14/08/2011

15 de Maio

O porão de lá da escola
   Fui até o porão da escola, é lá que ficam todos os materiais de arte da escola, eu iria à sala na aula de artes para fazer qualquer coisa, mas naquele momento, eu só fiz umas pinturas na parede, estava sem meu spray de tinta, por isso usei o material do porão... Não gosto daquela escola, não gostava de nenhuma aula. Terminei de pintar cada centímetro quadrado daquele porão, e sentei-me na cadeira, liguei um abajur que estava pendurado ao meu lado comecei a ler uma revista que falava sobre um monte de curiosidades paranormais. Ouvi duas pessoas se aproximando, eram dois funcionários da escola, fechei a revista na mesma hora e saí correndo, havia uma saída lá, um corredor, era muito estreito e eu não sabia onde dava! Mas era o único jeito de escapar, sabe... Não ser pega! Passei rapidamente por ele, acabei com um arranhão no pulso, mas estava tudo bem, só ficou meio rachado, mas quando passei pelo corredor inteiro, não acreditei no que estava do outro lado! Há alguns dias o diretor anunciou no megafone que veríamos dissecações de sapos vivos no laboratório, e eu acho isso uma crueldade, mas não sabia onde ela ficava! Não poderia fazer nada, fiquei procurando por tempos, mas não encontrei, e agora ali estava a minha terra prometida, eu havia chegado ao laboratório, tudo o que me restava era soltar esses pobres animais, peguei um dos aquários sem água que continha uns cinco sapos, olhei ao redor, haviam pelomenos uns 100 aquários daqueles! Como os carregaria até o primeiro andar, onde tinham janelas para eu jogá-los para que fossem livres, eu sinceramente não sabia... Coloquei o aquário de volta no chão, removi todo o material da minha mochila, coloquei os sapos lá dentro. Com todos os meus livros em mãos e os sapos se mexendo e coachando na minha mochila, eu caminhava lentamente... Que bom! Os funcionários da escola já haviam saído! Antes que alguém mais chegasse, subi as escadas, os corredores estavam vazios, fui até a primeira janela que vi, coloquei meus livros no chão e soltei todos os sapos fora da escola!
   - Isso, queridinhos, fujam! Fujam!
   Uma mão tocou o meu ombro, uma mão grande e áspera, vinha de cima, a pessoa era mais alta que eu, era o diretor ou a minha amiga moça da lanchonete Juddy "Por favor que seja a Juddy, ela vai me dar folga dessa como sempre!!" Virei para trás, era o diretor "Puta merda!" pensei com raiva
   - Aghatta, na minha sala! Agora!! - Eu dei um sorrisinho amarelo e o acompanhei até a sala, ele sentou na cadeira atrás de sua mesa, eu peguei uma cadeira no canto da sala, virei de costas para ele e sentei de frente para sua mesa, com os braços apoiados no lugar onde eu deveria recostar
   - Mas fala aí, tio, qual vai ser meu castigo? Detenção? Suspensão? Expulsão?
   - Eu não sei mais o que fazer com você, Aghatta...
   - Então deixa passar, manolo!
   - Aghatta, pare com essas brincadeiras, nunca apelei para esse tipo de coisa antes, mas agora, eu quero saber por que vocês vândalos gostam tanto de fazer isso.
   - Ah... Eu não sou vândala, sou... Diferente, eu acho - O sangue dele começou a cheirar como o da minha professora de história, ele estava com raiva - Mas, eu sei lá o porquê... É só que eu não gosto dessa escola e, andar na linha deixaria a minha vida tão chata, eu quero poder dizer que extrapolei... Essa escola não dá nenhuma atenção à arte, eu não quero estudar, não sou inteligente! Eu quero... Eu quero pintar! Só isso! Quero que as pessoas reconheçam o meu potencial artístico, mas essa escola é tão fubenta que nem dá nota para artes!
Eles ainda estou recuperando o fôlego pelo
meu autorretrato no lugar do mapa, e... Na
verdade, o meu cabelo é maior que aquilo...
E é bem liso :B
   - Aghatta, eu vou te contar uma coisa: Você não é burra, na verdade você está desperdiçando uma das mentes mais brilhantes da sua geração com essa negligência diante da escola! E nunca vai conseguir fazer sua mente evoluir com uma coisa banal como arte, é só pegar um pincel e espalhar uma porção de tinta por uma tela, nunca vai conseguir... 
   - CALA A BOCA SEU FRUTINHA!!! PINTAR É MUITO MAIS QUE ESPALHAR UM MONTE DE TINTA COM UM PINCEL!! CARA, VOCÊ ESTÁ ME DANDO VONTADE DE... ARGH!!!
   Saí da sala, bati a porta e percebi a merda que havia feito, antes que o diretor viesse atrás de mim, saí correndo, como uma brisa, saí da escola e fui à lanchonete ao lado da escola, fiquei sentada num canto lá, super irritada e deprimida "nunca vai conseguir fazer sua mente evoluir com uma coisa banal como arte" Como ele pode dizer algo assim? Comecei a observar os arredores, aquele dia estava sendo bem emocionante... E triste, mas principalmente emocionante. Sei lá, era o que eu pensava até que vi aquilo na lanchonete, susto era pouco para descrever: À primeira vista parecia apenas uma líder de torcida da minha escola, filando aula para se pegar com um carinha, mas aí eu vi que o 'carinha' era o Sam, paixão platônica e secreta da Kate desde a quarta série, pensei que eles estivessem saindo... O que era aquilo? Eu consegui me conter até o momento em que eles pararam de se agarrar e começaram a falar
   - Nossa! Por que você topou sair com aquela... Alex, não é?
Eu fiz um desenho daquela vadia que estava
saindo com o Sam e pus no meu alvo de
dardos
   - Kate. Sabe... Ela tenta guardar segredo, mas o caso é que ela fica me olhando a aula toda desde a quarta série, eu chamei ela pra sair, digo que só quero amizade, e me livro do incômodo... Eu acho
   - Sabe o que seria bem mais fácil? Você nem vai precisar sair com ela, a gente tira uma foto juntos e manda por mensagem pra ela, quer dizer... Ela vai acabar te odiando, mas ela é muito retardada, ninguém vai notar
   - Gostei da idéia - Nessa hora, eles fizeram uma pose ridícula de casalzinho e tiraram a foto com o celular, o Sam não parecia mais um grande amigo meu, eu só quera esmurrá-lo, juntamente com sua namorada tonta! Saí da lanchonete, fui dar uma volta de carro, havia acordado com o pé esquerdo aquele dia, em todo lugar que eu fosse só arranjava encrenca, via e ouvia tudo o que não queria. Encostei perto da calçada e comecei a mandar mensagem para a Kate
                                                                      ***
 Kate,
   O Sam hoje estava na lanchonete se pegando com aquela garota da torcida, não lembro o nome dela, aquela de cabelo preto e encaracolado, sabe? Em fim... Eu só achei que seria bom você saber, depois da aula me ligue se quiser conversar...
                            ***
Meu celular
   Fiquei lá o resto da manhã e uma parte da tarde, até a aula acabar, quando eu iria para casa fingindo que fiquei na escola o dia todo, acelerei. Chegando em casa, encontrei de novo o papai e a mamãe
   - Aghatta - Disse a mamãe num tom neutro, não reconheci aquele tom de voz de jeito nenhum, não o ouvia desde os 5 anos e nem me lembro direito por que ela usava esse tom comigo - Fomos de novo à sua escola hoje. Estou tão orgulhosa! Eu pensei que você só fazia coisas ruins na escola, mas depois de saber que você foi eleita a melhor no clube de luta, sendo a única menina, ou a mais artística - Ah... Aquele tom era o de orgulho, tinha mesmo muito tempo que eu não escutava...
   - Mas a dúvida permanece - Começou o meu pai - De onde você tira tanta energia, menina? Você não come nem dorme à uma semana!! O que aconteceu, está vivendo de água?? E mais que uma menina com força tão limitada quanto uma que não come a semanas não poderia ser a melhor num clube de luta como esses, e eu sinto lhe informar que a sua genética não é das melhores - Ele estava me encurralando! Queria que eu dissesse como consigo tudo isso - Sabe... Tenho pesquisado sobre essa coisa de Crepúsculo e vampiros, e estive pensando - Empalideci, ele sabia! Meu deus! Meus pais sabiam que eu era uma vampira! - Por favor, Tatty, diga que não está tentando imitar esses vampiros dos filmes
   - Não, pai, não estou - Que pergunta idiota a dele!
Uma vez, ganhei de aniversário essa saga de
uma colega minha, odiei tanto que queimei
   - Mas como ela consegue? Isso é uma coisa para se preocupar!
   - Filha, nos diga a verdade, por favor! - A minha mãe implorou, eles estavam me sufocando, e o Josh sorrindo atrás deles, eu não pude evitar de falar
   - AI TÁ LEGAL, TÁ LEGAL! EU FALO!! A verdade... é que, eu sou uma vampira...
   - Fala a verdade, filha!!!! - Berrou o meu pai
   - Não acredita em mim? - Eu sorri, deixando que aparecessem as minhas presas
   - Não - Levantei o meu lábio superior todo para que ele visse que não era dentadura e esses dentes estavam presos à gengiva, e só para que tivesse certeza que não ouviria outro 'não' levantei a mesinha de centro da sala com uma mão e a equilibrei no dedo mindinho
   - Eu também sinto o cheio do sangue das pessoas, papai, e o seu colesterol está alto - Ele permaneceu com a boca aberta - Papai?
   - Angie, você consegue sentir isso?
   - Consigo sim
   - Já pensou como seria maravilhoso você trabalhar lá no hospital? As pessoas não precisariam fazer exame de sangue! Pouparia tanto processo com essas coisas de...
   - Pai, eu não quero trabalhar no hospital do seu amigo!
   - Mas pense em como revolucionaria a medicina assim!
Gostoso! :D
   - Pense em como poderia condenar os vampiros assim! - Ele calou a boca, abaixou a cabeça e a minha mãe se aproximou de mim
   - Tatty, com essa força já pensou em entrar pra a polícia? A sua tia, Catherinne é da polícia e pode te ajudar com isso
   - Eu queimo no sol
   - Guarda noturna, que tal?
   - Não! Sabe de uma coisa, vocês me fizeram contar algo que prometi a mim mesma nunca contar à vocês, agora façam um favor: Larguem do meu pé!!
   Corri para o meu quarto, não queria mais ver aqueles babacas. Antes de bater a porta do meu quarto e passar a tarde e a noite vendo TV, ouvi a minha mãe gritando
   - Desculpe, filhinha! Só estamos pensando no seu futuro!
   Me tranquei no quarto, só esperei que minha amiga, a Kate me ligasse para eu consolá-la, aproveitaria e contaria alguns dos meus problemas, depois de compartilharmos as preocupações, ficaríamos vendo filmes em casa
FILMES!!!!

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