21/10/2011

Enchantment - A trapaça

   Dias depois daquele se passaram e eu ligava para a minha mãe e sempre dava um motivo para não voltar para casa... Mas o meu aniversário seria dali a três DIAS, e a maldição não havia sido retirada
Meu celular
   - Ethan, eu não consigo! - Falei enquanto estávamos sentados no pé da árvore
   - O que você não consegue?
   - O meu aniversário vai ser daqui a três dias, eu não vou conseguir cumprir a promessa, não posso aparecer lá assim, eu não sei como as pessoas vão reagir, eu estou completamente fora do normal!
   - Você não tem que parecer bonita para eles.
   - Mas eu também não estou bonita pra mim...
   - Por que?
   - Porque... - Eu percebi então, que só não me achava bonita porque sabia que os outros não iam me achar, virei para trás e me olhei de novo no lago... Eu sorri e disse - Porque eles vão me achar feia
   - Você não tem que se sentir limitada aos padrões deles, sabia? Você está bonita, você está linda assim! Não tem que se limitar a nada que eles determinem, quem são eles para te julgarem?
   - Eu não sei, eles... Eles são importantes - Ele me segurou pelos ombros
   - São apenas pessoas - Aquilo estava me incomodando, eu me controlava, mas logo eu começaria a fazer aquele som de gato estressado... Ele largou o meu braço no momento eu que eu o faria, fiquei aliviada
   - Eu sei, mas eles podem me julgar
   - Só tem uma pessoa que tem direito a te julgar: Você. Você acha que está bonita?
   - É estranho, mas... Acho sim
   - Então pronto, você está - Eu sorri - Sabe o que eu pensei?
   - O que?
Olhei meu reflexo nesse lago
   - Você tem que encontrar uma pessoa que goste de você assim, certo? Você precisa encontrar a sua alma gêmea, né?
   - Bom... É, se eu quero desfazer a maldição, sim
   - Eu vou fazer isso, vamos ficar juntos e todos vão saber na sua festa, mas você tem que aparecer lá - Sempre esteve mais do que óbvio que ele gostava de mim, mas ele dizer aquilo naquela hora foi tão emocionante quanto seria se eu não tivesse idéia do que ele sente por mim
   - Não vou aparecer antes da meia noite, ainda não quero aparecer lá assim...
   - Vamos! Você não precisa disso
   - Preciso sim, por favor, eu só vou aparecer à meia noite, não vou aparecer na frente de todos os meus amigos e parentes com asas no lugar dos braços
   - Tá certo, mas agora tenho que ir, até a festa
   Ele sorriu, se levantou e foi embora.

                                                                  Dia da festa
   Havia chegado, finalmente, o dia que eu tanto esperava: A minha festa de 15 anos, estava escuro e eu estava esperando que a meia-noite chegasse para ir à minha festa
   - Daphnie, Daphnie!! - Berrou a Emily pousando ao meu lado - Na sua festa... Aconteceu de novo! A filha do mago está fingindo ser você, você tem que parar isso antes que morra!!
   - Morrer??
   - Eu esqueci de aisar que se não encontrar a sua alma gêmea até o seu próximo aniversário você morre!
   - NÃO! NÃO POSSO APARECER NA MINHA PRÓPRIA FESTA DE 15 ANOS PARECENDO UM PATO!!! NÃO POSSO, SIMPLESMENTE NÃO POSSO!!
   - Daphnie, você deve! Tem que mostrar para ele que aquela não é você!
   - Vou ligar para ele - Peguei meu celular, mas ela pôs a mão em cima da minha para me impedir
   - Não, ele está sob o encantamento dela! Não vai te ouvir!
   - Então eu... Eu... Ah! Não sei!! Como eu faço para chegar lá a tempo??
O salão da minha festa
   - Vamos voar
   - Eu não sei voar!
   - Você tem asas no lugar dos braços!
   - Quer dizer que esse tempo todo eu podia voar e você não me contou??
   - Não há tempo, bata as asas!
   Eu peguei a arma do Ethan, que ele tinha deixado comigo, comecei a bater as asas e logo estava no alto, podia ver perfeitamente a cidade, fui em direção ao local onde seria a minha festa, estava acontecendo, fui mais rápido ainda em direção àquele lugar, abaixei um pouco e passei pela porta, pousei no topo da escada da entrada, todos me encararam, a garota estava na minha forma humana, eram 23:57
   - Ela não é a Daphnie - Berrei apontando a arma para ela - Eu sou!!! Ethan sou eu, a Daphnie! Ainda não é meia noite, ainda dá tempo, ela não sou eu, Ethan! ELA NÃO SOU EU!!
   - Daphne - Ele se afastou calmamente da menina - Eu sei que ela não é você, e jamais ficaria com ela - Eu sorri, abaixando a arma
A filhinha do mago
   - Afinal - A imagem do Ethan havia se transformado num idoso com roupas longas e uma capa escura acompanhados de uma bengala - Ela é minha filha - Sua voz havia mudado, o seu jeito havia mudado, meu coração se partia em mil pedaços, em seguida o colar fez o mesmo, uma vontade de chorar maior que as roupas do mago me invadiu, mas maior que isso era a necessidade que eu tinha de exterminá-lo antes que causasse qualquer outro estrago, mesmo que eu morresse...
   - Mate-o, Daphnie! Mate-o e a maldição será retirada - Disse a Emily do meu lado
   Eu apontei a arma para ele e atirei, mas ele desviou e abala acertou sua filha, que logo se transformou na menininha loira e pequena de olhos azuis que eu havia visto antes
   - PAPAI!! - Ela berrou se acabando de chorar - NÃO ME DEIXE MORRER, PAPAI!!
   - Cale essa boca inútil, Safira!! - Ele apontou a mão para ela e lhe lançou um raio verde que a atirou na parede e a matou de vez, depois virou para mim e falou - Onze e cinquenta e oito... Como todos sabemos que a senhorita já vai morrer, Daphnie, deixe-me explicar a minha maravilhosa trama: - Nesse momento me perguntei por que todo estavam parados, até que notei que haviam virado pedras e estávamos de volta na floresta, com todas as estátuas... Parecia um cemitério - Eu e minha filha concordamos que tínhamos que nos vingar da Odette de algum jeito pelo maldito noivo dela quase ter me matado! Armamos para garantir que a tonta da Emily visse a gente e te trouxesse aqui... Que tolas vocês!! HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA. Aqui está a sua querida tataravó: Ela irá presenciar a sua morte! E CONTINUAR PRESA!!! - Ele riu e abriu entre suas mãos um tipo de bolha que mostrava a minha tataravó Odette presa numa jaula em uma mansão
   - Daphnie? Daphnie?? - Ela gritava, ela tinha uma aparência jovem, mas a sua voz era a de uma idosa, nós nem nos conhecíamos, como ela sabia de mim??
   - Ops! Onze e cinquenta e nove! Tic-tac tic-tac, como eu amo o som do meu reloginho de pulso! - "Mate-o, Daphnie, mate-o e a maldição será retirada..." Eu ainda ouvia a voz dela na minha cabeça, só então percebi que meu colar havia perdido o brilho, normalmente eu não faria isso, não entendi o porquê na hora, mas arranquei-o do pescoço e joguei no mago enquanto ele estava distraído, no momento em que a pedra do colar tocou a pele dele, ela começou a rachar, a expressão de prazer sumiu do rosto dele e tudo o que eu consegui ouvir antes de sua morte foi "Meia-noite". Então chegou a minha vez, comecei a sentir falta de ar, com todos petrificados ao meu redor, eu não entendia o que estava acontecendo! Eu o havia matado!! Mas não dá mais tempo de pensar! Tudo ficou preto.

Nenhum comentário:

Postar um comentário