levei até a cama, coloquei-o do lado da mamãe, engraçado... Quando eu tinha seis anos era ele quem fazia isso comigo, fui até o meu quarto e comecei fazer meu sanduíche diário de carne crua, aproveitei e bebi um pouquinho do sangue dentro dela, às sete horas e minha mãe foi no meu quarto, mas não me viu, então foi para a cozinha, eu estava lá
   - Aghatta, o que está fazendo aí??
Minha cozinha
   - Bem... Ah, você me pegou! Eu estava... Fazendo o café! Para vocês! - Eu sorri, ela tentava não sorrir também, mas acabou dando risada
   - Vem, vou te ajudar - Foi um  dos poucos momentos em que eu gostei de estar com um membro da minha família, mas começamos a preparar panquecas e rimos muito, apesar de que eu não comeria as panquecas - Mas querida, sério, como você conseguiu ficar todos esses dias sem dormir? Você não fila aula pra dormir, senão não daria tempo de você aprontar tanto, sem falar que não come! Como não fica cansada?
   - Bem... Eu... Eu sei lá
   - Não minta! - Brincou - O que você faz? Toma café no meio da aula? Energéticos? - Agora ela começava a parecer um pouco desesperada - Por favor, minha filha, me diga que não está usando drogas ou algo do gênero!
   - Ah, mãe, eu não sei! Eu não tenho sentido muito sono à noite
   - Vou lhe levar num médico sexta!
Nossa! O único médico que não me mata
de medo é o Dr. House! ÒwÓ
   - Ah... Tudo bem... Quer dizer... Bom, bom... - Mas não estava nada bom, ela ia me levar num médico e sabe-se lá o que ele ia concluir sobre mim! Meu coração não bate, eu quase não tenho sangue, minha pele é gelada que nem o polo-sul e ele ainda tiraria minha lente de contato e mostraria meu olho vermelho pra todo mundo! Ia estragar tudo!!
   O resto da família chegou para o café
   - Então, vem tomar café, querida!
   - Ai, puxa vida! - Eu olhei para o relógio da sala - Eu prometi encontrar a Mildreth hoje antes da escola para ajudá-la a estudar! Não posso ficar...
   - Ah não! - Minha mãe puxou meu braço quando eu ia correr pro meu quarto para me arrumar - Você vai sentar e tomar café com a família! A sua amiga líder de torcida vai ter que esperar! O que deu em você? Não come nem dorme há uma semana!
   - Será que está doente? - Deduziu o papai
   - Não, pai, estou ótima! Cheia de vida! Agora eu tenho mesmo que me arrumar.
   Fui até o meu quarto, pus uma regata preta coberta por uma blusa xadrez amarela e preta, um short jeans com um cinto de tachinhas pontudas, uma meia-calça preta de rendinha e brincos grandes de caveira
   - Angie, querida, está mesmo tudo bem? Vamos marcar o médico para essa sexta-feira. Eu quis avisar com antecedência, porque sei que você tem fobia de agulhas e hospitais, então...
   - Está tudo bem, mãe, sério.
Eu deixei ela aberta
por cima da preta
   - Tem certeza?
   - Tenho, mãe, agora eu tenho que ir, a Mildreth precisa de alguém que a faça estudar ou vai repetir
   - Mas o que você sabe sobre as matérias do ano? Cabulou todas as aulas!
   - Bem, eu também preciso de alguém que estude comigo para não repetir não é? Quer dizer... É como dizem, uma mão lava a outra... Já vou indo, tchau, mamãe - Fui andando rápido até a porta da frente e fui até o quintal, entrei no carro - Não se importa de eu pegar o carro pra ir na escola não é?
   - Aghatta, eu ainda não terminei...
   Dei ré e comecei a dirigir até a escola, essa foi por pouco, eles quase me pegaram, estão me sufocando! Finalmente cheguei à escola, entrei antes que o sino tocasse, minha pele estava ardendo um pouquinho por causa do sol. Vi uma coisa que me surpreendeu muito: O Sam estava conversando com a Kate, nossa! Eu fiquei tão feliz por ela!! Até escutei a conversa e ele acertou o nome dela o tempo inteiro! Estavam falando de comida ou lanchonete, não sei, mas assim que ele se afastou eu cheguei perto dela e disse:
   - Amiga, eu vi você falando com ele! Não negue!! Quero detalhes íntimos!
Fiz um desenho do meu amigo Sam, cara,
ele é um dos meus melhores amigos *DIVO*
   - A Abbey nos apresentou... De novo, e então começamos a conversar, ele disse que gostou de me conhecer e até me jogou umas cantadas! Aí a gente marcou de sair!! A gente vai na lanchonete aqui do lado
   A gente começou a gritar que nem loucas no meio do corredor, a Abbey estava numa aula dupla de francês. Mas eu mal podia acreditar no que havia acabado de ouvir, pelo menos entre a Kate e o Sam estava tudo indo bem, eu só precisava driblar minha família... Coisa que seria fantasticamente difícil
                                    
                      Continua...

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