01/10/2011

War III

   Comecei a caminhar, acompanhando-os, caminhamos por todo aquele cenário macabro de filme de ficção científica, andamos até as nossas pernas começarem a tremer de dor, a comida havia acabado, paramos encostadas numa espécie de cerca, como uma grade ou sei lá, do outro lado haviam uns caras, um deles estava sentado no teto de uma caminhonete com uma metralhadora em mãos, usava um chapéu de caowboy, tinha cabelos loiros, longos e uma barba cerrada, estava com uma jaqueta e um palito de dente na boca, o segundo estava fumando um cigarro, sentado no capô da caminhonete, tinha cabelo preto, curto e estava com uma camisa preta e calça jeans, tinha cara de asiático e o terceiro e último, tinha cabelo encaracolado e ruivo, era meio gordo, e estava com uma blusa que há muitos anos devia ser branca e um bermudão preto, ele estava sentado na mala da caminhonete comendo uma asinha de frango, notei que o meu pai havia ido falar com eles
   - Olá, vocês têm comida aí? - Eles riram, só então notei que havia uma casa ali próximo, ou quase uma casa, parecia mais uma base militar destroçada
   - Não pra você, cara - Falou o asiático
   - Eu estou a fim de comprar de vocês - Ele retirou uma nota de cem dólares do bolso "Papai, não faça isso! São cem dólares, e o máximo que eles vão te dar é uma maçã ou o resto da asinha de frango do cara"
   - Cara, dinheiro não vale mais absolutamente nada, é papel, não dá pra se proteger com isso! - Falou o gordo, o único que não falava era o cowboy
   - Tá legal, escutem: Logo logo os metais preciosos vão começar a valer muito mais, como era antigamente, vocês sabem de alguma coisa que se aprende na escola ou estavam muito ocupados matando aula para saber como era antigamente?
A menina que mais parecia um tio parecia
gostar de biscoitos... Cheguei a pensar que nos
podíamos atrair ela para uma armadilha mortal
usando apenas cookies como isca, mas desisti
   - Boa, velho - O cowboy disse, mas não era um homem e sim uma mulher, a barba cerrada eram sobras de biscoitos, que ela, em seguida, limpou. Calmamente, saiu do teto da caminhonete e começou a inspecionar meu pai - Fala aí, eu gostei da sua corrente - Era uma corrente de ouro que o vovô havia dado para ele, está nessa família a gerações
   - E o anel? - Ele tirou a aliança - Pode ficar com isso
   - Depende, esse chapeuzinho aí - Ela colocou o cano da metralhadora na aba do chapéu do uniforme de meu pai - Até que cairia bem para proteger um dos meus primos patetas - O gordo acenou - Ele é sensível ao sol e eu não vou dar o meu chapéu pra ele, mas agora ele não para de reclamar que as bochechas dele estão doendo, então entrega aí - O meu pai tirou o anel e depois entregou o chapéu para ela, depois a garota caminhou até a caminhonete e tirou um pacote de cookies e uma garrafinha d'água lá de dentro
   - Não pode me dar um pouco mais de água, eu estou com duas filhas...
Eh... Garrafinhas de água passaram a valer mais
que mansões na praia...
   - Temos cara de donos de loja de conveniência? Isso já é um quarto do que temos, tem sorte de termos lhe dado, agora cai fora daqui, nós dominamos toda essa base abandonada, então dê o fora e não teremos problemas
   - Tudo bem, obrigado. - Ele saiu de perto deles, tirou o sapato e foi caminhando para longe de nós, nos deixando lá, sozinhas. Não entendi o que havia acontecido, esperei o grupo adentrar  a caminhonete e quando o fizeram, foram cochilar lá dentro
   - Vem, vamos seguir o papai! - Falei para a Karey, mas quando olhei para ela ela estava chorando desesperadamente - O que foi?
   - A mamãe foi morta e agora o papai nos deixou aqui para apodrecer!!!
   - Karey, para de gritar!
   - Mas a gente vai morrer!!
   - Se você não calar a boca vamos mesmo! Agora shhh!
As pegadas dele estavam bem nítidas no chao
   Eu caminhei, seguindo asa pegadas dele pelo lado da cerca, minhas pernas doíam, tremiam de dor, mas eu não parei e muito menos deixei a Karey parar, continuei seguindo até uma parte da grade que estava rasgada, as pegadas do papai entravam ali, eu as segui, mas a Karey hesitou a entrar pela grade
   - Bella, é melhor a gente não entrar aí, eles não vão gostar disso e...
   - Escuta aqui, você pode até querer deixar o papai aí pra morrer, mas eu vou lá buscá-lo!!
   Continuei seguindo as pegadas com a Karey atrás de mim, depois de andarmos um pouco, chegamos perto de um compartimento completamente aberto, cheio de comida encaixotada, o nosso pai estava la, roubando a comida deles, cara esperto... Muito esperto. Ou era o que eu pensava, quando um homem armado foi na direção dele
   - Pensei que a patroa tinha dito para você cair fora! - Ele disse, tinha uma voz grossa e parecia violento, o papai esticou seu braço com sua arma e disse
   - você nao quer briga comigo, eu sou policial, sei usar essa belezinha, e mais: - Antes que ele pudesse terminar um disparo foi ouvido e meu pai foi ao chao com sua cabeça ensanguentada, outro havia chegado por tras sem que ele notasse, ele atirou no meu pai, espantando de la um camundongo, que correu e correu, a Karey começou a chorar desesperadamente, como se fosse morrer, eu, estranhamente nao consegui sentir nada, de novo... Acho que eu era ma por natureza... Algo me induzia a sentir indiferença quando presenciasse a morte dos meus familiares e eu odiava isso! Porque todos me achariam fria e seca, dura e maligna... Eu nao gostava nada disso
   - O que estao fazendo aqui? A Lilly nao permitiu sua entrada! Terei de exigir que saiam agora se quiserem sobreviver! - Disse grosseiramente outro homem armado
O senhor Giggles Mickey Jackson Terceiro
no meu colo, ele era muito fofo e dócil :}


   - Ah, me desculpe... - Disse a Karey enxugando as lagrimas dramaticamente do rosto
   - é que nós nos perdemos do nosso... - Vi o ratinho de aproximando e se apoiando no meu tênis, olhava para mim e em seguida, para as redondezas - Camundongo! - Peguei o ratinho antes que ele pudesse reagir - O nome dele é... Senhor... Senhor Giggles Mickey Jackson Terceiro... é. E... Viemos procura-lo porque... Ele veio nessa direcao... Mas ja estamos saindo e nao queremos problema com a sua chefe - Eu sai correndo de costas rezando para que ele nao atirasse em nos, a Karey estava chorando histericamente. Mas tivemos que continuar nossa caminhada, mais a frente estávamos avistando uma fazenda, ou seria uma aldeia... Nao sabíamos, precisávamos chegar la, pedir ajuda e rezar para que fossem boas pessoas e alimentassem a nos duas, ou melhor: A nos tres, porque agora tínhamos os Senhor Giggles Mickey Jackson terceiro, sem nem ao menos termos o segundo, sem nem ao menos termos o primeiro


Continua

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