- Você deveria ter entrado naquela rua à esquerda... - A minha mãe falou
- Eu sei bem onde estou indo
- Mas eu li o nome do hotel está piscando ali - Minha mãe olhou de novo pela janela para ler o nome
- Escuta, Laboni, você sabe o que é isso? - O meu pai apontou para o GPS - Você sabe que tipo de tecnologia é essa, meu bem?
- É uma máquina
- Não é uma máquina apenas! Isso aqui está nos mostrando o caminho certo para o lugar certo, tá legal? Esse GPS conhece cada centímetro quadrado dessa região, se caísse um meteoro em uma das ruas ele o localizaria na hora, eu não acho que nós, vindos da Índia, e que não conhecem porra nenhuma da Rússia, precisamos de uma coisa dessas para achar o hotel, você não acha?
- OLHA PRA ESTRADA!! - Minha mãe pôs sua mão no volante e virou o carro para que não batesse numa Ferrari que estava buzinando violentamente e vindo na direção oposta à nossa. Quando o carro finalmente parou de se agitar, minha mãe cruzou os braços e encarou o meu pai, depois falou num tom baixo, calmo, e seco - Você quase bateu o carro.
- Deixa de ser chata, mulher!
| Linda, não é? |
- Gente! - Gritei antes que eles começassem outra briga e meu pai batesse o carro - Eu acho que também vi um nome piscando na rua aqui atrás!
- Ah, ótimo, agora as duas se viram contra mim e meu GPS, é assim então, tá legal, eu vou virar a rua só pra provar pra vocês... - Ele fez uma bruta curva e entrou na ruazinha onde estava escrito o nome do hotel... - Que vocês estavam... Certas
"Você chegou ao seu destino" Anunciava o GPS. Meu pai apertou o botão e o desligou. Depois estacionou o carro numa das vagas do hotel e andou conosco até a recepção. Ele começou a falar com a mulher da recepção em inglês e alguns minutos depois de todos os procedimentos que acontecem quando se chega em um hotel, a mulher nos deu uma chave e depois um cara alto, com o cabelo loiro e meio longo, preso num rabo de cavalo e com o uniforme do hotel vermelho e amarelo nos acompanhou até o nosso quarto
| E essa era só a MINHA cama |
- Padma, querida. - Começou a minha mãe tocando o meu ombro - Amanhã você tem o seu primeiro ensaio, e hoje teve uma viagem muito cansativa, tem certeza de que vai poder ir para o...
- Com certeza. Vou tomar banho, dormir, e espero ser acordada às cinco
- Mas, Padma... Da manhã?
- É claro que é da manhã.
- Mas já são duas...
- Então melhor eu me apressar.
| Sem comentários *0* |
Três horas se passaram, mas eu pensei como três segundos e a minha mãe estava me acordando...
- Padma, Padma! Acha que consegue ir para o ensaio de hoje? - Abri os olhos repentinamente ao perceber que já estava no dia do meu primeiro ensaio
- Já estou levantando - Todo o meu cansaço desapareceu quando eu joguei para cima os meus cobertores e deixei cair o meu travesseiro no chão.
| Pus na mala todos que podia |
***
Depois de criar todas as coreografias e ensaiarmos o dia inteiro, todos foram para seus camarins, eu estava no meu quando a porta se abriu
- OI, QUERIDA!! - Era um garoto ruivo, alto e estava fazendo o papel do mago nos ensaios - Você foi assim, super demais, só queria te dizer isso, os ensaios foram uma perfeição por causa de você - Ele tinha sotaque na hora de falar inglês, era um pouco parecido com o meu - Ai meu deus! Eu não acredito que estou falando com a própria Padma Khan! - Ele deu um gritinho agudo e histérico antes de ser chamado por um garoto igual a ele, porque obviamente, era o irmão gêmeo dele, ele pronunciou algo em russo bem alto, também havia se apresentado, fazia o papel do príncipe, ele gritava o garoto com uma voz grossa e aparentemente com raiva, mas ao me ver, logo veio me cumprimentar também
| Evelina |
- Bem... Obrigada... - Eu sorri para os dois, até que eles saíram e me apareceu na porta uma menina loira com os olhos claros e me substituiria caso eu não fosse para a apresentação.
Ela parou na porta e ficou me encarando enquanto eu sorria para ela, mas ela me olhava sério, eu não sabia o que fazer! Estava começando a me assustar...
- Padma Khan... Não esperava que fôssemos nos ver de novo!
- De novo? A gente já se viu antes?
- Há nove anos atrás, não lembra da sua escolinha de balé? - Nesse momento lembrei rapidamente de tudo o que aconteceu há nove anos... Eu era pequena, tinha cinco anos... Minha escola de balé estava competindo contra a escola de balé dela num concurso lá em Bangalore... Ela me encheu de xingamentos dizendo o quanto era melhor que eu e me venceria, mas a minha dança venceu...
- Ev... Evelina?
- Até que você pensa rápido para uma indiana - Ela deu um fouette de quatro piruetas até chegar em mim, depois continuou - Pena que vai me superar de novo, Padma?
- Já superei, eu sou a principal aqui, você não passa de uma substituta secundária - Respondi com grosseria, já me recuperando do choque
- Pensa que acabou, não é? O que você pensa? Nada! Agora as regras mudaram, Padma! Eu estou na minha terra, na minha casa! O que significa que eu vencerei você dessa vez, eu estou com a sorte do meu lado! - Peguei a minha bolsa, pois havia avistado pela janela do meu camarim o meu pai chegando com o carro
- Não, Evelina! A sorte não está do seu lado, porque não estamos competindo, eu já estou à sua frente! E não há nada que você possa fazer!
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