28/12/2011
Inconstância
Sou a miss incompetência
A miss incoerência
Um humano em decadência
A senhora da ausência
Sou sempre a mais errada
Criatura inacabada
Em minha mente não tem nada
Sempre sou a desalmada
Você julga com arrogância
Me acusando de ignorância
Mas está preso em inconstância
Agora apenas quero distância
Está na hora de queimar
Já é seu tempo de esgotar
Em minha hora de acabar
Por matar
Todo o seu disfarce
Não acaba na sua face
Não é apenas uma fase
Criatura de pouca classe
É a miss incompetência
A miss incoerência
Um humano em decadência
E a senhora da ausência
25/12/2011
Merry Zombie Christmas (Parte 2)
Eram quase cinco horas da manhã, quando o garoto loiro foi para a cozinha, abrindo a porta devagar e depois olhando para mim
- Você não dorme? - Ele perguntou
- Hoje não. Eu disse que seria maravilhoso se a peste invadisse o Pólo-Norte, porque quero matar zumbis com a minha família, mas isso não vai ser possível se eu e minha família virarmos zumbis, eu estou na janela da cozinha esperando avistar os primeiros zumbis daqui
- E se eles não aparecerem?
- Terei que ficar de guarda amanhã também, e depois de amanhã, até que eles apareçam.
- Você se daria bem vivendo num apocalipse zumbi...
- Obrigada - Eu sorri - Esqueci de te perguntar o seu nome...
- Tyler
- Prazer, Tyler - Apertamos as mãos, um pouco depois, ele pegou um copo d'água, então uma coisa terrível veio à minha cabeça - Tyler... Acha que o meu pai pode ter sido infectado? Sabe... Através do ar...
- Não, ele não foi... - Sua expressão era de pavor, apesar da sua voz calma
- Tyler, é possível?
- Tem gente que não está acostumado a respirar o ar infectado de Nova York, acabam se infectando através do ar, mas... Isso não aconteceu, senão você teria sido infectada também...
- É... Eu espero - Ainda com o laptop no colo e os nervos à for da pele esperando os zumbis do Pólo-Norte virem até mim, olhei pela janela, nada além de neve à vista... Voltei a olhar o laptop.
O Tyler sentou-se ao meu lado, e ficou lá, eu fiquei em silêncio mexendo no laptop e ele simplesmente olhando pela janela... Ficamos assim até o sol sair, quando a minha mãe entrou na cozinha e olhou para nós dois
- Filha, quem é o seu amigo?
- O Tyler - Sem tirar os olhos do computador, eu continuei - A gente salvou ele de uns zumbis em Nova York
- O seu pai me contou... - Ela voltou os olhos pra o Tyler - Quantos anos tem, querido?
- Quinze... - Minha idade
- Gostaria de comer alguma coisa, Tyler? Vou fazer panquecas para o café... Gosta de panquecas?
- Gosto... - A minha mãe às vezes falava demais e deixava as pessoas sem jeito quando olhava elas com seus grandes olhos verdes por trás dos óculos e seu cabelo branco. Ela começou a preparar a comida.
- Cadê o papai? - Olhei preocupada para a mamãe
- O seu pai... - A mamãe baixou o olhar - Ele está doente, muito doente, não sei se ele vai passar de hoje - Arregalei os olhos, eu e o Tyler nos entreolhamos apavorados
- Mãe, o papai vai virar um zumbi!
- É... É assim... Que... Assim que começa
- Nós temos que exterminá-lo antes que o vírus se espalhe e ele nos devore - Minha mãe nos olhou irritada
- Quero que parem com isso, isso não é uma série de televisão, o seu pai está prestes a morrer e você está pensando em matá-lo?
- Mãe, temos que acabar o quanto antes com o sofrimento dele! Quando ele acordar não será mais o papai, ele será um zumbi e temos que...
- Brittany, BASTA! Vá para o seu quarto e não quero ouvir mais uma palavra sobre isso - Ela encarou o Tyler - E você também, garoto, e sinta-se grato por eu lhe mandar para o quarto sem café da manhã ao invés de expulsá-lo dessa casa neste frio polar!
- Claro! Que jeito maduro de lidar com essa situação, mãe, pondo sua filha e o amigo dela de castigo ao invés de encarar a realidade de que realmente existe uma peste zumbi e... - O Tyler segurou de leve o meu braço e falou baixo
- Brittany, por favor, fique calma.
- Não vou continuar falando em respeito ao meu amigo. Mas você entendeu meu ponto de vista - Fechei o laptop e levantei com ele na mão, a minha mãe, então, olhou para ele e disse:
- E não pegue nada do quarto de hóspedes que não seja seu!
- S... Sim Senhora - Fechamos a porta da cozinha e eu fui indo para o meu quarto, até que o Tyler disse - O seu pai só tem seis horas até entrar no coma
- Seis horas?
- Seis horas. Aconteceu com a minha família toda, duas horas depois ele vai acordar e tentar matar a todos...
- Você sabe mesmo como tudo isso acontece, não é?
- Sei, é melhor você fugir daqui o quanto antes...
- Fugir?
- Não quer ser devorada por ele, quer?
- Não, mas não importa para onde eu vá, vão me encontrar e me trazer de volta, até que eu presencie a transformação do meu pai em morto-vivo, eles não me deixarão partir, só então verão que eu estava certa.
- A sua mãe não quer compreender, não é?
- Exatamente, mas - Eu abri a porta do meu quarto - Pelo menos eu vou ter a chance de matar um zumbi pela primeira vez na vida... Pena que ele vai ser meu pai. Então... Até as duas da tarde
- Hã?
- Duas da tarde - Eu chequei meu relógio - Quando eu for matar o meu pai e a gente fugir com o trenó e alguns suprimentos
- A gente?
- Acha que eu vou te deixar aqui sozinho? Você sabe muito sobre zumbis, mas não sabe se cuidar contra eles - Eu sorri - Você só foge - Ele deu uma risada meio baixa e eu fechei a porta do quarto.
***
Duas da tarde e nenhuma notícia sobre a morte do meu pai... A mamãe podia ter sido devorada... Ou talvez aquela febre não tenha nada haver com a peste zumbi... De qualquer forma, peguei uma arma qualquer debaixo da minha cama e saí do quarto, no momento em que abri a porta, o Tyler estava lá, prestes a bater na mesma
- Notícias do seu pai? - Ele perguntou com certo desespero na voz
- Não, estou indo resolver isso, vamos prosseguir com no plano. - Mostrei a ele o que tinha na minha mão
Fomos ao quarto do meu pai, abrimos vagarosamente a porta e esperávamos ver a mamãe chorando sobre um cadáver em cima da cama ou apavorada com um zumbi tentando matá-la, mas encontramos o mais esperado: O papai debruçado sobre a mamãe devorando seus intestinos... Sua barba ensanguentada, seus olhos avermelhados, até a sua pele fétida, antes hidratada, agora estava levemente ressecada. Deixei o meu medo de lado para atirar nele, o Tyler parecia estar em estado de choque, não se mexia, observava o meu pai com pavor nos olhos, quase não respirava, fui obrigada a puxar ele pelo braço e correr até o trenó. Um pouco depois ele recuperou a sanidade mental para dizer para mim
- Brittany, você enlouqueceu? Nós íamos pegar suprimentos!
- Não dá! O meu tiro não acertou a cabeça!
- Como assim??
- Eu sei lá, não acertou!!
Cheguei na garagem, apertei o botão para o portão abrir, um vento congelante passou por nós e derrubou o Tyler no chão, enquanto eu o ajudava a levantar, uma cena grotesca chegou à porta da garagem: O meu pai, com as pernas desfiguradas de tantos tiros, se arrastando pelo chão, gemendo por cérebros, isso me fez entrar em pânico e só então atirar na cabeça dele até que ele virasse apenas uma mancha vermelha com um tapete de pele humana no chão. Corri para o trenó onde o Tyler já estava, chicoteei as renas
- Para onde vamos? - Ele perguntou, sentado em posição fetal no canto do banco. O trenó levantou-se no ar
- Para onde for seguro ir - Ele ficou me olhando por um bom tempo enquanto eu dirigia as renas... Cinco minutos depois da minha palavra ele me disse
- Qualquer lugar que eu esteja com você é seguro para mim - Ele segurou uma das minhas mãos - Fica comigo, tipo pra sempre? - Eu sorri para ele
- Claro que sim.
| Minha cozinha |
- Hoje não. Eu disse que seria maravilhoso se a peste invadisse o Pólo-Norte, porque quero matar zumbis com a minha família, mas isso não vai ser possível se eu e minha família virarmos zumbis, eu estou na janela da cozinha esperando avistar os primeiros zumbis daqui
- E se eles não aparecerem?
- Terei que ficar de guarda amanhã também, e depois de amanhã, até que eles apareçam.
- Você se daria bem vivendo num apocalipse zumbi...
- Obrigada - Eu sorri - Esqueci de te perguntar o seu nome...
- Tyler
- Prazer, Tyler - Apertamos as mãos, um pouco depois, ele pegou um copo d'água, então uma coisa terrível veio à minha cabeça - Tyler... Acha que o meu pai pode ter sido infectado? Sabe... Através do ar...
- Não, ele não foi... - Sua expressão era de pavor, apesar da sua voz calma
- Tyler, é possível?
- Tem gente que não está acostumado a respirar o ar infectado de Nova York, acabam se infectando através do ar, mas... Isso não aconteceu, senão você teria sido infectada também...
- É... Eu espero - Ainda com o laptop no colo e os nervos à for da pele esperando os zumbis do Pólo-Norte virem até mim, olhei pela janela, nada além de neve à vista... Voltei a olhar o laptop.
O Tyler sentou-se ao meu lado, e ficou lá, eu fiquei em silêncio mexendo no laptop e ele simplesmente olhando pela janela... Ficamos assim até o sol sair, quando a minha mãe entrou na cozinha e olhou para nós dois
- Filha, quem é o seu amigo?
- O Tyler - Sem tirar os olhos do computador, eu continuei - A gente salvou ele de uns zumbis em Nova York
- O seu pai me contou... - Ela voltou os olhos pra o Tyler - Quantos anos tem, querido?
- Quinze... - Minha idade
- Gosto... - A minha mãe às vezes falava demais e deixava as pessoas sem jeito quando olhava elas com seus grandes olhos verdes por trás dos óculos e seu cabelo branco. Ela começou a preparar a comida.
- Cadê o papai? - Olhei preocupada para a mamãe
- O seu pai... - A mamãe baixou o olhar - Ele está doente, muito doente, não sei se ele vai passar de hoje - Arregalei os olhos, eu e o Tyler nos entreolhamos apavorados
- Mãe, o papai vai virar um zumbi!
- É... É assim... Que... Assim que começa
- Nós temos que exterminá-lo antes que o vírus se espalhe e ele nos devore - Minha mãe nos olhou irritada
- Quero que parem com isso, isso não é uma série de televisão, o seu pai está prestes a morrer e você está pensando em matá-lo?
- Mãe, temos que acabar o quanto antes com o sofrimento dele! Quando ele acordar não será mais o papai, ele será um zumbi e temos que...
- Brittany, BASTA! Vá para o seu quarto e não quero ouvir mais uma palavra sobre isso - Ela encarou o Tyler - E você também, garoto, e sinta-se grato por eu lhe mandar para o quarto sem café da manhã ao invés de expulsá-lo dessa casa neste frio polar!
- Claro! Que jeito maduro de lidar com essa situação, mãe, pondo sua filha e o amigo dela de castigo ao invés de encarar a realidade de que realmente existe uma peste zumbi e... - O Tyler segurou de leve o meu braço e falou baixo
- Brittany, por favor, fique calma.
- Não vou continuar falando em respeito ao meu amigo. Mas você entendeu meu ponto de vista - Fechei o laptop e levantei com ele na mão, a minha mãe, então, olhou para ele e disse:
| Meu laptop |
- S... Sim Senhora - Fechamos a porta da cozinha e eu fui indo para o meu quarto, até que o Tyler disse - O seu pai só tem seis horas até entrar no coma
- Seis horas?
- Seis horas. Aconteceu com a minha família toda, duas horas depois ele vai acordar e tentar matar a todos...
- Você sabe mesmo como tudo isso acontece, não é?
- Sei, é melhor você fugir daqui o quanto antes...
- Fugir?
- Não quer ser devorada por ele, quer?
- Não, mas não importa para onde eu vá, vão me encontrar e me trazer de volta, até que eu presencie a transformação do meu pai em morto-vivo, eles não me deixarão partir, só então verão que eu estava certa.
- A sua mãe não quer compreender, não é?
| Meu quarto |
- Hã?
- Duas da tarde - Eu chequei meu relógio - Quando eu for matar o meu pai e a gente fugir com o trenó e alguns suprimentos
- A gente?
- Acha que eu vou te deixar aqui sozinho? Você sabe muito sobre zumbis, mas não sabe se cuidar contra eles - Eu sorri - Você só foge - Ele deu uma risada meio baixa e eu fechei a porta do quarto.
***
Duas da tarde e nenhuma notícia sobre a morte do meu pai... A mamãe podia ter sido devorada... Ou talvez aquela febre não tenha nada haver com a peste zumbi... De qualquer forma, peguei uma arma qualquer debaixo da minha cama e saí do quarto, no momento em que abri a porta, o Tyler estava lá, prestes a bater na mesma
| Foi a primeira que eu vi embaixo da cama |
- Não, estou indo resolver isso, vamos prosseguir com no plano. - Mostrei a ele o que tinha na minha mão
Fomos ao quarto do meu pai, abrimos vagarosamente a porta e esperávamos ver a mamãe chorando sobre um cadáver em cima da cama ou apavorada com um zumbi tentando matá-la, mas encontramos o mais esperado: O papai debruçado sobre a mamãe devorando seus intestinos... Sua barba ensanguentada, seus olhos avermelhados, até a sua pele fétida, antes hidratada, agora estava levemente ressecada. Deixei o meu medo de lado para atirar nele, o Tyler parecia estar em estado de choque, não se mexia, observava o meu pai com pavor nos olhos, quase não respirava, fui obrigada a puxar ele pelo braço e correr até o trenó. Um pouco depois ele recuperou a sanidade mental para dizer para mim
- Brittany, você enlouqueceu? Nós íamos pegar suprimentos!
- Não dá! O meu tiro não acertou a cabeça!
- Como assim??
- Eu sei lá, não acertou!!
| Na nossa garagem tem o trenó do meu pai e o carro da minha mãe... |
- Para onde vamos? - Ele perguntou, sentado em posição fetal no canto do banco. O trenó levantou-se no ar
- Para onde for seguro ir - Ele ficou me olhando por um bom tempo enquanto eu dirigia as renas... Cinco minutos depois da minha palavra ele me disse
- Qualquer lugar que eu esteja com você é seguro para mim - Ele segurou uma das minhas mãos - Fica comigo, tipo pra sempre? - Eu sorri para ele
- Claro que sim.
24/12/2011
Ah, o Natal...
23/12/2011
Merry Zombie Christmas
Eu estava com meu pai em cima do trenó e ele estava me ensinando a entregar presentes como é feito na nossa família a gerações...
- Brittany, querida, um dia você vai perceber como é maravilhoso distribuir presentes aos outros na noite de natal
- Sei. - Eu sorri depois de pronunciar sarcasticamente aquilo - E a alergia do Rudolph a Canela vai sumir.
- Mas é maravilhoso! - Ele pousou o trenó em cima de uma casa - Siga-me
- Claro.
Indisposta, e ainda com meu videogame portátil na mão, desci do trenó e o segui até a chaminé, ele pegou uma caixa e levou alguns segundos para poder deslizar pelo seu interior, já eu, esquálida que sou, consegui cair por dentro dela sem ao menos tocar suas paredes. "Cenário meio estranho para uma época natalina..." Pensei ao ver a casa escura, com a árvore derrubada, porta-retratos quebrados, chão sujo...
- Mas o que aconteceu aqui? - Perguntou meu pai, até que ouvimos um gemido baixo vindo de um cômodo... Ao longe visualizamos uma sombra de alguém se arrastando e com um odor terrível, logo atrás de alguém que caminhava trêmulo e vacilante, mais outras cambaleando e mancando na nossa direção atrás da pessoa que estava tremendo enquanto andava num passo relativamente acelerado. Devido meus conhecimentos de séries de TV sobre o assunto e ter várias vezes imaginado como seria... Pude deduzir o que seriam... Zumbis! Abaixei-me para pegar uma coisa que havia no chão: Um pé-de-cabra enferrujado - Bitt, o que está fazendo?
- Salvando nossas peles desses zumbis!! - Até que escutei o zumbi balbuciar alguma coisa
- N... Não! - Meu pai retirou pisca-piscas da bota, que funcionavam sem tomada, apertou o botão e apontou para as quatro silhuetas no corredor... Um garoto de cabelos loiros, olhos azuis, não era um zumbi! As três figuras atrás dele eram os zumbis que eu deduzira... - P... Papai Noel! É o senhor! - Ele correu para abraçar o meu pai, mas suas pernas tremiam muito e ele caiu, enquanto o meu pai o ajudava, apavorada que fiquei com as três figuras desfiguradas na casa, atirei o pé-de-cabra na cabeça do que ainda rastejava na nossa direção, usava um terno desgastado e não tinha mais pernas, depois esmurrei a cabeça de uma das mulheres, que tinha um cabelo loiro completamente gasto e um vestido de flores, a última foi a mais fácil, a agarrei pelas tranças e arranquei sua cabeça com um chute seguido de um puxão.
Eu e meu pai com o garoto nos braços saímos correndo da casa, mas percebi que fizemos barulho lá dentro, pois milhares de zumbis nos cercavam, entrei em posição de ataque com o pé-de-cabra
- Todos conhecem as regras, não é gente? - Esperava que o meu pai não conhecesse - Sempre acerte a cabeça! Duas vezes se tiver chance! - Eu comecei a me aproximar do grupo de zumbis que nos rodeava quando meu pai me puxou pelo capuz do meu vestido
- Não, você não vai se aproximar dessas coisas, Brittany! - Ele berrou apavorado - Não é mais uma de suas séries, onde a garota com o pé-de-cabra sempre vence! - Ele lançou seus pisca-pisca na calha do telhado da casa - Me siga! - Ele começou a subir
- Mas, pai...
- Eu estou mandando!!
Fiz uma cara de "Ai-que-saco" e então escalei os pisca-pisca até chegar no telhado, subi no banco traseiro do trenó, o meu pai colocou o garoto que aparentava ter a minha idade, do meu lado e sentou-se no lugar do piloto, as renas começaram a voar e o menino ficou com os olhos arregalados e tremendo, olhando para o nada...
- Poxa, deve ser tão emocionante! - Olhei para ele examinando suas roupas desgastadas e sua pele suja - Há quanto tempo está ali? Quando começou o apocalipse? Você matou mais de dez zumbis ou fugiu da maioria?
- Eu... - Ele começou - Eu... Acho... Eu estou aqui há dois dias... Dois dias... Terríveis... Naquela casa... Eu... Eu quase morri... E... Eu só... Não sei matar zumbis... Eu acho... Eu... Tenho medo deles...
- Ai meu Deus! Você esteve cara a cara com um zumbi! Por que não matou eles? Eu amo zumbis - Ele deu um sorriso, ainda com um ar de pavor no rosto
- Eu... Eu não sei matar zumbis, você parece ser experiente nisso...
- Nem tanto, não tive a chance de matar nenhum na vida real ainda, mas jogo left 4 dead 24 horas por dia, vejo séries de zumbis e... Você joga jogos de zumbis?
- Não, eu... Não gosto de zumbis...
- Do que você gosta? - Ele olhou para mim e começou a pensar...
- Macacos, eu acho... - Ele voltou a tremer. Eu tirei meu casaco e entreguei para ele
- Quer emprestado?
- O que?
- Meu casaco, quer emprestado? Você está tremendo, não está com frio? Algumas pessoas realmente não estão adaptadas ao frio vindo de onde eu moro - Ele me olhou sério
- Não, obrigado...
Então ele voltou a olhar para o nada com um olhar apavorado... Olhei para o lado de fora do trenó, todos aqueles corpos contorcidos andando lentamente e cambaleando pela rua, rastejando, apodrecendo aos poucos... O pé-de-cabra ainda estava na minha mão, atirei com força para baixo, acertou a cabeça de uma zumbi "Isso!" pensei.
- Você sabe quando esse apocalipse começou? - O meu pai perguntou a ele sem olhar para trás
- Eu acho... Depois do natal passado, no... No dia 27
- Ai meu Deus! - Falei animada - Pai, isso é tão emocionante! Não posso matar um zumbi sequer? Eu juro que...
- Brittany! Já disse que não! Quanto antes estivermos longe deles, melhor!
- Ah, pai, imagina se a epidemia atinge o Pólo Norte? Seria fabuloso, não? Imagina só, a família Noel caçando zumbis e... - Antes que eu pudesse terminar de falar o menino desabou, simplesmente desmaiou no banco
- Parabéns, Brittany, você deixou esse garoto perturbado mais apavorado ainda!
- A gente esqueceu de perguntar o nome dele...
O meu pai chicoteou as renas e aceleramos o passo, eu permaneci sorrindo e poucos minutos mais tarde estávamos em casa. O meu pai saltou do trenó quando entramos na garagem, tirou a cela das renas e começou a cutucar o garoto depois
- Ei, garoto, chegamos... Garoto - Ele deu outra cutucada no menino - Ei! Menino, já chegamos! - Ele nem se mexia...
- Eu sei como acordá-lo - Falei, em seguida me aproximei vagarosamente dele - EI! ESTAMOS CERCADOS DE ZUMBIS! SE VOCÊ NÃO ACORDAR AGORA VAMOS SER COMIDOS!! - Ele levantou gritando como uma garota e depois nos olhou apavorado, eu encarei o meu pai e disse - De nada!
- Quem disse zumbis? - O garoto estava sentado, encolhido no banco, ele estava tremendo, as pálpebras de um de seus olhos vibravam de tensão - Onde a gente está?
- Na garagem - Disse o meu pai - Livre dos zumbis, aqui você estará seguro - Então, ele me encarou - Brittany, leve ele até o quarto de hóspedes
- Claro - Eu abri a porta do trenó e comecei a caminhar na direção da escada, com ele atrás de mim, assim que fechei a porta e estávamos sozinhos no corredor comecei a falar - Então, por que você não gosta de zumbis?
- Eu... Eles são tão...
- Adoráveis! Não é?
- Bem, não era isso que eu ia dizer, mas... - Eu dei risada e fiz ele sorrir durante alguns minutos
- Mas, mudando bruscamente o assunto, você realmente acreditava que o meu pai era o verdadeiro Papai Noel? A maioria das pessoas quando chega aos 12 anos deixa de acreditar...
- Acho... Que a minha sanidade mental está um pouco comprometida... - Eu dei risada de novo, chegamos, finalmente à ultima porta
- Aqui, o quarto de hóspedes - Eu sorri para ele, ele olhou para a minha cara e depois sorriu de volta, aí entrou no quarto.
- Brittany, querida, um dia você vai perceber como é maravilhoso distribuir presentes aos outros na noite de natal
- Sei. - Eu sorri depois de pronunciar sarcasticamente aquilo - E a alergia do Rudolph a Canela vai sumir.
- Mas é maravilhoso! - Ele pousou o trenó em cima de uma casa - Siga-me
- Claro.
Indisposta, e ainda com meu videogame portátil na mão, desci do trenó e o segui até a chaminé, ele pegou uma caixa e levou alguns segundos para poder deslizar pelo seu interior, já eu, esquálida que sou, consegui cair por dentro dela sem ao menos tocar suas paredes. "Cenário meio estranho para uma época natalina..." Pensei ao ver a casa escura, com a árvore derrubada, porta-retratos quebrados, chão sujo...
- Mas o que aconteceu aqui? - Perguntou meu pai, até que ouvimos um gemido baixo vindo de um cômodo... Ao longe visualizamos uma sombra de alguém se arrastando e com um odor terrível, logo atrás de alguém que caminhava trêmulo e vacilante, mais outras cambaleando e mancando na nossa direção atrás da pessoa que estava tremendo enquanto andava num passo relativamente acelerado. Devido meus conhecimentos de séries de TV sobre o assunto e ter várias vezes imaginado como seria... Pude deduzir o que seriam... Zumbis! Abaixei-me para pegar uma coisa que havia no chão: Um pé-de-cabra enferrujado - Bitt, o que está fazendo?
| Eu |
- N... Não! - Meu pai retirou pisca-piscas da bota, que funcionavam sem tomada, apertou o botão e apontou para as quatro silhuetas no corredor... Um garoto de cabelos loiros, olhos azuis, não era um zumbi! As três figuras atrás dele eram os zumbis que eu deduzira... - P... Papai Noel! É o senhor! - Ele correu para abraçar o meu pai, mas suas pernas tremiam muito e ele caiu, enquanto o meu pai o ajudava, apavorada que fiquei com as três figuras desfiguradas na casa, atirei o pé-de-cabra na cabeça do que ainda rastejava na nossa direção, usava um terno desgastado e não tinha mais pernas, depois esmurrei a cabeça de uma das mulheres, que tinha um cabelo loiro completamente gasto e um vestido de flores, a última foi a mais fácil, a agarrei pelas tranças e arranquei sua cabeça com um chute seguido de um puxão.
Eu e meu pai com o garoto nos braços saímos correndo da casa, mas percebi que fizemos barulho lá dentro, pois milhares de zumbis nos cercavam, entrei em posição de ataque com o pé-de-cabra
- Todos conhecem as regras, não é gente? - Esperava que o meu pai não conhecesse - Sempre acerte a cabeça! Duas vezes se tiver chance! - Eu comecei a me aproximar do grupo de zumbis que nos rodeava quando meu pai me puxou pelo capuz do meu vestido
- Não, você não vai se aproximar dessas coisas, Brittany! - Ele berrou apavorado - Não é mais uma de suas séries, onde a garota com o pé-de-cabra sempre vence! - Ele lançou seus pisca-pisca na calha do telhado da casa - Me siga! - Ele começou a subir
- Mas, pai...
- Eu estou mandando!!
Fiz uma cara de "Ai-que-saco" e então escalei os pisca-pisca até chegar no telhado, subi no banco traseiro do trenó, o meu pai colocou o garoto que aparentava ter a minha idade, do meu lado e sentou-se no lugar do piloto, as renas começaram a voar e o menino ficou com os olhos arregalados e tremendo, olhando para o nada...
- Poxa, deve ser tão emocionante! - Olhei para ele examinando suas roupas desgastadas e sua pele suja - Há quanto tempo está ali? Quando começou o apocalipse? Você matou mais de dez zumbis ou fugiu da maioria?
- Eu... - Ele começou - Eu... Acho... Eu estou aqui há dois dias... Dois dias... Terríveis... Naquela casa... Eu... Eu quase morri... E... Eu só... Não sei matar zumbis... Eu acho... Eu... Tenho medo deles...
- Ai meu Deus! Você esteve cara a cara com um zumbi! Por que não matou eles? Eu amo zumbis - Ele deu um sorriso, ainda com um ar de pavor no rosto
| *---* |
- Nem tanto, não tive a chance de matar nenhum na vida real ainda, mas jogo left 4 dead 24 horas por dia, vejo séries de zumbis e... Você joga jogos de zumbis?
- Não, eu... Não gosto de zumbis...
- Do que você gosta? - Ele olhou para mim e começou a pensar...
- Macacos, eu acho... - Ele voltou a tremer. Eu tirei meu casaco e entreguei para ele
- Quer emprestado?
- O que?
- Meu casaco, quer emprestado? Você está tremendo, não está com frio? Algumas pessoas realmente não estão adaptadas ao frio vindo de onde eu moro - Ele me olhou sério
- Não, obrigado...
Então ele voltou a olhar para o nada com um olhar apavorado... Olhei para o lado de fora do trenó, todos aqueles corpos contorcidos andando lentamente e cambaleando pela rua, rastejando, apodrecendo aos poucos... O pé-de-cabra ainda estava na minha mão, atirei com força para baixo, acertou a cabeça de uma zumbi "Isso!" pensei.
- Você sabe quando esse apocalipse começou? - O meu pai perguntou a ele sem olhar para trás
- Eu acho... Depois do natal passado, no... No dia 27
- Ai meu Deus! - Falei animada - Pai, isso é tão emocionante! Não posso matar um zumbi sequer? Eu juro que...
- Brittany! Já disse que não! Quanto antes estivermos longe deles, melhor!
- Ah, pai, imagina se a epidemia atinge o Pólo Norte? Seria fabuloso, não? Imagina só, a família Noel caçando zumbis e... - Antes que eu pudesse terminar de falar o menino desabou, simplesmente desmaiou no banco
- Parabéns, Brittany, você deixou esse garoto perturbado mais apavorado ainda!
- A gente esqueceu de perguntar o nome dele...
O meu pai chicoteou as renas e aceleramos o passo, eu permaneci sorrindo e poucos minutos mais tarde estávamos em casa. O meu pai saltou do trenó quando entramos na garagem, tirou a cela das renas e começou a cutucar o garoto depois
- Ei, garoto, chegamos... Garoto - Ele deu outra cutucada no menino - Ei! Menino, já chegamos! - Ele nem se mexia...
- Eu sei como acordá-lo - Falei, em seguida me aproximei vagarosamente dele - EI! ESTAMOS CERCADOS DE ZUMBIS! SE VOCÊ NÃO ACORDAR AGORA VAMOS SER COMIDOS!! - Ele levantou gritando como uma garota e depois nos olhou apavorado, eu encarei o meu pai e disse - De nada!
- Quem disse zumbis? - O garoto estava sentado, encolhido no banco, ele estava tremendo, as pálpebras de um de seus olhos vibravam de tensão - Onde a gente está?
- Na garagem - Disse o meu pai - Livre dos zumbis, aqui você estará seguro - Então, ele me encarou - Brittany, leve ele até o quarto de hóspedes
- Claro - Eu abri a porta do trenó e comecei a caminhar na direção da escada, com ele atrás de mim, assim que fechei a porta e estávamos sozinhos no corredor comecei a falar - Então, por que você não gosta de zumbis?
| O corredor que dá acesso às salas da casa |
- Adoráveis! Não é?
- Bem, não era isso que eu ia dizer, mas... - Eu dei risada e fiz ele sorrir durante alguns minutos
- Mas, mudando bruscamente o assunto, você realmente acreditava que o meu pai era o verdadeiro Papai Noel? A maioria das pessoas quando chega aos 12 anos deixa de acreditar...
- Acho... Que a minha sanidade mental está um pouco comprometida... - Eu dei risada de novo, chegamos, finalmente à ultima porta
- Aqui, o quarto de hóspedes - Eu sorri para ele, ele olhou para a minha cara e depois sorriu de volta, aí entrou no quarto.
22/12/2011
Maldito diário
Eu estava no carro, ainda não acreditava que havia encontrado a Evelina. Segurava a minha bolsa com o uniforme de ballet dentro, estava toda suada, quando os meus pais pararam em frente a um restaurante, eu estava com a cara amassada, a perna dolorida, fedendo, o cabelo emaranhado e eles olharam para trás e disseram
- Vamos comer fora, querida! - O que? Como poderiam me forçar a isso?? Com aquela aparência e àquela altura do dia eu só queria tomar banho e dormir!! Mas entrei no restaurante, poderia ser um bom momento para contar a minha experiência...
Adentrei as portas do restaurante, linda decoração. O garçom nos guiou até uma das mesas. Depos de nos acomodarmos na mesa, resolvi então me abrir com meus pais
- Mãe, pai.
- Sim? - Disse a minha mãe
- Hoje eu encontrei uma velha conhecida
- E quem seria?
- É a...
- O que vai querer, querida? - Perguntou o meu pai, mudando bruscamente de assunto
- Eu não sei - Disse a minha mãe - Qual será a melhor sopa?
- Gente! - Me revoltei - Vocês não estão escutando!!
- Oh, sim, diga quem você encontrou, querida - A mamãe sorriu
- Foi a Evelina - De sorrisos e olhares calmos para o cardápio, seus olhos mudaram a expressão para puro terror e arrependimento
- Evelina... Não foi aquela menina que você conheceu há nove anos?
- Sim, a mesma que eu tanto comentei que me chamara de ignorante, burra e que tanto dissera que eu não serviria para o balé, ela vai ser minha substituta
- Padma - Começou o meu pai - Querida, não procure brigas, sim? Tente fazer amizade
- Eu tentei, mas ela não quer ser minha amiga, ela quer se vingar
- Apenas tenha cuidado
O jantar prosseguiu em silêncio, no dia seguinte começou o ensaio e a Evelina me olhava com ódio a cada passo que eu executava. Quando finalmente deu o tempo e pudemos parar cinco minutos para bebermos água, eu fui na direção do bebedouro, mas a Evelina passou na minha frente.
- Não ligue pra ela - Disse uma garota de cabelo loiro, cacheado e que usava óculos - Ela é assim com todo mundo que é melhor que ela no balé.
- E você seria...
- Agafia - Ela estendeu a mão e eu a cumprimentei
- Francamente tenho que admitir, Agafia, tenho medo, muito medo da Evelina, ela me olha como se fosse me matar a qualquer momento...
- Ela não faz mal a uma mosca, acredite - Agafia começou a prender seus longos e cacheados cabelos num coque.
- Espero.
A Agafia fazia o papel da Odile, a filha do mago. Nos divertimos muito durante o ensaio. Com o passar dos dias fui percebendo o quanto a dança ia ficando linda, quantos amigos eu fazia, eu fazia o papel da Odette, por isso estava extremamente orgulhosa tendo apenas 14 anos... Mas por mais que eu tentasse, eu não era a Odette.
- Filha, pare com essa piruetas em frente ao espelho - Dizia a minha mãe no quarto - Vai acabar quebrando alguma coisa no hotel e eu não quero ter que reembolsar.
- Não são piruetas, mãe, são fouettes. - Eu continuei girando - E tem que ser perfeito, eu não consegui encorporar a Odette!
- Francamente não acho que uma garota que virou um cisne saia pela floresta encantada dançando ao invés de pedir ajuda a alguém
- Mãe! Isso é um ballet! Num ballet as pessoas saem dançando e girando até se levam um tiro! - Continuei fazendo fouettes - E mais: Eu tenho que incorporar a Odette antes de quarta-feira
- Então, aprece-se, hoje é segunda - Ela voltou o rosto para o livro e eu ignorei e continuei dançando
***
É o dia da apresentação, eu me sentia um tanto nervosa, não tinha incorporado a Odette como queria! Eu estava no camarim, terminando de fazer o meu cabelo, ainda sem sapatilhas, quando a Agafia me chamou
- Padma, venha ver que loucura a Evelina fez! - A Evelina? Fazendo loucuras? Não me parecia tão difícil, mas essa eu queria ver! Corri até o palco, um garoto havia sido amarrado e amordaçado com fitas da sapatilha dela, que sorte que as cortinas estavam fechadas, eu ouvia as vozes do outro lado delas e foi isso que me apavorou. Nossa supervisora retirou a fita da boca do menino
- Você está bem? - Eu permanecia observando as cortinas apavorada imaginando quantos olhos me veriam não ser a Odette... - Markov, você está bem? - Ele interpretaria o príncipe no ballet, mas o substituto dele havia torcido o tornozelo, se ele não estivesse em condições de apresentar o espetáculo poderia até ser cancelado... - Consegue me ouvir?
- S... Sim - Ele estava tremendo e eu continuava encarando apavorada as cortinas... A supervisora ajudou ele a levantar e o guiou até fora do palco enquanto dizia
- Ele está bem, ele está bem gente, voltem para seus camarins, circulando!
A Evelina havia surtado de vez... Fui para o meu camarim, coloquei as sapatilhas e quando chegou a minha hora, me direcionei ao palco... Agora eu encarava a cortina de novo, meu coração pulava, achava que ele ia sair pela boca, eu quase não conseguia respirar... Ela se abriu. Eu comecei a dançar, mas quando subi na ponta... Senti uma coisa, uma dor, algo estava furando meu pé. Cacos de vidro, e eu já sabia quem havia posto, não parei de dançar. Já sabia que ela só amordaçou o menino por causa daquilo... Eu sentia meu sangue escorrendo pelo meu pé... Quente, doloroso, os cacos de vidro se aprofundavam cada vez mais... Mas eu não perdia o foco da dança... A cada passo que eu executava sentia o olhar da Evelina, agora perfurando meus pés, a cada Grand Gette que eu dava, eu sentia todo o seu ódio contra mim...
Não contei o tempo, não tinha mais sanidade para isso, mas a apresentação acabou e parecia que haviam passado anos para que eu pudesse parar de dançar, as cortinas se fecham, lá e na frente de todos que estavam comigo no palco, eu desmoronei e caí chorando no chão
- Padma, o que foi? - Perguntou o Markov tentando me ajudar a levantar, minha respiração estava ofegante, eu rapidamente desenrolei a sapatilha e a tirei do meu pé ensanguentado
- Ev... - Tentei pronunciar o nome de forma compreensível enquanto me esforçava para respirar de tanta que era a minha dor - Evelina.
Markov berrou alguma coisa em russo que eu não entendi e na mesma hora um monte de gente veio e me carregou até o camarim, a nossa supervisora tirou a minha meia-calça e viu o meu pé enquanto falava no celular. Deitei no chão e comecei a chorar mais ainda, apertando os olhos de dor. Quando me dei conta, havia acordado no hospital, ainda era noite e meu pé estava enfaixado. Um médico e a minha mãe olhavam para mim
- Mãe, a Evelina fez isso! Aquela maluca desequilibrada! O que foi feito dela?
- Já disseram tudo aos pais dela e eles a tiraram do ballet, que a estava deixando agressiva e competitiva, então o espetáculo dessa noite foi cancelado, pois eles não têm uma substituta para você...
- E nem precisam! Eu danço!
- Filha, o seu pé está todo ferido, completamente desfigurado, não vou permitir que você dance nessas condições
- Mãe, a Evelina pode ter posto tachinhas e cacos de vidro na minha sapatilha, mas eu ainda quero dançar! Se fossem fazer isso comigo de novo, eu iria do mesmo jeito, mãe eu amo dançar e não quero que o espetáculo pare!
- Mas, filha eu...
- Não ligo se é perigoso, eu quero continuar! E depois pode me forçar a fazer o que você quiser que eu faça da vida em Bangalore, vou estar feliz, só de saber que dancei nesse espetáculo independente das minhas condições físicas - A minha mãe suspirou
- Embora a voz da razão esteja gritando na minha cabeça para lhe dizer não, eu sei que é isso o que você realmente quer, não é?
- Mais que tudo
- Se o seu pé estiver melhor até lá, você pode dançar.
- Mãe, pai.
- Sim? - Disse a minha mãe
- Hoje eu encontrei uma velha conhecida
- E quem seria?
- É a...
- O que vai querer, querida? - Perguntou o meu pai, mudando bruscamente de assunto
- Eu não sei - Disse a minha mãe - Qual será a melhor sopa?
- Gente! - Me revoltei - Vocês não estão escutando!!
- Oh, sim, diga quem você encontrou, querida - A mamãe sorriu
- Foi a Evelina - De sorrisos e olhares calmos para o cardápio, seus olhos mudaram a expressão para puro terror e arrependimento
- Evelina... Não foi aquela menina que você conheceu há nove anos?
- Sim, a mesma que eu tanto comentei que me chamara de ignorante, burra e que tanto dissera que eu não serviria para o balé, ela vai ser minha substituta
- Padma - Começou o meu pai - Querida, não procure brigas, sim? Tente fazer amizade
- Eu tentei, mas ela não quer ser minha amiga, ela quer se vingar
- Apenas tenha cuidado
O jantar prosseguiu em silêncio, no dia seguinte começou o ensaio e a Evelina me olhava com ódio a cada passo que eu executava. Quando finalmente deu o tempo e pudemos parar cinco minutos para bebermos água, eu fui na direção do bebedouro, mas a Evelina passou na minha frente.
- Não ligue pra ela - Disse uma garota de cabelo loiro, cacheado e que usava óculos - Ela é assim com todo mundo que é melhor que ela no balé.
- E você seria...
- Agafia - Ela estendeu a mão e eu a cumprimentei
- Francamente tenho que admitir, Agafia, tenho medo, muito medo da Evelina, ela me olha como se fosse me matar a qualquer momento...
| Agafia |
- Espero.
A Agafia fazia o papel da Odile, a filha do mago. Nos divertimos muito durante o ensaio. Com o passar dos dias fui percebendo o quanto a dança ia ficando linda, quantos amigos eu fazia, eu fazia o papel da Odette, por isso estava extremamente orgulhosa tendo apenas 14 anos... Mas por mais que eu tentasse, eu não era a Odette.
- Filha, pare com essa piruetas em frente ao espelho - Dizia a minha mãe no quarto - Vai acabar quebrando alguma coisa no hotel e eu não quero ter que reembolsar.
- Não são piruetas, mãe, são fouettes. - Eu continuei girando - E tem que ser perfeito, eu não consegui encorporar a Odette!
- Francamente não acho que uma garota que virou um cisne saia pela floresta encantada dançando ao invés de pedir ajuda a alguém
- Mãe! Isso é um ballet! Num ballet as pessoas saem dançando e girando até se levam um tiro! - Continuei fazendo fouettes - E mais: Eu tenho que incorporar a Odette antes de quarta-feira
- Então, aprece-se, hoje é segunda - Ela voltou o rosto para o livro e eu ignorei e continuei dançando
***
É o dia da apresentação, eu me sentia um tanto nervosa, não tinha incorporado a Odette como queria! Eu estava no camarim, terminando de fazer o meu cabelo, ainda sem sapatilhas, quando a Agafia me chamou
- Padma, venha ver que loucura a Evelina fez! - A Evelina? Fazendo loucuras? Não me parecia tão difícil, mas essa eu queria ver! Corri até o palco, um garoto havia sido amarrado e amordaçado com fitas da sapatilha dela, que sorte que as cortinas estavam fechadas, eu ouvia as vozes do outro lado delas e foi isso que me apavorou. Nossa supervisora retirou a fita da boca do menino
| E eu me achava o máximo quando conseguia dar um laço num galho com a minha fita... |
- S... Sim - Ele estava tremendo e eu continuava encarando apavorada as cortinas... A supervisora ajudou ele a levantar e o guiou até fora do palco enquanto dizia
- Ele está bem, ele está bem gente, voltem para seus camarins, circulando!
A Evelina havia surtado de vez... Fui para o meu camarim, coloquei as sapatilhas e quando chegou a minha hora, me direcionei ao palco... Agora eu encarava a cortina de novo, meu coração pulava, achava que ele ia sair pela boca, eu quase não conseguia respirar... Ela se abriu. Eu comecei a dançar, mas quando subi na ponta... Senti uma coisa, uma dor, algo estava furando meu pé. Cacos de vidro, e eu já sabia quem havia posto, não parei de dançar. Já sabia que ela só amordaçou o menino por causa daquilo... Eu sentia meu sangue escorrendo pelo meu pé... Quente, doloroso, os cacos de vidro se aprofundavam cada vez mais... Mas eu não perdia o foco da dança... A cada passo que eu executava sentia o olhar da Evelina, agora perfurando meus pés, a cada Grand Gette que eu dava, eu sentia todo o seu ódio contra mim...
Não contei o tempo, não tinha mais sanidade para isso, mas a apresentação acabou e parecia que haviam passado anos para que eu pudesse parar de dançar, as cortinas se fecham, lá e na frente de todos que estavam comigo no palco, eu desmoronei e caí chorando no chão
| E eu consegui dançar... |
- Ev... - Tentei pronunciar o nome de forma compreensível enquanto me esforçava para respirar de tanta que era a minha dor - Evelina.
Markov berrou alguma coisa em russo que eu não entendi e na mesma hora um monte de gente veio e me carregou até o camarim, a nossa supervisora tirou a minha meia-calça e viu o meu pé enquanto falava no celular. Deitei no chão e comecei a chorar mais ainda, apertando os olhos de dor. Quando me dei conta, havia acordado no hospital, ainda era noite e meu pé estava enfaixado. Um médico e a minha mãe olhavam para mim
- Mãe, a Evelina fez isso! Aquela maluca desequilibrada! O que foi feito dela?
- Já disseram tudo aos pais dela e eles a tiraram do ballet, que a estava deixando agressiva e competitiva, então o espetáculo dessa noite foi cancelado, pois eles não têm uma substituta para você...
- E nem precisam! Eu danço!
- Filha, o seu pé está todo ferido, completamente desfigurado, não vou permitir que você dance nessas condições
- Mãe, a Evelina pode ter posto tachinhas e cacos de vidro na minha sapatilha, mas eu ainda quero dançar! Se fossem fazer isso comigo de novo, eu iria do mesmo jeito, mãe eu amo dançar e não quero que o espetáculo pare!
- Mas, filha eu...
- Não ligo se é perigoso, eu quero continuar! E depois pode me forçar a fazer o que você quiser que eu faça da vida em Bangalore, vou estar feliz, só de saber que dancei nesse espetáculo independente das minhas condições físicas - A minha mãe suspirou
- Embora a voz da razão esteja gritando na minha cabeça para lhe dizer não, eu sei que é isso o que você realmente quer, não é?
- Mais que tudo
- Se o seu pé estiver melhor até lá, você pode dançar.
15/12/2011
Maldito Diário
O tempo passou rápido no voo da primeira classe, eu nunca me senti tão especial em toda a minha vida, o carro que meu pai alugara já estava nos esperando do lado de fora do aeroporto, lá estava muito frio. Eu estava acostumada aos invernos frios de Bangalore, mas lá era mais frio ainda, era tão frio que eu estava quase paralisada. Entramos no carro sem pronunciar uma palavra sequer, o meu pai rodou por horas com aquele GPS... Definitivamente estávamos perdidos, ele já havia parado três vezes para pedir informações
- Você deveria ter entrado naquela rua à esquerda... - A minha mãe falou
- Eu sei bem onde estou indo
- Mas eu li o nome do hotel está piscando ali - Minha mãe olhou de novo pela janela para ler o nome
- Escuta, Laboni, você sabe o que é isso? - O meu pai apontou para o GPS - Você sabe que tipo de tecnologia é essa, meu bem?
- É uma máquina
- Não é uma máquina apenas! Isso aqui está nos mostrando o caminho certo para o lugar certo, tá legal? Esse GPS conhece cada centímetro quadrado dessa região, se caísse um meteoro em uma das ruas ele o localizaria na hora, eu não acho que nós, vindos da Índia, e que não conhecem porra nenhuma da Rússia, precisamos de uma coisa dessas para achar o hotel, você não acha?
- OLHA PRA ESTRADA!! - Minha mãe pôs sua mão no volante e virou o carro para que não batesse numa Ferrari que estava buzinando violentamente e vindo na direção oposta à nossa. Quando o carro finalmente parou de se agitar, minha mãe cruzou os braços e encarou o meu pai, depois falou num tom baixo, calmo, e seco - Você quase bateu o carro.
- Deixa de ser chata, mulher!
- Não estou sendo chata, homem!
- Gente! - Gritei antes que eles começassem outra briga e meu pai batesse o carro - Eu acho que também vi um nome piscando na rua aqui atrás!
- Ah, ótimo, agora as duas se viram contra mim e meu GPS, é assim então, tá legal, eu vou virar a rua só pra provar pra vocês... - Ele fez uma bruta curva e entrou na ruazinha onde estava escrito o nome do hotel... - Que vocês estavam... Certas
"Você chegou ao seu destino" Anunciava o GPS. Meu pai apertou o botão e o desligou. Depois estacionou o carro numa das vagas do hotel e andou conosco até a recepção. Ele começou a falar com a mulher da recepção em inglês e alguns minutos depois de todos os procedimentos que acontecem quando se chega em um hotel, a mulher nos deu uma chave e depois um cara alto, com o cabelo loiro e meio longo, preso num rabo de cavalo e com o uniforme do hotel vermelho e amarelo nos acompanhou até o nosso quarto
Quando ele abriu a porta, mal pude acreditar no que havia visto de tão lindo que era! O quarto, pra começar era enorme! Tinha microondas, uma poltrona de massagem uma TV na parede, que é claro que o cara não deixou de comunicar a nós que tinha todos os canais. Uma mesa com três cadeiras e a melhor parte: A cama de casal e a cama de solteiro poderiam ser separadas por um cômodo se eu resolvesse fechar a grande porta de deslizar no meio do quarto, o que significava que eu não teria que ver os meus pais fazendo coisas estranhas a noite toda, talvez eu ouvisse se a porta não fosse de metal com um espelho bem grande na frente. E mais um coisa que me deixou impressionada sobre aquele quarto é que o frigobar mudava de cor! Nossas malas estavam lá e o cara nos deixou sozinhos no quarto..
- Padma, querida. - Começou a minha mãe tocando o meu ombro - Amanhã você tem o seu primeiro ensaio, e hoje teve uma viagem muito cansativa, tem certeza de que vai poder ir para o...
- Com certeza. Vou tomar banho, dormir, e espero ser acordada às cinco
- Mas, Padma... Da manhã?
- É claro que é da manhã.
- Mas já são duas...
- Então melhor eu me apressar.
Entrei no banheiro, e como era de se esperar, ele também era maravilhoso, com uma banheira de hidromassagem num canto, um pouco distante da banheira com ducha de tomar banho, pias de mármore, toalhas com o logo do hotel e sabonetes em forma de bichinhos... Até o papel higiênico tinha o logo do hotel e a privada era dourada... Bom, apenas ignorei os maravilhosos detalhes daquele lugar e entrei na ducha, tomei um banho rápido, mas bem tomado o suficiente para tirar a sujeira de mim, pus um pijama bonitinho cheio de ursinhos e corações e fui dormir na cama de solteiro, não me permiti cair na tentação de testar todos os canais da TV que, segundo o meu pai disse à minha mãe durante o meu banho, haviam mudado para o nosso idioma. Apenas dormi naquela cama quentinha.
Três horas se passaram, mas eu pensei como três segundos e a minha mãe estava me acordando...
- Padma, Padma! Acha que consegue ir para o ensaio de hoje? - Abri os olhos repentinamente ao perceber que já estava no dia do meu primeiro ensaio
- Já estou levantando - Todo o meu cansaço desapareceu quando eu joguei para cima os meus cobertores e deixei cair o meu travesseiro no chão.
Abri a minha mala, onde estava o meu uniforme de balé, em alguns minutos, fiz o meu coque já com a roupa pronta, depois amarrei cuidadosamente a fita da sapatilha da maneira que me ensinaram quando eu tinha onze anos... Acompanhada pela minha mãe, saí do quarto do hotel e fui tomar café... Peguei o meu prato, o tempo todo eu nem havia notado o quanto estava faminta! O enchi com uns pães doces e com panqueca com calda, também comi um prato de waffles depois, e finalmente, quando saciei minha fome, corri para o carro junto aos meus pais.
***
Depois de criar todas as coreografias e ensaiarmos o dia inteiro, todos foram para seus camarins, eu estava no meu quando a porta se abriu
- OI, QUERIDA!! - Era um garoto ruivo, alto e estava fazendo o papel do mago nos ensaios - Você foi assim, super demais, só queria te dizer isso, os ensaios foram uma perfeição por causa de você - Ele tinha sotaque na hora de falar inglês, era um pouco parecido com o meu - Ai meu deus! Eu não acredito que estou falando com a própria Padma Khan! - Ele deu um gritinho agudo e histérico antes de ser chamado por um garoto igual a ele, porque obviamente, era o irmão gêmeo dele, ele pronunciou algo em russo bem alto, também havia se apresentado, fazia o papel do príncipe, ele gritava o garoto com uma voz grossa e aparentemente com raiva, mas ao me ver, logo veio me cumprimentar também
- Padma Khan! - Ele tinha um sotaque parecido com o do irmão quando falava inglês, mas ele não parecia ser homossexual, diferente de seu gêmeo - É um prazer conhecê-la, você dança muito bem mesmo
- Bem... Obrigada... - Eu sorri para os dois, até que eles saíram e me apareceu na porta uma menina loira com os olhos claros e me substituiria caso eu não fosse para a apresentação.
Ela parou na porta e ficou me encarando enquanto eu sorria para ela, mas ela me olhava sério, eu não sabia o que fazer! Estava começando a me assustar...
- Padma Khan... Não esperava que fôssemos nos ver de novo!
- De novo? A gente já se viu antes?
- Há nove anos atrás, não lembra da sua escolinha de balé? - Nesse momento lembrei rapidamente de tudo o que aconteceu há nove anos... Eu era pequena, tinha cinco anos... Minha escola de balé estava competindo contra a escola de balé dela num concurso lá em Bangalore... Ela me encheu de xingamentos dizendo o quanto era melhor que eu e me venceria, mas a minha dança venceu...
- Ev... Evelina?
- Até que você pensa rápido para uma indiana - Ela deu um fouette de quatro piruetas até chegar em mim, depois continuou - Pena que vai me superar de novo, Padma?
- Já superei, eu sou a principal aqui, você não passa de uma substituta secundária - Respondi com grosseria, já me recuperando do choque
- Pensa que acabou, não é? O que você pensa? Nada! Agora as regras mudaram, Padma! Eu estou na minha terra, na minha casa! O que significa que eu vencerei você dessa vez, eu estou com a sorte do meu lado! - Peguei a minha bolsa, pois havia avistado pela janela do meu camarim o meu pai chegando com o carro
- Não, Evelina! A sorte não está do seu lado, porque não estamos competindo, eu já estou à sua frente! E não há nada que você possa fazer!
- Você deveria ter entrado naquela rua à esquerda... - A minha mãe falou
- Eu sei bem onde estou indo
- Mas eu li o nome do hotel está piscando ali - Minha mãe olhou de novo pela janela para ler o nome
- Escuta, Laboni, você sabe o que é isso? - O meu pai apontou para o GPS - Você sabe que tipo de tecnologia é essa, meu bem?
- É uma máquina
- Não é uma máquina apenas! Isso aqui está nos mostrando o caminho certo para o lugar certo, tá legal? Esse GPS conhece cada centímetro quadrado dessa região, se caísse um meteoro em uma das ruas ele o localizaria na hora, eu não acho que nós, vindos da Índia, e que não conhecem porra nenhuma da Rússia, precisamos de uma coisa dessas para achar o hotel, você não acha?
- OLHA PRA ESTRADA!! - Minha mãe pôs sua mão no volante e virou o carro para que não batesse numa Ferrari que estava buzinando violentamente e vindo na direção oposta à nossa. Quando o carro finalmente parou de se agitar, minha mãe cruzou os braços e encarou o meu pai, depois falou num tom baixo, calmo, e seco - Você quase bateu o carro.
- Deixa de ser chata, mulher!
| Linda, não é? |
- Gente! - Gritei antes que eles começassem outra briga e meu pai batesse o carro - Eu acho que também vi um nome piscando na rua aqui atrás!
- Ah, ótimo, agora as duas se viram contra mim e meu GPS, é assim então, tá legal, eu vou virar a rua só pra provar pra vocês... - Ele fez uma bruta curva e entrou na ruazinha onde estava escrito o nome do hotel... - Que vocês estavam... Certas
"Você chegou ao seu destino" Anunciava o GPS. Meu pai apertou o botão e o desligou. Depois estacionou o carro numa das vagas do hotel e andou conosco até a recepção. Ele começou a falar com a mulher da recepção em inglês e alguns minutos depois de todos os procedimentos que acontecem quando se chega em um hotel, a mulher nos deu uma chave e depois um cara alto, com o cabelo loiro e meio longo, preso num rabo de cavalo e com o uniforme do hotel vermelho e amarelo nos acompanhou até o nosso quarto
| E essa era só a MINHA cama |
- Padma, querida. - Começou a minha mãe tocando o meu ombro - Amanhã você tem o seu primeiro ensaio, e hoje teve uma viagem muito cansativa, tem certeza de que vai poder ir para o...
- Com certeza. Vou tomar banho, dormir, e espero ser acordada às cinco
- Mas, Padma... Da manhã?
- É claro que é da manhã.
- Mas já são duas...
- Então melhor eu me apressar.
| Sem comentários *0* |
Três horas se passaram, mas eu pensei como três segundos e a minha mãe estava me acordando...
- Padma, Padma! Acha que consegue ir para o ensaio de hoje? - Abri os olhos repentinamente ao perceber que já estava no dia do meu primeiro ensaio
- Já estou levantando - Todo o meu cansaço desapareceu quando eu joguei para cima os meus cobertores e deixei cair o meu travesseiro no chão.
| Pus na mala todos que podia |
***
Depois de criar todas as coreografias e ensaiarmos o dia inteiro, todos foram para seus camarins, eu estava no meu quando a porta se abriu
- OI, QUERIDA!! - Era um garoto ruivo, alto e estava fazendo o papel do mago nos ensaios - Você foi assim, super demais, só queria te dizer isso, os ensaios foram uma perfeição por causa de você - Ele tinha sotaque na hora de falar inglês, era um pouco parecido com o meu - Ai meu deus! Eu não acredito que estou falando com a própria Padma Khan! - Ele deu um gritinho agudo e histérico antes de ser chamado por um garoto igual a ele, porque obviamente, era o irmão gêmeo dele, ele pronunciou algo em russo bem alto, também havia se apresentado, fazia o papel do príncipe, ele gritava o garoto com uma voz grossa e aparentemente com raiva, mas ao me ver, logo veio me cumprimentar também
| Evelina |
- Bem... Obrigada... - Eu sorri para os dois, até que eles saíram e me apareceu na porta uma menina loira com os olhos claros e me substituiria caso eu não fosse para a apresentação.
Ela parou na porta e ficou me encarando enquanto eu sorria para ela, mas ela me olhava sério, eu não sabia o que fazer! Estava começando a me assustar...
- Padma Khan... Não esperava que fôssemos nos ver de novo!
- De novo? A gente já se viu antes?
- Há nove anos atrás, não lembra da sua escolinha de balé? - Nesse momento lembrei rapidamente de tudo o que aconteceu há nove anos... Eu era pequena, tinha cinco anos... Minha escola de balé estava competindo contra a escola de balé dela num concurso lá em Bangalore... Ela me encheu de xingamentos dizendo o quanto era melhor que eu e me venceria, mas a minha dança venceu...
- Ev... Evelina?
- Até que você pensa rápido para uma indiana - Ela deu um fouette de quatro piruetas até chegar em mim, depois continuou - Pena que vai me superar de novo, Padma?
- Já superei, eu sou a principal aqui, você não passa de uma substituta secundária - Respondi com grosseria, já me recuperando do choque
- Pensa que acabou, não é? O que você pensa? Nada! Agora as regras mudaram, Padma! Eu estou na minha terra, na minha casa! O que significa que eu vencerei você dessa vez, eu estou com a sorte do meu lado! - Peguei a minha bolsa, pois havia avistado pela janela do meu camarim o meu pai chegando com o carro
- Não, Evelina! A sorte não está do seu lado, porque não estamos competindo, eu já estou à sua frente! E não há nada que você possa fazer!
10/12/2011
Maldito Diário
Meu Deus, alguém me segure! Você não vai acreditar no que aconteceu ontem! Eu cheguei no balé, como de costume, fui falar com minhas amigas antes que a professora chegasse
- Nossa, amiga, que cara emburrada é essa? - A Abha perguntou, é incrível como aquela garota consegue estar sempre de bom humor... Eu não tenho essa habilidade!
- Nada, absolutamente nada, a minha mãe me botou de castigo porque a minha professora pegou no meu pé e eu joguei uma cadeira no quadro, foi isso...
- Ah, só isso? Olhe pelo lado bom... Você não adora dançar balé? Olha só você aqui!
- Abha, você é irritante - A Vahini brincou
- Olha quem fala! - A gente riu
- Cara, quando alguém está irritado, você tem que dar razão à pessoa e não tentar deixá-la feliz porque vai parecer que você está tentando fazer ela desviar do seu foco principal
- Qual seria o tal foco?
- Não sei, mas quando alguém está com raiva gosta de sentir que está focada em algo importante
- Nossa - Resolvi me intrometer - Isso é... Estranho
Logo a professora chegou na sala e nós nos sentamos para fazer a chamada
- Tá legal, gente! - Ela sentou-se em sua cadeira - Antes de começar a chamada, eu gostaria de falar em particular com a Padma - Bem, eu me levantei do lugar e fui até onde ela estava, um pouco distante de nós, os meus pais provavelmente haviam cancelado as aulas, me desmatriculado e seria o fim!! Cheguei bem perto da professora Pakhi - Bom... Por onde eu começo... Como você já sabe, ano passado a Academia Russa de Ballet assistiu à nossa apresentação ano passado, e... Bem... Me mandaram entregar isso para você. Veio deles - Ela me deu um envelope fechado, eu o abri e comecei a ler o que havia escrito no papel
Cara Padma Khan,
A Academia Russa de Ballet anuncia que realizaremos um grande evento no qual apresentaremos o balé que foi exibido na sua escola ano passado, encantados com sua habilidade na dança sobre a sapatilha, lhe convidamos a fazer o papel da Odete no lago dos cisnes, favor responder em um período mínimo de três dias. Ensaios serão realizados em
Teatro Square, 1, Saint-Petersburg, Russia
190 000
8 (812) 326-41-96
| Abha |
- Nada, absolutamente nada, a minha mãe me botou de castigo porque a minha professora pegou no meu pé e eu joguei uma cadeira no quadro, foi isso...
- Ah, só isso? Olhe pelo lado bom... Você não adora dançar balé? Olha só você aqui!
- Abha, você é irritante - A Vahini brincou
- Olha quem fala! - A gente riu
- Cara, quando alguém está irritado, você tem que dar razão à pessoa e não tentar deixá-la feliz porque vai parecer que você está tentando fazer ela desviar do seu foco principal
- Qual seria o tal foco?
- Não sei, mas quando alguém está com raiva gosta de sentir que está focada em algo importante
- Nossa - Resolvi me intrometer - Isso é... Estranho
| Vahini |
- Tá legal, gente! - Ela sentou-se em sua cadeira - Antes de começar a chamada, eu gostaria de falar em particular com a Padma - Bem, eu me levantei do lugar e fui até onde ela estava, um pouco distante de nós, os meus pais provavelmente haviam cancelado as aulas, me desmatriculado e seria o fim!! Cheguei bem perto da professora Pakhi - Bom... Por onde eu começo... Como você já sabe, ano passado a Academia Russa de Ballet assistiu à nossa apresentação ano passado, e... Bem... Me mandaram entregar isso para você. Veio deles - Ela me deu um envelope fechado, eu o abri e comecei a ler o que havia escrito no papel
Cara Padma Khan,
A Academia Russa de Ballet anuncia que realizaremos um grande evento no qual apresentaremos o balé que foi exibido na sua escola ano passado, encantados com sua habilidade na dança sobre a sapatilha, lhe convidamos a fazer o papel da Odete no lago dos cisnes, favor responder em um período mínimo de três dias. Ensaios serão realizados em
Teatro Square, 1, Saint-Petersburg, Russia
190 000
8 (812) 326-41-96
Gostaríamos de informar que incluímos nesta carta três passagens de ida e volta para a Russia. Seu hotel será pago pela escola, e localiza-se em
Fundição Avenue, 19/05, St. Petersburg, São Petersburgo, Rússia
191 028
8 (812) 406-00-00
191 028
8 (812) 406-00-00
Atenciosamente,
A academia
| Senhorita Pakhi, ela me ensina balé desde que eu tenho cinco anos |
Minhas pernas ficaram bambas, minhas mãos estavam tremendo, eu quase não conseguia me mexer, lendo e relendo aquela carta, eu quase não pensava direito! Tudo o que vinha na minha cabeça eram coisas como "Eu fui chamada para dançar na academia russa..." "Eu vou dançar o lago dos cisnes" "Eles me chamaram..." "Eu vou dançar..." Estranhamente não conseguia completar nenhum dos meus pensamentos... Eu não havia sido a Odete na apresentação do ano passado, eu era apenas mais um dos bichinhos da floresta encantada e minha fantasia nem era uma das melhores... Eu estava dançando no fundo... Como eles me viram
- Padma? - Eu olhei para a professora - Está tudo bem? - Balancei a cabeça dizendo sim - O que eles disseram?
- Eles... - A essa altura todos estavam me encarando - Eu... Eles me chamaram para fazer o papel da Odete no lago dos cisnes... Eles vão pagar o voo, o hotel e me deram o endereço de onde serão os ensaios... - Todas as minhas amigas gritaram e a senhorita Pakhi quase teve um troço! Ela estava quase chorando, mas eu não conseguia me mexer, acho que ainda não havia caído a ficha de que eu iria dançar para uma grande academia de balé... Na Russia
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| Acho que ele não ouviu direito para onde eu havia sido chamada, A ACADEMIA RUSSA DE BALLET |
A aula se seguiu normalmente... Então chegou a hora de eu ir para casa, tomei um táxi e fui
- Mãe, pai! Vocês não vão acreditar - Eu estava mais entusiasmada do que jamais na minha vida - Ano passado eu apresentei o Lago dos Cisnes no balé da escola mas eu fui um gambá o que é meio estranho porque eu não cheiro como um gambá nem me pareço com um gambá mas a Academia Russa de Ballet viu e está me convidando para dançar num grande evento deles, por favor, deixa, deixa, deixa! - Eu quase não conseguia respirar de tão rápido que tinha falado
- Hum... - Começou o meu pai - Nesse momento percebemos o quanto nossa filha é talentosa e o quanto ela tem potencial para a dança... É muito triste que eles terão que encontrar uma substituta que com certeza não chegará aos pés da nossa Padma - De sorriso vibrante, a minha expressão mudou para olhar de psicopata... Eu falei numa voz suave e estranhamente sombria
- Não vai me deixar dançar para a academia, pai?
- Você não estuda, foi suspensa da escola pela quinta vez esse ano, por pouco não ficou na recuperação de matemática e por tão pouco também não foi expulsa, Padma você é problema na escola! Problema que como pais, nós temos que consertar - Eu quase pude ouvir o estalo do meu coração se partindo em mil pedaços...
- Pai, o meu sonho é dançar balé na Russia, ou em Paris, ou em Cuba, e agora que eu consegui isso, vai me responder com um não?
- Sim.
- Sim, para que você vai me deixar ir na Russia?
- Não, sim para o não! Para que Sim, eu vou te responder com um não!
- Mas, pai eu preciso disso! É sério! Se você me levar na Russia para dançar balé eu juro que vou ser a melhor aluna da escola, eu juro, eu prometo, é sério! Eu quero muito ir para a Russia, é o que eu mais quero no mundo
- Não! A minha resposta final! É NÃO E PRONTO! NEM PENSAR VOCÊ VAI PARA A RUSSIA COM AS ANOTAÇÕES QUE TEM!!
***
| o carro do meu pai |
- Não acredito que você me convenceu a te levar para a Russia! - Dizia o meu pai enquanto saíamos do carro no aeroporto, com todas as malas prontas! Nem eu acreditei que o havia convencido! A greve de fome acabou funcionando no último minuto, quando ele cansou de me ver sentada no quarto sempre que passava por mim sem ter comido uma migalha, bom, as aulas de história serviram para alguma coisa: Seguir o maravilhoso exemplo de um dos maiores homens da história da índia para modificar situações que eu considero injustas e entrar em concordância com quem está no poder. Ou em outras palavras: Fazer protestos pacíficos para conseguir tudo o que quero como uma pirralha mimada sem que meus pais possam me agredir por isso e então, fazerem o que eu mandar por pura pressão emocional. Assim que o meu pai cedeu, eu gravei um vídeo e o mandei por e-mail para a Academia. Começamos a andar pelo aeroporto, eu nem acredito que já estava à caminho do meu futuro, eu nem podia acreditar que... - Vamos! Anda logo, Padma, não me fez dirigir até aqui para perdermos o voo, não é?
Eu continuei andando, que bom que eu não gostava de andar de salto alto, se não já teria caído, estava com o meu coturno, acompanhado da minha meia-calça roxa e um vestido preto, pus por cima um casaco rosa e luvas pretas que não cobriam os dedos. Eram quatro da manhã, estava frio, muito frio, e pensar que em breve eu estaria na Russia! Isso era o que estava me fazendo tremer de alegria...
Gente, eu Bekah e Mary fizemos um blog de curiosidades, a gente vai falar sobre zumbis, vampiros, OVNIs e conspirações estranhas
Conspiratios < Aqui
E se vocês gostam da cabeça de vocês onde elas estão é melhor acessarem agora! MUAHAHA
O que ainda está fazendo nessa postagem??? Acessa nosso novo blog ou vai ler meu último texto, bitch!
Menos você, pai. Fica aqui mesmo e não clique no link (Tô falando sério hein!)
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09/12/2011
Maldito Diário
Em primeiro lugar, gostaria de dizer que, mais que tudo, odeio matemática! A única coisa que eu entendo de matemática é que "Padma + Números = cadeira voa no quadro da professora e Padma é suspensa". Isso aí, diário. Hoje a professora passou uma conta impossível no quadro, e o que aconteceu? Eu não aguentei, eu disse
- Senhorita Bakula, não estou conseguindo fazer essa conta, a senhora pode me ajudar?
- Não, você tem que fazer essa conta sem o auxílio do professor - E voltou a folhear a revista
- Mas, professora, eu não estou entendendo!
- Pois entenda! Isso vai valer dois terços da sua nota por ter perturbado a minha paz! - Todos na sala, então, fizeram sons como "Ih..." e a minha fúria foi subindo...
- Você não pode nem me explicar direito, eu não consegui entender mesmo, você sabe que não sou boa com números e...
- Escute, Padma, se não me deixar ler a minha revista de beleza em paz, vou zerar a sua nota da unidade, quer que isso aconteça?
- Tá, vai ler sua revista de beleza, você precisa mesmo! - Ergui minha cadeira sobre os braços e atirei na conta que ela havia apresentado no quadro - E eu não preciso de números! Vou ser uma bailarina profissional e não uma contadora
A professora me olhava com indiferença enquanto mascava seu chiclete, mas no final da aula, fui chamada pela diretora, entrei na sala pela porta de madeira, caminhando vagarosamente até a cadeira em frente à sua mesa e ela olhou para mim com aqueles olhos negros e parados por trás do óculos, com a senhorita Bakula do lado
- Padma, você tentou acertar uma cadeira na cabeça da professora Bakula?
- Foi! Esse monstrinho dos infernos tentou me matar! - A professora apontava para mim, tive uma vontade imensa de arrancar o seu dedo com os dentes
- Bakula, por favor, mantenha a calma - "Isso, dá razão a ela diretora de merda!" - Padma, pode prosseguir
- Bom... - Comecei - Eu admito que foi errado ter jogado a cadeira no quadro, mas a senhorita Bakula mostrava falta de interesse em me ensinar, isso tem acontecido muito frequentemente e eu me revoltei um pouco
- Talvez eu e sua professora devamos ter uma conversa sobre o modo como ela age com você, mas o que você fez foi um explícito e imperdoável ato de violência diante de uma autoridade! Infelizmente, receio que você terá que ser suspensa mais uma vez, volte à escola na quinta
Eu nem me desesperei, esse tipo de coisa sempre acontece comigo, mas eu só precisei chegar em casa para os meus pais começarem a falar
- O que você pensa que estava fazendo? - A minha mãe perguntou, brava, amarrando seus longos cabelos num coque, ela estava com muita raiva, franzia tanto a testa que eu até pensei em avisá-la que seu bindi iria cair se continuasse assim, mas isso ia gerar mais castigo porque ela ia começar a dizer que eu estava sendo "Insolente", então apenas respondi
- Aquela professora me persegue! Ela pega no meu pé e faz de tudo para tornar da minha vida um inferno!
- Padma Khan Johar eu não estou brincando com você! Você está jogando fora o seu futuro, eu estou com queda de cabelo e não sei mais o que fazer!!
- Já sabe o castigo que vai receber, não é? - Falou o meu pai me olhando fixo nos olhos
- Sei
Cansada de ouvir sermão, eu fui logo para o meu castigo: Sem computador, sem televisão, nada de celular e pensar bem no que fiz e por que foi errado... Foi errado porque eu podia ter jogado a cadeira na cabeça da senhorita Bakula e esperar que ela perdesse a consciência e a memória. Eu não tinha tentado acertar a cabeça dela! Eu apenas havia atirado a minha cadeira na conta do quadro como forma de protesto, tipo "Abaixo a escola e essa professora incompetente que não consegue deixar a matemática interessante e parece até que quer minha caveira" Mas não foi lá o melhor jeito de protestar... Quer dizer, o que eu esperava? Que todos fizessem o mesmo? Como eu sou retardada! Mas eu acho que teria sido melhor mesmo acertar a cabeça dela com a cadeira
Então, em pouco tempo, resolvi escrever aqui, mas agora estou com tédio, não tenho o que fazer, seria bem mais fácil se o meu quarto não fosse NO TERCEIRO ANDAR DA CASA porque eu poderia fugir pela janela e ir para a piscina... Bom, diário, estou sem o que escrever e minha aula de balé será daqui a duas horas, é melhor eu começar logo a fazer o meu coque porque o meu cabelo é muito liso e fica soltando, bom, por hoje é só, vamos ver o que essa merda de vida me reserva para amanhã...
| Eu (Sim, eu sei o quanto sou linda) |
- Não, você tem que fazer essa conta sem o auxílio do professor - E voltou a folhear a revista
- Mas, professora, eu não estou entendendo!
- Pois entenda! Isso vai valer dois terços da sua nota por ter perturbado a minha paz! - Todos na sala, então, fizeram sons como "Ih..." e a minha fúria foi subindo...
- Você não pode nem me explicar direito, eu não consegui entender mesmo, você sabe que não sou boa com números e...
- Escute, Padma, se não me deixar ler a minha revista de beleza em paz, vou zerar a sua nota da unidade, quer que isso aconteça?
- Tá, vai ler sua revista de beleza, você precisa mesmo! - Ergui minha cadeira sobre os braços e atirei na conta que ela havia apresentado no quadro - E eu não preciso de números! Vou ser uma bailarina profissional e não uma contadora
| Minha professora |
- Padma, você tentou acertar uma cadeira na cabeça da professora Bakula?
- Foi! Esse monstrinho dos infernos tentou me matar! - A professora apontava para mim, tive uma vontade imensa de arrancar o seu dedo com os dentes
- Bakula, por favor, mantenha a calma - "Isso, dá razão a ela diretora de merda!" - Padma, pode prosseguir
- Bom... - Comecei - Eu admito que foi errado ter jogado a cadeira no quadro, mas a senhorita Bakula mostrava falta de interesse em me ensinar, isso tem acontecido muito frequentemente e eu me revoltei um pouco
- Talvez eu e sua professora devamos ter uma conversa sobre o modo como ela age com você, mas o que você fez foi um explícito e imperdoável ato de violência diante de uma autoridade! Infelizmente, receio que você terá que ser suspensa mais uma vez, volte à escola na quinta
Eu nem me desesperei, esse tipo de coisa sempre acontece comigo, mas eu só precisei chegar em casa para os meus pais começarem a falar
| Minha mãe (Quando era nova) |
- Aquela professora me persegue! Ela pega no meu pé e faz de tudo para tornar da minha vida um inferno!
- Padma Khan Johar eu não estou brincando com você! Você está jogando fora o seu futuro, eu estou com queda de cabelo e não sei mais o que fazer!!
- Já sabe o castigo que vai receber, não é? - Falou o meu pai me olhando fixo nos olhos
- Sei
Cansada de ouvir sermão, eu fui logo para o meu castigo: Sem computador, sem televisão, nada de celular e pensar bem no que fiz e por que foi errado... Foi errado porque eu podia ter jogado a cadeira na cabeça da senhorita Bakula e esperar que ela perdesse a consciência e a memória. Eu não tinha tentado acertar a cabeça dela! Eu apenas havia atirado a minha cadeira na conta do quadro como forma de protesto, tipo "Abaixo a escola e essa professora incompetente que não consegue deixar a matemática interessante e parece até que quer minha caveira" Mas não foi lá o melhor jeito de protestar... Quer dizer, o que eu esperava? Que todos fizessem o mesmo? Como eu sou retardada! Mas eu acho que teria sido melhor mesmo acertar a cabeça dela com a cadeira
| Meu quarto |
08/12/2011
Pois é, a minha família cada dia mais linda e unida
Olha, tem gente que acha que eu já estava começando a implicar com a minha mãe, mas se eu baixar a guarda ela vai fazer a mesma coisa que fez quando eu queria sair com a minha amiga (Aqui). Ontem mesmo eu tava de boa, só estava comentando com o meu pai que graças ao que ela fez daquela vez os pais dessa minha amiga não deixam mais ela vir para cá ou dormir aqui, ou sair comigo e meus pais (Com toda a razão, eles querem garantir que minha mãe não vai destratar ela daquele jeito de novo, só estão zelando pela segurança da filha, mas para isso a minha mãe deveria estar numa camisa de força) E minha mãe começou a falar comigo e reclamar dizendo que disse mesmo pra a mãe dela que ela era uma maluca e que estava fantasiada de preto quando veio para cá, e até disse que essa amiga minha endeusava os mortos e fazia bruxaria... NÃO PORRA! Não é só porque uma pessoa é gótica que ela faz bruxaria! Não é só porque alguém acha cemitérios bonitos que está endeusando os mortos! Vadia do caralho! Gostar de cemitério não é uma coisa tão estranha, Ok? Existe TURISMO de cemitério por aí e tem gente que vai! Pessoas diferentes que minha mãe com aquela cabeça acéfala dela, é incapaz de aceitar. Francamente eu até admiro um pouco a minha mãe porque ela sobreviveria a uma epidemia zumbi... Porque zumbis comem cérebros e não gostam do sabor do silicone... Mas sabe que ela é a típica loira burra mesmo? Sabe aquelas loiras que parece que inspiraram o criador das piadas de loira? Porque tem muitas loiras por aí que são super inteligentes, a cor do cabelo não tem nada haver, mas a minha mãe parece a loira das piadas, que tenta matar um peixe afogado --'
O problema da mente fechada dela é que veio acompanhada de uma boca aberta
São pessoas que curtem determinado tipo de música ( Darkwave/Gothic Rock, Pós Punk, Ethereal Wave), apreciam um tipo de arte e literatura e gostam de um determinado tipo de filme e TV (Drácula, Elvira, Família Addams, Nosferatu, etc.). Não, os góticos não tem ligação com o anticristianismo, ao contrário do que muitos fanáticos religiosos que pensam que tudo está indo contra as leis de Deus pensam, góticos são livres para terem a religião que bem entenderem! E no final das contas nem todo gótico tem que se vestir de preto! Eu me visto assim porque é uma coisa que eu curto mesmo, é uma coisa que EU gosto, não tem muito haver com o fato de eu ser gótica, tipo, eu podia sair por aí com um vestidinho rosa, um sapato alto e um batom laranja que ainda ia ser gótica, porque gosto dessa música, filmes e da arte gótica
Ou seja, se você ainda pensa que isso vai definir se uma pessoa é drogada ou depressiva, ou se ela cultua o diabo ou não, você é um grande babaca e sua bunda tem inveja da quantidade de merda que sai da sua boca =) Cai fora do meu blog se gosta dos seus dentes.
05/12/2011
Pessoas insanas
As pessoas não costumavam te decepcionar assim
Você não consegue esquecer ou perdoar
Onde quer que esteja
Mas nem tudo te fará sangrar até a morte
Nem todas as dores lhe arrastarão ao submundo
Você mostra humildade para ser ferido
E o orgulho é apenas um escudo
As pessoas mais insanas são as mais experientes
Suas lembranças me parecem fortes... Pesadas
Quem a fez se tornar fria? Pálida como um zumbi?
Quem a fez se tornar má? Seca como um deserto?
Nem todas as suas dores serão cortes profundos
Mas nem todas as pessoas serão do seu mundo
Aquelas pessoas mais insanas são as mais fortes
Como, com lembranças tão peadas podem parecer tão leves?
03/12/2011
Insanity - Mais do que loucura
Jullieth abriu os olhos devagar naquela manhã, estava pensando no que faria hoje... Quando viu que a velha que brigava com a sua colega encontrava-se a encarando em frente à cama, com um estranho olhar similar ao de um zumbi, ela flutuava e balançava-se de um lado para o outro... Ou era o que pensava Jullieth antes de perceber que a velha estava enforcada. Ela deu um grito... O que era aquilo? Por que alguém teria motivos para enforcá-la? E se pensassem que havia sido ela pelo modo como a mulher a tratou no dia anterior? Jullieth encolheu as pernas naquela cama ficou encarando aquilo enquanto tentava organizar seus pensamentos...
- Está confusa? - Perguntou uma voz familiar... A Angele atrás de sua cama
- Angele, foi você quem fez isso?
- Apenas respondi ao seu pedido
- Que pedido? Eu não pedi que você a matasse
- Ah, não? Pois saiba que eu jamais faria, por enquanto, algo que você não quisesse, mesmo que de longe
- Eu não a queria morta! - A mulher já estava ficando com raiva, estava acontecendo um pouco mais rápido do que Angele previra...
- Ah, não? Pois bem, não ficou chateada pelo modo como ela lhe tratou?
- Bem, é claro que fiquei, mas...
| O olhar da Angele provava a Jullieth o quanto A garotinha estava tranquila em relação a tudo isso |
- Então apenas fiz meu trabalho
- Que trabalho? A polícia vai pensar que fui eu quem fez isso!
- A polícia não pode vê-la - Nesse momento, Jullieth percebeu alguma movimentação atrás dela, olhou para ver o que acontecera. A velha permanecia pendurada com a corda pelo pescoço, porém sua cabeça erguida e olhos completamente vermelhos e esbugalhados a encarando... Jullieth gemeu de medo - Não se preocupe, ela não vai sair daí, não pode feri-la
- Onde... Onde você colocou o corpo dela? - Perguntou apavorada que não conseguia tirar os seus olhos dos olhos da velha. Angele apenas riu alto, aquilo era realmente engraçado! A pobre mulher não sabia que aquele era o corpo dela, porém completamente invisível! Mas depois disso, Angele pôs séria a sua expressão e olhou nos olhos da Jullieth
- No quintal dos fundos, está enterrado...
A Jullieth saiu sendo seguida pela Angele e acompanhada pelos olhos da velha, que girava sua cabeça à medida que a mulher ia saindo do quarto, quando atingiu 360 graus, a porta bateu. Ela se direcionou à Gisele, que se encontrava próxima a uma mesa, dando remédio a um velho estranho
- Gisele, Gisele! Me ajude, aquela moça velha que brigava com a Catherine morreu! Ela morreu!
- Ah, querida, ela não morreu
- Você viu ela hoje?
- Hoje é a folga dela, Jullieth...
- Não... Não, mas ela morreu. - A garota olhou para os dois lados, a Angele não estava à vista - Sabe a Angele?
- Quem é Angele?
- Eu ainda não entendo como você não a viu, mas ela me ensinou a andar, mas tem me assustado muito! - No momento em que ela disse isso, a Angele foi avistada, logo atrás da Gisele, encarando a Jullieth com raiva
- O que a sua amiga imaginária fez?
- Ela não é imaginária! - A Jullieth estava prestes a chorar - Ela é real - Angele levantou um machado para cortar ao meio a cabeça da Gisele, mas Jullieth pode impedir isso, empurrando a mulher gorda para o lado, fazendo-a cair no chão, mas pelo menos ela estava viva
- Mas o que é isso?
- Desculpe! O corpo da moça está no quintal dos fundos! Eu vou te provar que a Angele é real! - A garotinha que no dia anterior parecia tão boa e inocente, sorriu malignamente quando as duas foram para fora
Horas se passaram e a Gisele estava cavando com a Jullieth apenas para prová-la que não tinha nada no quintal... Depois de muitos buracos feitos no gramado e de montanhas de terra erguidas por suas pás, Gisele resolveu dizer
- Jullieth, tem certeza do que está falando?
- Sim! Eu juro! O corpo dela está aqui - Gisele parou de cavar
- Jullieth, se o corpo dela estivesse aqui, já o teríamos encontrado! - Jullieth perdeu o controle, começou a sacudir a Gisele e dizer
- Não para de cavar!! A Angele pode me matar também! - Mas ela não o faria isso, a Angele jamais o faria...
Assim que a garota parou de sacudi-la, a Gisele saiu de lá enquanto a mulher cavava, poucos minutos depois, chegaram guardas com uma camisa de força e a prenderam, Jullieth gritava e esperneava, mas não adiantava, de nada adiantaria, ela foi jogada numa sala completamente vazia... Continuava gritando
- ANGELE, SUA MALDITA!! COMO PODE FAZER ISSO COMIGO? ATÉ A GISELE ESTÁ CONTRA MIM AGORA, POR QUE VOCÊ FEZ ISSO??
Horas depois de tanto gritar e chorar, sua garganta doía, ela enxergava mau de tantas lágrimas, quando a Angele apareceu ao seu lado
- Cansada de gritar?
- Por que você fez isso?
- Eu apenas fiz as suas vontades. Você tentou colocá-los contra mim
- Você disse que o corpo dela estava no quintal. Você mentiu para mim!
- Não sou eu a louca aqui... - Jullieth olhou nos olhos da Angele, que a encarava com um ar frio e sem vida, com a mesma expressão, ajudou a mulher a se soltar da camisa de força, quando finalmente estava livre, ela disse
- Não acredito que você disse isso
- Pois bem, eu disse. Segure minha mão - A garotinha estendeu a mão direita para Jullieth - Vou te levar para o seu antigo quarto, esse lugar é terrível - Extremamente desconfiada, a mulher segurou a mão da Angele. Mal havia dado o tempo de uma piscada de olhos e ela já estava em seu quarto, o sol estava se pondo... Ela não era capaz de acreditar que havia passado tanto tempo assim... E ela ainda nem havia tomado café da manhã...
Olhou apreensiva o pôr-do-sol, com todas aquelas lembranças que sua boa aparência escondia, o seu olhar era a única coisa capaz de lhe entregar facilmente, pois seus olhos arregalados e repletos de lágrimas com uma expressão aflita a fazia parecer mais insana ainda... Ela pegou seu óculos escuros da mesa de cabeceira e os colocou, então resolveu perguntar à sua "Amiga"
- Cadê a velha? Ela não está mais enforcada aqui... Onde ela está?
- Ainda está de dia, ela não pode te ferir
- Como assim?
- Está quase anoitecendo, por que você colocou óculos escuros? - A garota mudou bruscamente de assunto
- Para esconder
- Esconder o que?
- Que eu sinto - Não esboçou reação, a pequena menina, apenas deu uma risada baixa um tanto sarcástica. Apenas nesse momento, a Jullieth percebeu que a velha não estava mais lá
O céu foi escurecendo cada vez mais, a Angele não respondeu sua pergunta, e ela, um pouco mais tranquila, virou de costas a fim de ver os últimos minutos daquele dia, mas tudo o que viu foi seus olhos esbugalhados e vermelhos a encarando. Seu coração bateu forte no momento em que ela viu a velha, mas aí lembrou-se das palavras de Angele "Ela não pode te ferir"
- Mas não está mais de dia - Ela completou o raciocínio da garota
Antes que a velha tentasse qualquer coisa, ela saiu do quarto e o trancou com a chave que havia pego da mesma mesa onde se encontrava o óculos, saiu correndo pela casa, a velha estava trancada no quarto, mas a Angele a seguia, andando vagarosamente, mas tão próxima dela, como se não pudessem se separar... Pois estavam ligadas uma à outra, Jullieth correu mais rápido que nunca antes, ela correu até suas pernas doerem e ela desejar sua cadeira de novo para poder deslizar pelo chão mais rapidamente, correu, correu, correu, mas a Angele a alcançou, ninguém estava na casa, logo a Jullieth percebeu sua nova aparência... Velho, deteriorado, como abandonado... Ela foi para o lado de fora onde ficava o som, mas aquilo foi um erro, pois agora ela não tinha mais saída, o céu cheio de estrelas, como se fosse uma noite tranquila... A Angele se aproximava dela com um sorriso maníaco no rosto, a jovem mulher caminhou para trás até que não pudesse mais por estar sendo impedida pela parede, o máximo que ela podia fazer por si mesma era fechar os olhos para se poupar de ver o que a menina, tão pequena faria a ela.
Abriu os olhos de novo, por causa de uma dor extremamente insuportável, nos braços, na barriga, no pescoço, ela não sentia mais as pernas... Percebeu que estava de dia, que a Angele havia sumido, e que ela estava cheia de cortes compridos e profundos pelo corpo, a velha, não morta, apenas mau-humorada, junto com a Gisele e alguns médicos, a levantaram do chão e a carregaram até algum lugar... Ela não foi capaz de saber onde era, pois depois disso perdeu a consciência, e só recuperou um certo nível de sanidade mental quando estava em sua cadeira de rodas mais uma vez, em frente à janela com os olhos arregalados e apavorados... Estava gritando por dentro, mas ninguém a ouvia...
Pelo menos a Angele havia sumido de sua vida, ela deu um quase sorriso ao pensar nisso... Mas quando olhou pela janela, viu, encostada na parede do outro prédio, e a encarando com um olhar maligno como seu sorriso, a Angele, segurando por uma coleira a velha morta que estava em pé, coberta de sangue e cicatrizes
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