| Jullieth |
| Angele |
Alguém aproximou-se dela enquanto ela encarava o céu azul, ela olhou para quem quer que fosse: Uma menina que aparentava estar por volta de seus 14 anos, alta, cabelos lisos e negros que iam até suas costas, olhos verdes e um batom vermelho escuro, tão escuro que podia ser confundido com marrom ou até preto, mas era vermelho, ela se inclinou ao lado de sua cadeira e, antes que Jullieth pudesse questionar, ela disse:
- Sou a Angele, vou te ajudar - Aquela menina tão estranha, que falava com uma voz quase mórbida... Jullieth quase estremeceu de medo, a criaturinha havia aparecido tão de repente... Talvez fosse só mais um de seus amigos imaginários que apareciam e desapareciam o tempo inteiro...
- Eu não te conheço...
- Serei sua amiga. - Ela falou friamente e depois sorriu, assustando a mulher
- Sou a Julli...
- Eu sei - A garota disse no mesmo tom sem deixá-la terminar a apresentação - Levanta e vamos dar uma volta no campo de flores lá fora, o dia está lindo, não?
- Mas eu não consigo! Eu não posso mexer as pernas e... - Jullieth arregalou os olhos ao ver que podia mover o dedo mínimo do pé direito, em seguida moveu os outros dedos, olhou apavorada para a Angele, que mantinha sobre ela um frio sorriso com o mesmo olhar parado do começo da conversa - O que é isso? - Ela apoiou firme os pés no chão e tentou andar, em seu primeiro vacilante passo, caiu ao chão, Angele a ajudou a levantar e depois a conduziu, a ajudando a andar devagarinho, pouco a pouco Jullieth já havia dado dez passos sem cair... Uma mulher que estava levando um chá para um homem na mesma sala que ela, a viu andando com a ajuda da garotinha Angele...
- Santo Cristo!! - Ela berrou derrubando a bandeja com tudo em cima, deixando que caíssem e quebrassem no chão. A mulher saiu correndo e poucos minutos depois voltou... Com mais vinte e cinco pessoas atrás dela, encarando Jullieth, isso a apavorou, ela soltou as mãos da Angele e ficou parada, em pé, olhando para todos sem saber o que fazer, esperava não ser perturbada por nada em sua cabeça que a ordenasse que atacasse alguém - Eu disse, eu lhes disse! - Falou a mulher olhando para todos - A Jullieth Taylor estava andando sozinha, vacilante e aqui mesmo! Neste chão! - Todos a aplaudiram
| Gisele |
- Mas eu não estava andando sozinha... Eu... Foi a Angele! - Ela apontou para o lado, mas nada Gisele via, com todas aquelas pessoas atrás dela e podia ouvir cada uma murmurar que não havia nada ali, ou gemer com decepção... - Mas... - Dizia a menina mais uma vez, Gisele era incapaz de entender o que ela dissera, então apenas sorriu, aproximou-se da jovem menina e disse
- Estamos todos muito felizes por você ter conseguido andar, Deus finalmente lhe abençoou com essa dádiva - E a abraçou, Jullieth ficou um tanto confusa com essa repentina demonstração de afeto, vinda da Gisele, que apenas fazia o que lhe mandassem lá. E nunca, nunca em sua vida demonstrara afeto à ninguém
- Ela - começou a falar a Angele por trás da moça - Esta mulher é casada com um homem que está internado aqui...
- Hum? - Jullieth queria saber porque diabos Angele havia dito aquilo... Não acrescentava nada à ela
- E eles se amam mais que tudo, mas ele está morrendo, não há mais cura para o que ele tem - Ela continuava com uma expressão interrogativa... Que boba, ela - Diga apenas que sabe o que o marido dela tem, e que reza por melhoras dele
- O que?
- O que foi, querida? - Perguntou a Gisele, com lágrimas nos olhos
- O que a Angele disse não fez sentido - A menina fez um gesto para que ela dissesse o que ela mandou - Mas esquece isso, eu tenho uma coisa à dizer... Eu sei o que o seu marido tem e... Espero que ele melhore, realmente queria que ele melhorasse disso, mesmo que não haja mais cura...
- Você é uma boa menina, Jullieth - Ela a abraçou de novo, a sala já estava quase deserta, não tinha quase ninguém ali, vai ver cansaram de ver o milagre, que não foi um milagre, foi a mágica da menininha... A Angele - Uma boa menina - Ela repetiu chorando... A Jullieth olhou para a sua cadeira ficou feliz em ver que ela estava vazia
Finalmente a mulher gorda e ruiva que trabalhava na cozinha soltou a moça da Angele, agora ela poderia levá-la para correr... Para pular e caminhar... Por enquanto. Gisele saiu da sala, comovida com tudo aquilo, ainda em prantos e fungando pelo nariz... Fechou a porta
- Agora tente andar sozinha - Disse a Angele
E Jullieth caminhava pela sala, com seus passos vacilantes, mas pôde rodá-la toda, caminhar de um lado para o outro, contando cada um dos 163 passos que deu... Tudo aquilo estava alegrando Angele, ela estava muito feliz em ver o começo de tudo de novo, seus benefícios seriam maiores dessa vez...
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