09/10/2011

Enchantment

Minha festa de 15 anos seria dali a três semanas, eu estava muito ansiosa, havíamos preparado os mínimos detalhes! A festa ia ficar maravilhosa, principalmente porque a minha família tinha muito dinheiro. Eu estava na minha casa de campo, porque o cara que estava ajudando a minha mãe a organizar tudo na festa morava ali perto, se nome era Jeffrey e ele era um pouco escandaloso, bastante esquisito
Nossa casa de campo

— Ai querida! A sua festa vai ficar um arraso de fantabulosidade! - Ele falou dando um pulo e batendo palminhas como uma garotinha mimada
— Fantabulosidade? - Perguntei levantando uma das sobrancelhas
— Sim, amor, significa que vai ficar fabuloso!
— Nossa então não seria fabulosidade?
— Não, amor! A palavra fantabulosidade da um ar tão mais alegra a situação! Até a minha mulher concordou! – É isso o que me assusta, ele é assim, mas estranhamente ele não é gay... Conheço a mulher dele! Caitleen, o nome dela. Então se percebe que realmente devem existir ‘homens fêmea’ no mundo. São homens afeminados, mas que não são homossexuais, o que me deixa chocada às vezes, mas o Jeffrey é legal.
— Ah... Então ta... Se até ela concordou... Não vou questionar. Mas eu preciso tomar um ar, passamos a manhã toda planejando essa festa, eu vou relaxar um pouquinho, andar de bicicleta, eu volto mais tarde, ok?
Minha bicicleta
— Ah, tudo bem, querida! – Falou a minha mãe ainda escrevendo alguma coisa na mesa – Podemos terminar sozinhos. Pode sair, curte a sua tarde, porque já estamos nessa casa há três dias e você não saiu um segundo para tomar um solzinho, então, até as seis!
— Bem... Até as seis! – Eu ia passar só alguns minutos no parque, mas a minha mãe insistiu que eu ficasse mais tempo, o que eu poderia fazer? Dizer não? Ta legal, eu poderia fazer isso... Mas não queria.
Peguei a minha bicicleta, sai pelo portão e fui até o parque, lá era legal, o único lugar em que eu podia ir e que a natureza predominava! Só tinha uma coisa ruim: Caça. Exatamente, naquele lugar não tinham leis contra caça de animais inocentes! Eu não agüentava ouvir os tiros e em seguida os gritos desesperados de agonia de animais sendo cruelmente mortos por mera diversão. Enquanto pensava nisso, vi um grupo de garotos da minha idade, caminhando em direção a floresta que ficava perto de onde eu estava com a bicicleta, com armas, provavelmente de seus avôs, da época em que eles caçavam animais por diversão em qualquer lugar. Como aquilo me irritava! Pedalei rapidamente e parei de lado na frente de todos eles
Eu e meu gato
— O que vocês pensam que estão fazendo??
— Indo caçar, ou estaríamos se você não tivesse cortado o nosso caminho, da licença? – Falou um menino com o cabelo castanho e os olhos verdes, ele usava aparelho também e uma camiseta branca com uma camisa xadrez aberta por cima, acompanhadas de uma calca jeans velha e sapatos acabados
— Escuta, primeiramente, eu gostaria de dizer que isso é a atividade de entretenimento mais sem graça que já foi inventada pelo homem e segundo, mas não menos importante, eu gostaria de dizer que animais inocentes como cisnes, patos, esquilos e outros bichos não merecem ter o maldito fim que vocês estão dando a eles!
— Que graça, nós estamos aqui na presença de uma menina ecologicamente correta – Ele fez uma cara de ai-que-saco e deu a volta na minha bicicleta, direcionando-se a floresta, eu a larguei no chão e corri para frente deles
Eu AMO cisnes e outras aves!
— Escutem vocês não podem fazer isso! Pensem bem! Sabemos que os animais têm sentimentos sim, isso é inegável! Imagine só se...
— Olha aqui, garota – Ele falou agarrando o meu braço – Eu vim aqui pra caçar um pouco, e não para ouvir sermão de uma chata tagarela – Nessa hora eu fiquei com tanta raiva que fiz uma coisa que a minha mãe havia me ensinado quando eu tinha sete anos, sempre achei que seria inútil e que nunca ia precisar disso, mas agora eu havia entendido o valor de um golpe de alguma luta chata que eu não me lembro o nome... Eu já estava tão acostumada com aquilo que nem sei direito como fiz, só sei que estava torcendo o braço dele, segurando para a sua cabeça não bater no chão pelo cabelo e ele quase não conseguia soltar um gemido de tão contorcido que estava
— E então... Vou poder ser ouvida agora? – Ele respondeu alguma coisa como “Aaak” Mas eu resolvi entender como um sim, o larguei no chão e voltei a falar – Gente, é o seguinte, eu sei que a família do animal não vai começar a chorar histericamente e nem montar um enterrozinho para ele com paus e pedras, mas pensem bem, pensem numa mamãe procurando o seu filhotinho desesperadamente! Mas ela NUNCA o encontra!! Porque ele foi morto, por vocês! Ou... Ou imagine um filhotinho de algum animal procurando a sua mamãe, porque precisa de comida, precisa aprender a sobreviver e está procurando a sua mamãe sumida! Ele só não sabe que ela morreu também!
— Os outros animais não caçam também?
Também tinha uma garota no grupo e ela
estava com... Bem, um desses '-'
— Mas eles caçam porque precisam!! Eles caçam para comer!
— Esta dizendo que a gente vai ter que comer o...
— Não, eu não estou dizendo isso! Vocês entenderam o que eu disse! Vocês não podem caçar porque já tem comida em casa!!
— Quer saber? Você não vai fazer a gente não caçar, a gente veio aqui pra isso! Então vamos caçar sim! – Ele, junto com todos os outros meninos, correu na direção da floresta, em poucos segundos, eles se espalharam e desapareceram em meio às arvores
Eu havia desistido completamente, sabia que não os ia convencer a nada, ate que um pássaro passou há alguns metros da minha cabeça, um pássaro estranhamente lindo, era diferente de todos que eu já tinha visto, e eu amo pássaros, sei tudo sobre eles e conheço quase todas as espécies! Mas aquele era diferente de todos que eu já vira em toda a minha existência! Ele fazia o som de uma águia careca, tinha o corpo amarelado, uma longa cauda com penas compridas e roxas, em vários tons... Lilás, violeta e muitos outros... Sua cabeça ainda tinha penas amarelas, mas suas asas tinham penas igualmente longas e roxas, mas apenas na ponta, Os seus olhos vermelhos quase cintilantes pareciam me encarar do alto. Eu, com certeza não poderia deixar que 
Eu realmente AMO pássaros!
matassem aquele pássaro, devia ser uma espécie em extinção! Corri para a floresta, seguindo-o. Por todos os lugares que eu passasse eu via os meninos que estavam caçando! Eles estavam escondidos em moitas, atrás de arvores, mas era como se eu soubesse onde cada um deles estava, como se eu pudesse saber onde eles estavam do mesmo jeito que aquele pássaro podia: Como se eu os tivesse visto do alto, eu acompanhava aquela ave, olhando para ela e para onde ela estava voando e correndo quase que em baixo dela! Finalmente o pássaro pousa num galho de uma arvore ali perto “Ufa” Pensei, mas não era ‘ufa’, aquilo não era um alivio porque enquanto o pássaro repousava sobre aquele galho, o garoto com o qual eu havia me desentendido estava prestes a atirar com sua arma pré-histórica nele
— NÃO!!! Não faça isso!!! – Eu pulei em cima dele
— Vem cá, qual o seu pro... – Ele levantou a cabeça e olhou pra mim – Ah, é você! Agora eu quase entendi o porquê desse ataque de guerra!
Foi essa a floresta
— Olha, por mais que eu seja contra caça, não vou te impedir de caçar, só não atire no pássaro roxo – Eu saí de cima dele e ficamos sentados de frente um para o outro, eu olhei com seriedade nos olhos dele – É, serio... Aquele pode ser um espécime em extinção! Atire em quem você quiser, mas, por favor, deixe aquele pássaro sair livre dessa, só dessa vez, tenha o mínimo de decência! – Ele ficou olhando para a minha cara com um olhar MUITO perdido, parecia até um zumbi, eu estalei os dedos na testa dele umas três ou quatro vezes
— Ah... – Ele finalmente acordou – Eu... É... Ta... T... Ta bom.
— Otimo! – Mas assim que olhei para cima o pássaro havia voltado a voar, eu corri atrás dele que nem uma maluca – Ei! Volta aqui! – Eu não entendia porque eu estava falando com aquela ave, mas depois de correr tanto que nem as minhas pernas agüentavam mais, eu parei, também já havia perdido o pássaro de vista, mas comecei a ouvir uma musica o que era extremamente esquisito naquele lugar... O meio da floresta
Era essa a menina assustadoramente maluca
— Fique longe!! – Berrou uma menina com cabelo castanho e encaracolado, olhos azuis e um vestido branco com algumas faixas lilás claro – Você é filha da Leea! Você é a filha dela!! Fique longe! Se afaste da musica! Se você for enfeitiçada como a sua bisavó eu não vou poder interferir!!
— Como a minha bisavó? Garota a minha bisavó morreu a anos! E do que você está falando? Quer saber? Eu não tenho tempo, tenho que procurar um espécime em extinção.
— Não! A sua bisavó chamava-se Odette!
— Como sabe o nome da minha bisavó?
— Ela tinha 24 anos na época... O Mago Rothbart a enfeitiçou, a transformou num cisne, o feitiço só seria retirado se alguém jurasse amor eterno a ela e um dia... O príncipe se apaixonou por ela. Eles iriam se casar em tão pouco tempo, tão pouco... Mas o mago o enganou, a filha dele se disfarçou, fingiu ser a Odette, mas quando ele percebeu já era muito tarde! A Odette havia se suicidado! Todos conhecem essa historia o que não sabem é que a Odette já estava comprometida com um homem que ela não amava e havia tido 
Ja vi muitas pinturas antigas da minha bisavó
Odette, ela era DIVA
uma filha com ele... Essa infeliz historia poderia ocorrer com uma descendente dela de novo, então eu sobrevôo a área todos os dias para garantir que nenhuma jovem ingênua entre na floresta e acabe sofrendo a vingança da filha do mago, pois ele foi morto pouco depois, mas o que eu esqueci, é que só a descendente da Odette pode me ver, e ela é você! 
— E se eu disser... Que não acredito na sua historia? – A musica continuou tocando, estava tocando “O Lago dos Cisnes” Então já era possível deduzir de onde ela estava tirando aquela historia patética! Eu continuei seguindo a musica...
— Você não pode continuar aqui!! SAIA DESSA FLORESTA SAIA JÁ!!
— Você não manda em mim!! – Ela parou de me seguir, a musica ia ficando mais e mais alta, até que eu olhei por trás de uma arvore. Havia uma menininha loira, com o olhar baixo, cabelo liso e enroladinho nas pontas, ela estava sentada numa velha cadeira de balanço no meio de um monte de destroços de uma casa que provavelmente havia sido queimada, a musica estava vindo de um daqueles tocadores de som antigos, que pareciam que tinham tipo um mega-fone dourado em cima, não sei o nome daquilo, cheguei mais perto, a garotinha desligou a musica
A menininha juntava as maos e começava a
gesticular e explicar cada detalhe de seu ponto
de vista como se fosse uma profissional no
assunto, me assustou
— O lago dos cisnes – Ela disse – Você gosta?
— Bem... É uma bela musica, não?
— Certamente que sim, mas não falo da musica. Da historia de um mago que enfeitiça uma jovem egocêntrica transformando-a em um cisne, e tristemente é morto pelo marido da jovem, que não sabia que estava sendo traído, que não tinha idéia de que aquela louca o estava traindo com um príncipe, um triste final, mas que deixa a desejar, não acha?
— Um pouco... – Quanto mais aquela garotinha falava, mais eu acreditava na historia e mais eu desejava que a maluca do vestido branco estivesse me seguindo...
— Mas e a filha dela? Ela deixa muitos descendentes tolos por aí... Descendentes tolos que entram em florestas que não deviam – Ela se levantou, e me pareceu muito mais ameaçadora do que uma menininha de quatro anos deveria parecer. Ela estendeu a mão e me lançou algum tipo de feitiço... Eu não entendia... Não sabia o que estava acontecendo, tudo havia ficado preto de repente
E tudo o que eu via era uma fumaça cinza...

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