26/08/2011

Rebellion, para longe

Kulli
   As semanas se passaram, acada dia ia gostando mais dos meus amigos e odiando mais a minha família. Os conflitos continuavam pesados em casa... Havia um tempo que eu não entrava no computador, então o liguei e abri o world, para a minha surpresa, o arquivo com 3 páginas havia, sim, sido salvo, fiquei feliz em saber, então continuei escrevendo, em pouco tempo o conto já estava com mais de 50 páginas! E eu escondia todos os meus conflitos e aflições por trás da personagem asiática Kulli. Mas estava triste, escondia também todas as minhas lágrimas por trás de um sorriso, e só as deixava sair no banheiro, quando eu estivesse sozinha.
   - Aillie, tiraram o meu trailer de novo de onde estava, eu não vou poder continuar em Dundee por muito tempo, vou mudar para Perth em uma semana... Sabe, vou morar em um lugar onde não me expulsem de todos os locais em que instalo o meu trailer, e tenho uma amiga virtual que é de Perth, ela e as filhas moram num trailer e nunca foram despachadas dos lugares... Ela diz que Path é adorável, e eu pensei que talvez, você e o Willie quisessem vir comigo.
Path
   - Quer dizer... Fugir de casa?
   - É, vocês são os únicos que falaram comigo depois da Brenda acabar com minha imagem, preciso de vocês!
   - Bem... Eu não sei, acho que não é uma boa ideia - O Willie provavelmente não iria, quereria ficar com a namoradinha tosca dele e se os meus pais descobrissem o que eu teria feito se eu fizesse isso, ligariam pra a polícia e depois me colocariam de castigo para sempre - Não vai dar, amiga...
   - Tudo bem, mas pensa no assunto tá? Tem até domingo de manhã
   - Vou pensar
   O Willie sentou-se na minha frente e começamos a falar de outros assuntos, não queria que ele soubesse que a Edna ia fugir e eu talvez fosse junto. Enquanto u almoçava, ele ficou olhando para a minha cara durante uns cinco segundos, não gosto muito quando ele faz isso, é meio irritante porque parece que ele está achando que eu sou maluca ou algo do tipo... Surpreendentemente as meninas populares não estava me zoando nem chutando a minha mochila hoje. E eu acho que é muito legal da parte do Willie ainda sentar com a gente mesmo depois de eu ter dado um lindo murro no olho da namorada dele.
Tipo, ele fica me encarando e eu fico nervosa ou com
medo, aí eu faço ou falo merda, ENTÃO NÃO ME
ENCARA, PORRA!
   A aula acabou e eu tive que ir para casa ou os meus pais iam chamar a polícia e processar a minha amiga dizendo que ela me sequestrou. Chegando em casa, fui, mal humorada para o meu quarto, mas me surpreendi com o que vi: O Clyde e o Blane na minha cama, lendo o meu diário, a TV havia sido arrancada e o meu computador também
   - SAIAM DAÍ SE QUISEREM VIVER ATÉ AMANHÃ!!! - Eu pulei na minha cama e comecei a me atracar com o Clyde, o Blane ficou com medo e saiu do quarto, só então eu percebi que a porta havia sido arrancada, joguei o meu irmão mais velho idiota da cama e ele caiu no chão soltando um gemido - EI! CADÊ A MINHA PORTA??
   - Vai ter a sua privacidade - Começou a minha mãe - Quando aprender a respeitar a autoridade nessa casa
Um diário é onde uma garota expressa os
seus sentimentos mais íntimos e complexos
Os meus, por exemplo, não são mais
íntimos apesar de continuarem complexos
PARABÉNS FAMÍLIA!!!
   - Vocês arrancaram a minha porta?
   - Ai - o Clyde gemeu - E o computador - Ele estava falando com uma voz rouca de tanta dor, eu estava orgulhosa de mim por ter conseguido isso - E nos deixou ler seu diário, você gosta mesmo desse tal de Willie, né?
   - VOCÊS O QUE?? - Perguntei enfurecida - EU NOTEI A TV E O COMPUTADOR, NÃO ESTOU NADA FELIZ COM ISSO, MAS DEIXAR ELES LEREM MEU DIÁRIO? O QUE ESTAVAM PENSANDO???
   - Como eu disse - Justificou a mamãe - Não vai ter mais privacidade ou liberdade para Ailie Brack Manson nessa casa, se a quiser, você terá que andar com o seu diário na mão 24h por dia, se trocar no banheiro e se for passar o dia na casa da amiga hippie, não vai nos avisar, vai perguntar se pode com um dia de antecedência se quiser que pensemos no assunto - Ela colocava o dedo na minha cara, eu só pensava em dar uma mordida e tentar arrancá-lo, mas aquela vadia me poria de castigo, ela poderia pensar em coisa pior por incrível que parecesse, então apenas disse à ela:
   - Você é a pior mãe do mundo
   - Eu sei
   - Espero que morra
Acho que os meus pais se casaram por serem
chatos e problemáticos, porque eles brigam
durante a noite quando pensam que nós já
dormimos...
   - E vou, e nesse dia, você vai se arrepender de tudo o que está dizendo agora
   Sentei atrás da minha cama de costas para eles, com raiva, chorando de ódio, a Bonnie começou a chorar no quarto dela também
   - Puta merda - Murmurou o papai - Que hora para começar a chorar! - Os dois saíram do meu quarto, eu comecei a pegar todas as minhas roupas e enfiar na minha mochila preta do KND que eu simplesmente amava, peguei outra mochila, uma pequena do Wall-e e coloquei todas as minhas maquiagens, em outra um pouco maior que as outras, da Tinker Bell, eu coloquei todos os meus produtos de cabelo. Estava decidida, e ia sim, fugir com a Edna assim que possivel. Mas aí me veio à cabeça... O Willie não viria com a gente, eu não o veria nunca mais, ele era meu amigo além de ser o cara que eu gostava... Eu não aguentaria passar por isso... Não de novo, levei tudo para o banheiro, manteria lá, trancado até que me decidisse, a minha cabeça estava confusa, eu só queria que os sentimentos parassem de berrar e eu pudesse me equilibrar de novo e decidir o que fazer, era uma loucura eu estar pensando nisso com tanta seriedade... Eu... Eu era uma garota, uma garota pequena, mas não me reconhecia no espelho, eu me olhava e não me via, via uma adolescente de birra, daquelas que eu havia prometido nunca virar quando tinha dez anos... Dez anos, como eu queria voltar a ter dez anos! Passei a tarde chorando e às sete da noite eu dormi no chão do banheiro, dormi de tanto chorar, de verdade.
Ele me chutou de SAPATO!!
   - Ei, vadia!! - Senti um chute na barriga, era o Clyde me acordando, estiquei a minha mão com as unhas grandes como garras e dei um arranhão na sua perna, depois puxei e me levantei, fazendo-o gritar e cair - AAAAH! - Só então percebi que estava com dor de barriga por causa do chute, e um pouco tonta por ter levantado depressa. Sentei rapidamente no vaso (na verdade eu basicamente caí com a bunda nele) e com os pés segurando o viado do meu irmão no chão, com uma mão na cabeça e a outra na barriga - Ai... - Ele gemeu - Eu bati a cabeça...
   - Bem feito por ter me acordado com um chute.
   Joguei meu cabelo para trás, levantei, ainda com dor de barriga, e pisando nele, saí do banheiro com um pulo. Toda dolorida de dormir no chão. Cheguei na mesa do café e comi o queijo quente que minha mãe preparou e me vesti: Uma blusa vermelha do 'angry birds', uma jaqueta de couro sintético, uma saia preta e uma meia-calça de renda preta com um all star branco cheio de desenhos de caveira de diversas cores, peguei minhas três mochilas, além da mochila escolar e saí arrastando até o ônibus para que ninguém pudesse
   - Ei, ei, ei! O que é isso? Vai se mudar pra escola, moça? - O Willie me perguntou praticamente se jogando na minha frente
Minha mochila do Wall-e
   - Só estou mantendo o que eu amo seguro enquanto os meus pais confiscam minha privacidade - Ele riu. Eu sorri de volta
   - Bem... E aí, vai querer ajuda para...
   - WILLIAM!! - Berrou a Kate, ainda com um olho roxo do murro que eu havia dado nela - VENHA AQUI AGORA QUE HOJE EU ACORDEI COM A MACACA!!
   - Eu tenho que... - Ele apontou para a Kate, parecendo bem constrangido com aquela vadia. Fiz uma brincadeira com isso
   - Claro - Eu soltei uma risada baixinha - sua majestade o espera - Fui para o último banco do ônibus, junto à Edna
   - Bem... Teve uma complicação, e eu vou sair amanhã, você devia se decidir, Ailie...
   - Ah... Eu... Eu não sei. Não sei mesmo, amiga, eu posso te dizer mais tarde, eu acho.
   - Tudo bem, eu só ia avisar
   - Bem... De qualquer forma, não está afim de ir lá pra casa hoje?
   - Eu acho que sim, talvez meus pais não percebam...
   - Não quero lhe dar problema...
Ao menos a sala de informática lá da escola
presta :D
   - Tudo bem, tá tudo sob controle
   Assim que a aula começou, eu não fui àquela sala dos horrores, eu fui para a sala de informática e continuei escrevendo meu conto que estava salvo no meu pen-drive, para liberar minhas aflições, ocultando-as  dentro do contexto da história. A aula acabou, sem que eu nem almoçasse, percebi que o meu conto já tinha mais de trezentas páginas, ele havia começado há algumas semanas, eu escrevia muito, e todo dia, e só naquela específica manhã eu percebi o quanto havia escrito, e não tinha feito a história de qualquer jeito, era praticamente um livro, e muito bom! "Talvez eu devesse mandar para uma editora..." Pensei "Será que as pessoas vão gostar?" Mas cheguei à conclusão que a resposta era 'Sim'. Enviei para a editora que escolhi com meu nome, telefone, e endereço. Bateu o sinal do fim da aula. Corri para o ônibus, me sentei de novo com a Edna
   - Onde você se meteu a aula toda?? - Perguntou
   - Na sala de informática, eu acabei de fazer um livro, sabia?
   - Mas o que...
   - Depois explico
E eu sento lá atrás, lá atrás mesmo!
   Enquanto o ônibus andava o Willie saiu de seu lugar enquanto a namorada dormia para vir ficar com a gente e começamos a conversar, então o ônibus parou perto de algumas casas em frente à praia e nós saltamos, caminhamos um pouco, em silêncio até chegarmos à praia, então, finalmente sentamos na areia fofa
   - Então... - O Willie me perguntou enquanto a Edna estava catando uma algas verdes e trançando-as com seu cabelo em frente à churrasqueira cheia de legumes - Qual foi o castigo que seus pais te deram?
   - Bom, - Eu me deitei numa das minhas mochilas - Eles arrancaram a minha porta, tiraram a minha TV, o meu computador, disseram que eu não poderia mais vir para a casa da Edna e... Ah! Deixaram meus irmãos lerem o meu diário, eu estou irritada e confusa, eu estou com raiva de tudo, eu sei que é da adolescência, mas por que parece que só para mim o mundo está de ponta cabeça? - Ele estava me olhando daquele jeito de novo, ele apoiava o violão nas pernas cruzadas, ele me olhava sorrindo com aqueles olhos verde-claro irritantemente bonitos, isso só servia para me deixar nervosa e eu ficava falando rápido, olhando para todos os lados que não fossem me obrigar a olhar nos olhos dele, eu gesticulava com as mãos - Nossa! O mundo está uma droga! Será que ninguém percebe? Ou o problema sou eu? Cara eu não sei, mas... - Tudo o que eu queria era parar de falar porque eu via que ele estava tentando responder às minhas perguntas e eu não deixava - É estranho, é complicado, sabe... Complexo, é assustador e...
A praia era linda!
   - AILIE! - Ele gritou - Tenta relaxar... Você está brava com seus pais, e eu entendo, mas os seus pais não estão aqui, queria que pudéssemos... Nos divertir - Ele posicionou o violão e começou a Tocar aquela música "I'm yours", nessa hora, eu não fiquei nervosa, se bem que ficaria num momento como aquele, eu só deixei rolar, relaxei, não pude deixar de sorrir, a voz dele era linda, ele tocava super bem, e estava tocando para mim, no final da música, eu consegui falar mais calmamente, olhar nos olhos dele e dizer o que eu queria
   - Eu amo essa música, muito. O que eu queria dizer na verdade, é que minha vida é extremamente irritante, injusta, e complicada. Mas quando estou com vocês é como se os meus problemas se dissipassem no ar... Vocês são meus melhores amigos, falo de coração
   - Quem me dera eu pudesse falar com tanta sinceridade assim com a menina que eu gosto
   - Tá falando da Kate, sua namorada, não é?
   - Na verdade... Eu não gosto mais dela, tenho medo do que pode acontecer à minha saúde se eu terminar com ela - Eu e ele rimos - Eu gosto de uma grande amiga da Brenda e da Kate, ela tem olhos cor-de-mel e às vezes, quando ela está distraída, parece até que ela me força mentalmente a ficar olhando pra ela - Ele estava falando da outra amiga puta da Brenda, a Charlotte
   - Você é o menino mais popular da escola, por que não pede ela em namoro?
Charlotte
   - Acho que ela não é bem o tipo de garota que vai aceitar só porque eu sou o cara mais popular do colégio
   - Não quero ofender a garota que você gosta, mas sim, eu acho que ela é oferecida o suficiente para ficar com um cara só porque ele é popular, ela é idiota, metida e só se importa com ela, sem ofensas, mas você sabe o que eu penso de meninas assim
   - Ailie, não seja tão dura consigo mesma! Você não é nem um pouco popular, está longe de ser idiota, nem de longe você é metida e... Tá, a última parte eu concordo, mas só um pouquinho - Só depois de alguns segundos assimilando o que ele disse eu consegui entender, eu olhei nos olhos dele de novo
   - Sério?
   - Bem, você é meio egoísta, mas...
   - Não, sério que você também gosta de mim?
   - Você gosta?
   - Gosto, mas eu não sou amiga da Brenda...
   - Eu sei, só queria te irritar. - Eu dei um empurrãozinho fraco nele e começamos a rir - Mas, eu quero saber... Eu não quero passar o resto dos meus dias sem ver você, principalmente hoje, que descobrimos que gostamos um do outro, eu soube que a Edna te convidou para sair da cidade.
Tantas vezes que eu pensei em fugir de casa
pensando que fugiria com uma maleta de
couro ou bolsas de adulto, mas fui com
mochilas de criança, do KND, Wall-e, e
Tinker Bell...
   - Eu sei, eu disse a ela que ia pensar, não quero ficar sem ver você também, mas faria de tudo para me afastar da minha família, e acho que eu estou com medo...
   - Medo de que?? Espera, agora eu fiquei super confuso. Você vai fugir com a gente ou não? - Com a gente? Então ele ia com ela!! Essa idéia de fuga estava começando a melhorar
   - Entra no trailer antes que os meus pais percebam a minha ausência!
   Ele me ajudou a carregar minhas mochilas, a Edna levou os legumes para dentro do trailer e colocou na mesinha de centro para  agente comer
   - Edna, a Aillie topou - Contou o Willie
   - Sério?
   - Sério - Respondi
   - Vamos lá! - Ela pegou todas as coisas que estavam do lado de fora, que a essa altura do campeonato, era apenas a churrasqueira portátil, fechou a porta do trailer, se direcionou ao volante e começou a dirigir. Algumas horas depois, estávamos na estrada, eu havia mandado uma mensagem de texto para a minha mãe explicando tudo, agora eu estava na janela do trailer, olhando a paisagem quando o Willie segurou minha cintura por trás e apoiou o rosto no meu ombro, e para estragar tudo, a munha mãe ligou, mas quando fui atender, não era a minha mãe...
   - Alô?
   - Olá, sou da editora para a qual você enviou o livro "A deusa", você não seria Aillie Brack Manson?
   - Sim
Meu celular, mas quem está segurando é uma
amiga de Glasgow...
   - O seu livro é fantástico, só isso que eu gostaria de dizer. Muito provavelmente será o próximo grande best-seller mundial dessa geração, pequena. sabe o que isso significa?
   - Que eu vou ser uma adolescente que escreveu um best-seller?
   - Uma das primeiras! - O Willie estava fazendo carinho no meu cabelo e isso estava fazendo cosquinhas - E sabe do que mais garota?
   - O que?
   - Você vai ser milionária!! Sabe quem eu sou? Não perca tempo enchendo sua cabecinha criativa com nomes! Eu sou um dos sócios dessa editora e sabe por que estou ligando para você enquanto podia estar curtindo a minha mansão agora?
   - Porque o senhor é muito gente boa, talvez?
   - Não, eu não sou! Sabe por que eu nunca ligo pessoalmente para as pessoas? Porque eu tenho empregados que faças isso, e mais: Meus empregados têm empregados que façam isso! Porque eu odeio falar no telefone! Porque sou milionário Logo eu nunca ligo pessoalmente para alguém! - Eu estava começando a achar que o dinheiro estava deixando ele meio lé-lé... - Mas você é diferente! O seu livro é tão bom, mas é tão bom, que eu insisti que meu mordomo comprasse um sexto iphone para mim, só para eu ligar para a maior escritora de sua geração!! Só preciso que confirme seu endereço
   - Bem... Eu fugi de casa... Hoje, então, tecnicamente, o meu endereço é a estrada por enquanto, mas assim que chegarmos à algum lugar para ficar, eu te ligo de volta e digo onde moro, não vai se importar de falar no telefone de novo não é?
Imagina só como ficariamos fofos juntos
numa floresta em Path *--*
   - Bem, se for com você, Aillie, é claro que não! Bom, está fugindo de casa, hein, sua danadinha? É, eu me lembro quando fugi de casa, eu estava na quarta série, os meus pais queriam que eu comesse legumes aí eu cansei daqueles manés, peguei minha bicicleta e saí de casa para nunca mais! Aí eu fiquei milionário e logo você vai ficar também! Sabe, mansões na praia, mordomos com mordomos que atendem celulares e falam por você, banheiras de hidromassagem e... Bem, Aillie, vou ter que ir agora, não esqueça de me ligar ao chegar em casa, ouviu?
   - Claro. - Eu desliguei o celular, cansada de tanto ouvir ele falando, ele falava muito rápido, dava até vontade de descansar depois, mas não importava, pois agora eu estava com a minha melhor amiga no volante, o namorado mais lindo do mundo abraçado comigo e uma bela grana para mim, pronta para ser gasta assim que chegar, mesmo que eu continue com o meu estilo de vida simples.




FIM.

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