- Digamos apenas - Angele sorriu - Que eu saiba
- Mas como? - Jullieth deu um passo em sua direção, dessa vez, esperando resposta
- Adivinhei
- Eu não acredito em adivinhações! - Ela permanecia séria quanto à isso
- Também não acreditava que podia andar! - Angele levantou uma sobrancelha, Jullieth, então, olhou pra os próprios pés e disse
- Por falar nisso... Tem uma coisa que eu sempre quis fazer
Jullieth correu por todo o corredor de lá, correria o mais rápido que pudesse até chegar ao seu quarto, o quarto que ela era obrigada a dividir todo santo dia com uma menina que pensava o tempo todo que tinham cortado sua barriga, mas não havia um corte sequer nela, mas ela insistia nessa ideia maluca... Afinal, todos lá era um pouco malucos. Chegou ao quarto ansiosa, com seu vestido branco e comprido, já estava encharcado de suor, seu colar de pedras vermelhas parecia pesar uma tonelada em seu pescoço, e suas pulseiras coloridas pareciam cada segundo mais apertadas... Como a Jullieth amava essa sensação! A sensação de correr. Finalmente chegou ao seu quarto, a Catherine, sua colega, estava em cima da cama, gritando apavoradamente, segurando os joelhos e chorando com histeria
| Catherine |
- Jullieth - Disse a Angele em seu ouvido, a garota estava atrás dela e ela nem havia notado, até que tomou esse susto de ouvir sua voz repentinamente, como se a menina tivesse aparecido do nada - Diga à Catherine, que ela vai ficar bem porque nem todas as vassouras podem andar
- O que? - Uma mulher magra como um esqueleto estava sacudindo a Catherine e mandando ela parar com essas ideias de que cortaram a barriga dela - Angele, isso não faz o menor sentido!
- Ela é maluca... Eu sei que vai fazer sentido para ela
- ANGELE! Não é assim! Ela não... Quer dizer... - Jullieth desistiu de argumentar com a Angele ao lembrar que havia corrido até ali... Aquela menininha devia saber o que fazia, ela agarrou o próprio colar e começou a remexê-lo nas mão direita, até que se aproximou da sua amiga que estava quase apanhando da velha e esquálida mulher da limpeza e disse - Eu... Posso tentar ajudá-la? - Ela perguntou timidamente
- Ah, faça o que quiser! Essa garota não tem jeito mesmo! - A mulher saiu do quarto com seu pano de chão nas mãos, apesar de não entender o que a Angele disse, ela olhou pra sua colega e falou
- Fique calma, Catherine, você vai ficar bem, certo?
- Como... Como você pode saber?
- Porque... Nem todas as vassouras podem andar... - Jullieth manteve sua expressão completamente neutra, até que a Catherine sorriu
- É verdade! - Ela não conseguiu entender absolutamente nada! Ficou estranhamente pensativa, não tinha ideia do que havia acabado de acontecer, mas isso a havia ajudado a fortalecer sua relação com sua colega de quarto. Catherine a abraçou e depois saiu do quarto, desviando da Angele, Jullieth pensava que sua amiga fossse atravessar aquela estranha garota de batom, mas ela apenas passou do lado, agora ela jamais saberia se as outras pessoas, não como ela, atravessariam aquela amiga tão esquisita que sorria friamente para ela
- Mas e então - Angele começou caminhando na direção da Jullieth - O que era que você sempre teve vontade de fazer?
Jullieth sorriu, em pouco tempo elas estavam pulando na cama como duas crianças de oito anos, elas riam, a cama já estava toda bagunçada quando a velha moça da limpeza entrou de novo no quarto
- O que você está fazendo aí?
- Nós só estamos... - A Jullieth começou
- Pulando - A Angele parecia enraivada e coberta de seriedade e ódio no olhar em direção à velha
- Eu sei bem o que você está fazendo, Jullietha! Não é só porque o bom Deus te concedeu o privilégio de andar que você pode fazer absolutamente tudo o que quer! Deça dessa cama agora, saia daí, eu vou arrumar! Te aconteceu um milagre e você pensa que é allguém especial? Não é muito mais que só uma maluca aqui dentro
- Não chame ela de maluca!! - A Angele berrava, mas a mulher parecia nem perceber sua existência
Conformada, Jullieth desceu da cama com uma expressão amedrontada, já a Angele, se mostrava com vontade de partir a velha em duas e colocar seu cérebro num pote... Mais uma vez.
Pouco depois de sair do quarto, as duas se entreolharam
- Como você a deixa falar assim com você? - Angele, indignada, finalmente criara naquele rosto uma expressão que não fosse fria ou macabra
- Ah, ela deve estar tendo outro dia ruim... Vem, tem outra coisa nesse prédio que eu sempre quis fazer! Descer as escadas! - Ela desceu a grende escadaria correndo, e a Angele, andava vagarosamente, mas estava logo atrás dela, passaram, as duas meninas, pela Gisele, enquanto corria pela sala. Ela gostava de ver a Jullieth correndo com aquele sorriso no rosto, tocava o seu coração ver um milagre como aquele...
Finalmente Jullieth chega ao lado de fora... Bem, nem tanto, o "Lado de fora" daquele lugar é fechado por quatro muros, mas não tem telhado, ali estava o aparelho de som que sempre fica encostado na parede tocando músicas de balé.
- Isso é o que eu sempre quis - Jullieth olhou para a máquina
- Um aparelho de som?
- Não... Dançar balé!
- Bom, nesse caso - O aparelho ligou sozinho - Dance
Ela jamais pensou que pudesse ser tão boa, ela jamais viu o quanto dançava bem e o quato aprendeu vendo tantas apresentações, ela jamais imaginara que fosse capaz porque todos sempre lhe disseram o contrário. Jullieth dançou até que anoitecesse, quando estava escuri demais para continuar lá, o som desligou
- Angele, você é a melhor amiga que eu poderia querer e esse foi o melhor dia da minha vida - Disse aquela mulher, abraçando sua nova amiga, tão jovem e já tão cheia de poderes milagrosos! Angele a abraçou de volta
- Ah, querida, espero que continue nessa felicidade até amanhã - Ela começou a caminhar de costas e isso assustou um pouco a Jullieth, e enquanto ela ia desaparecendo na escuridão, continuava dizendo - E depois de amanhã, e no dia seguinte, e no dia após esse... - Sua voz se perdeu no eco dentro da casa
Jullieth se assustou com aquela mensagem num tom de voz tão macabro, mas ignorou e se direcionou ao seu quarto.
Chegando lá, sorriu para a Catherine, que agora não gritava mais por terem cortado sua barriga ou não, deitou-se na cama e dormiu... Ela estava tão feliz por finalmente ter feito amigos lá... Ela estava tão feliz por ter conhecido melhor, ou pelomenos falado e visto como as pessoas de lá eram amáveis... A jovem mulher não tinha idéia da grande e maravilhosa surpresa que sua amiga, Angele, estava programando para ela...

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