| Nhac! |
- Eu não sei! Eu estava fugindo dos zumbis, sua porta tava aberta, eu queria me esconder!
- Saia daqui agora!
- Não! - Ela estava chorando mais alto ainda, iria atrair os zumbis todos para a minha casa! - Se me por pra fora eu vou morrer!! - O que seria exatamente como se eu a atacasse, mas assim eu não sugaria cada gota de sangue de suas veias em meu benefício - Eu não sei lutar!! Eu só preciso de um abrigo, eu não tenho casa!! - Eu suspirei desapontada comigo mesma pelo que eu ia fazer, sabendo que seria uma das maiores besteiras da minha vida
- Qual o seu nome? - Perguntei com indiferença
- Laura
| A porta do meu quarto, usei a mesma madeira que foi usada para construir a minha casa, mas só nessa porta '-' |
- Minha nossa! Você não sabe como estou agradecia à você! Qualquer coisa que precise é só pedir, sério! Eu sou muito...
- Cai fora - Bati a porta na cara dela e depois tranquei
- Muito obrigada mesmo, Carmen - A voz dela saía meio abafada pelo outro lado da porta, ela finalmente desceu as escadas e me permitiu respirar ar puro
Sei que pode parecer maldade o modo como eu a tratei, mas eu não fui com a cara dela, eu não gostei dela, pois percebi que ela é bisbilhoteira e entrona. Ainda fui boazinha e a deixei morar na minha casa, sem que isso seja um plano para atacá-la na próxima noite. Eu apenas queria conservar vivo um espécime em extinção e acho que não é pedir demais que ela respeite as regras e não fale comigo, tipo nunca. Eu fui sair pela janela, ela é de madeira e está sempre fechada, por isso às vezes esqueço que ela fica ali, mas é muito útil para sair de casa quando quero caçar animais e passear, antes, resolvi ordená-la:
- Tranca a porta da frente! - Berrei um pouco antes de saltar pela janela
Passeando pela floresta, eu olhava as árvores, gostava de sentir a noite me fortificando, me energizando, gostava de sentir seus ventos frios sobre minha seca pele, nenhum zumbi por perto... "Ótimo" Pensei "Tenho que admitir a mim mesma: Depois dessa epidemia a Transilvânia nunca mais será a mesma... O mundo nunca mais será o mesmo!" Os meus pais haviam me ensinado quando eu era pequena que vampiros não eram bons, e que não era bom ser um vampiro, e para eu não chegar perto deles, mas aos 16 anos eu quis dar uma de adolescente-rebelde-e-super-fodona e virei uma vampira, agora é isso! Tô me fodendo para superar o vício em sangue de gente.
O sol começou a sair vagarosamente, antes que começasse a me queimar, resolvi voltar pra casa, entrei pela própria janela mesmo, deviam ser umas cinco e quarenta da manhã, mas afinal, será que em uma época
| Com certeza não existiam horários, o último relógio do mundo, que muito provavelmente foi o da minha casa, havia parado de funcionar há sei lá, uns três meses... |
***
"Não acredito que fui expulsa da minha própria casa por uma maldita humana!!" Berrei em minha cabeça enquanto saía pela janela sem que a pobre nem notasse a minha ausência. Agora estava acabado, eu me via simplesmente sozinha tendo que sobreviver à tentação de devorar qualquer zumbi que fosse, não sei se isso era possível, mas um medo que sempre me assombrou foi encontrar um dia um zumbi que foi transformado em vampiro também, mesmo que não existisse, e se já existiu foi morto pela luz do sol, eu tinha medo de encontrar um desses, pois seria obrigada a lutar corpo a corpo contra ele e não resistiria a uma gota de seu sangue suculento! Mas ali estava eu, andando pela floresta, com apenas a alça do meu caixão nas mãos, e dentro dele, nada mais que a melhor história já escrita na face da terra, sentimento e pessoas, exatamente, meu livro.
| MEEEEU LIVRO (NHAAAAAAA) |
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