Acordei durante a noite e voltei à minha forma humana e comecei a sacudir a Laura
- Ei, garota! Acorda!! - Ela abriu os olhos espantada
- O que? O que foi??
- Vamos, a gente tem que continuar andando, não vamos ficar aqui durante a noite, esse prédio pode desabar!
Eu desci todos os andares do prédio e depois tive que esperá-la... Humanos são realmente lerdos! Quase tão lerdos quanto os zumbis, mas finalmente ela conseguiu descer as escadas sem que eu precisasse buscá-la "Finalmente" Pensei "Essa pequena mentecapta está começando a me incomodar de verdade". Continuamos o caminho sem dizer uma palavra, no meio dos zumbis eu esmurrava os que tentavam atacá-la por trás, arrancando assim suas cabeças podres e deformadas e as atirando no primeiro obstáculo que viesse e as espatifaria, o que normalmente era a cabeça de outro zumbi, mas às vezes também era um muro ou a parede de um prédio antigo, enquanto isso, ela abria caminho exterminando com a minha estaca de madeira todos os zumbis à nossa frente.
Finalmente chegamos à uma floresta, onde tudo era mais tranquilo... Sem zumbis, sem sangue escorrendo, e sem a Laura suar feito uma porca me fazendo sentir o maldito cheiro de seu sangue
- Está segura. Eu vou procurar um galho pra ficar de cabeça pra baixo essa noite, graças à você, vou ter que dormir como um morcego - Me virei e já ia procurar uma árvore em que eu pudesse ficar, mas ela me segurou pelo braço e disse
- Carmen, por que você me odeia? - Congelei
- Eu... Eu não te odeio...
- É claro que me odeia, tem sido estúpida comigo desde que nos conhecemos!
- Eu só estava irritada porque você entrou na minha casa sem permissão
- E ontem à noite estava sendo má, rabugenta e grosseira de novo!
- Ora, é porque... Eu não estava sendo má!
- Você sabe do que eu estou falando!
- Tá legal, é que eu não gosto de humanos, tá legal? É que os humanos se deixaram virar zumbis, que atraíram os meus amigos a beber o sangue deles e mataram-nos asfixiados, outros humanos ainda impedem que os vampiros parem com o vício no sangue deles querendo ser transformados ou ficar perto do vampiro, a garota se descontrola e quando encontra um zumbi, nem tenta lutar contra essa força...
- Me conta melhor a história
- Estávamos no ano de 1414, bons tempos eram aqueles em que as mulheres eram ditas como bonitas pelo seu sorriso e não pelos seus peitos - Ela riu, não pude evitar de me sentir lisonjeada por ter sido engraçada e sorrir para ela enquanto continuava a minha história - Eu ia fazer 15 anos de idade, achava que já sabia das coisas porque tinha me tornado "gente grande". Então conheci um vampiro, o Vlad, não houve romance, ficamos muito amigos, apenas isso e ele me disse um dia que não poderíamos mais andar juntos se eu ainda fosse humana, porque não se controlava bem e não queria me machucar, então eu disse que ele podia me transformar... Eu pensava até onde eu iria por um amigo... Mas não sabia que minha perspectiva ia mudar por completo à partir daí... Eu não sabia o que era se controlar até descobrir que tinha matado os meus próprios pais. Com o tempo, fui adquirindo auto-controle, mas não o suficiente para parar de beber sangue humano, apenas para me controlar em público... E à medida que fui envelhecendo percebi o quanto os humanos são bobos e quanto valor eles dão a coisas tão inúteis... E quanto valor eles dão às pessoas que morrem, as pessoas vem e vão e eles ainda não entenderam que a morte não é nada... Minha vida ia bem, até que ocorreu o apocalipse zumbi, eu conseguia me controlar enquanto lesse Orgulho e preconceito, ponta a ponta para passar o tempo... Mas, não, percebi isso quando você entrou na minha casa, então admito que te julguei injustamente como burra, aproveitadora, chata e egocêntrica, você não é nada disso, é apenas frágil e fraquinha como qualquer outro humano, mas é com certeza muito amigável.
- Nossa, que... História emocionante a sua... Parece tão legal poder ver as décadas passarem... Sem ter que matar zumbis para sobreviver, sabendo quanto tempo se passou e... Eu nem sei direito a minha idade, os dias e datas quase não existem mais e...
- Mas agora eu quero saber a sua história! - Falei sorrindo
- O que?
- Vai, me conta onde nasceu, como cresceu, você já sabe quase tudo de mim, mas eu não sei absolutamente nada de você
- Bem... Eu nasci no meio desse apocalipse e na hora do parto, a minha mãe foi infectada então o meu pai me criou sozinha, aos seis anos eu tive que aprender a sobreviver sem mais ninguém porque um vampiro matou o meu pai... Então eu fui crescendo nesse ritmo violento, hoje tenho medo de quase tudo, mas não deixo que ele me atrapalhe no que eu tenho que fazer, a minha história é curta, mas é triste, e o pior de tudo é que ela é verdadeira...
- Agora já sabe o que temos que fazer... - Ela me olhou confusa - Acho que devíamos continuar unindo nossas forças para deter os zumbis, mas...
- Sem nos odiarmos?
- É... Sem ressentimentos, então? - Ela soltou o meu braço e sorriu
- Temos que encontrar um galho bem firme pra você dormir então
Então pela primeira vez em vinte anos, eu dei risada, quase gargalhei, porque agora eu tinha uma amiga, que era algo que eu não via na minha vida à quase trinta anos...
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