- Brittany, querida, um dia você vai perceber como é maravilhoso distribuir presentes aos outros na noite de natal
- Sei. - Eu sorri depois de pronunciar sarcasticamente aquilo - E a alergia do Rudolph a Canela vai sumir.
- Mas é maravilhoso! - Ele pousou o trenó em cima de uma casa - Siga-me
- Claro.
Indisposta, e ainda com meu videogame portátil na mão, desci do trenó e o segui até a chaminé, ele pegou uma caixa e levou alguns segundos para poder deslizar pelo seu interior, já eu, esquálida que sou, consegui cair por dentro dela sem ao menos tocar suas paredes. "Cenário meio estranho para uma época natalina..." Pensei ao ver a casa escura, com a árvore derrubada, porta-retratos quebrados, chão sujo...
- Mas o que aconteceu aqui? - Perguntou meu pai, até que ouvimos um gemido baixo vindo de um cômodo... Ao longe visualizamos uma sombra de alguém se arrastando e com um odor terrível, logo atrás de alguém que caminhava trêmulo e vacilante, mais outras cambaleando e mancando na nossa direção atrás da pessoa que estava tremendo enquanto andava num passo relativamente acelerado. Devido meus conhecimentos de séries de TV sobre o assunto e ter várias vezes imaginado como seria... Pude deduzir o que seriam... Zumbis! Abaixei-me para pegar uma coisa que havia no chão: Um pé-de-cabra enferrujado - Bitt, o que está fazendo?
| Eu |
- N... Não! - Meu pai retirou pisca-piscas da bota, que funcionavam sem tomada, apertou o botão e apontou para as quatro silhuetas no corredor... Um garoto de cabelos loiros, olhos azuis, não era um zumbi! As três figuras atrás dele eram os zumbis que eu deduzira... - P... Papai Noel! É o senhor! - Ele correu para abraçar o meu pai, mas suas pernas tremiam muito e ele caiu, enquanto o meu pai o ajudava, apavorada que fiquei com as três figuras desfiguradas na casa, atirei o pé-de-cabra na cabeça do que ainda rastejava na nossa direção, usava um terno desgastado e não tinha mais pernas, depois esmurrei a cabeça de uma das mulheres, que tinha um cabelo loiro completamente gasto e um vestido de flores, a última foi a mais fácil, a agarrei pelas tranças e arranquei sua cabeça com um chute seguido de um puxão.
Eu e meu pai com o garoto nos braços saímos correndo da casa, mas percebi que fizemos barulho lá dentro, pois milhares de zumbis nos cercavam, entrei em posição de ataque com o pé-de-cabra
- Todos conhecem as regras, não é gente? - Esperava que o meu pai não conhecesse - Sempre acerte a cabeça! Duas vezes se tiver chance! - Eu comecei a me aproximar do grupo de zumbis que nos rodeava quando meu pai me puxou pelo capuz do meu vestido
- Não, você não vai se aproximar dessas coisas, Brittany! - Ele berrou apavorado - Não é mais uma de suas séries, onde a garota com o pé-de-cabra sempre vence! - Ele lançou seus pisca-pisca na calha do telhado da casa - Me siga! - Ele começou a subir
- Mas, pai...
- Eu estou mandando!!
Fiz uma cara de "Ai-que-saco" e então escalei os pisca-pisca até chegar no telhado, subi no banco traseiro do trenó, o meu pai colocou o garoto que aparentava ter a minha idade, do meu lado e sentou-se no lugar do piloto, as renas começaram a voar e o menino ficou com os olhos arregalados e tremendo, olhando para o nada...
- Poxa, deve ser tão emocionante! - Olhei para ele examinando suas roupas desgastadas e sua pele suja - Há quanto tempo está ali? Quando começou o apocalipse? Você matou mais de dez zumbis ou fugiu da maioria?
- Eu... - Ele começou - Eu... Acho... Eu estou aqui há dois dias... Dois dias... Terríveis... Naquela casa... Eu... Eu quase morri... E... Eu só... Não sei matar zumbis... Eu acho... Eu... Tenho medo deles...
- Ai meu Deus! Você esteve cara a cara com um zumbi! Por que não matou eles? Eu amo zumbis - Ele deu um sorriso, ainda com um ar de pavor no rosto
| *---* |
- Nem tanto, não tive a chance de matar nenhum na vida real ainda, mas jogo left 4 dead 24 horas por dia, vejo séries de zumbis e... Você joga jogos de zumbis?
- Não, eu... Não gosto de zumbis...
- Do que você gosta? - Ele olhou para mim e começou a pensar...
- Macacos, eu acho... - Ele voltou a tremer. Eu tirei meu casaco e entreguei para ele
- Quer emprestado?
- O que?
- Meu casaco, quer emprestado? Você está tremendo, não está com frio? Algumas pessoas realmente não estão adaptadas ao frio vindo de onde eu moro - Ele me olhou sério
- Não, obrigado...
Então ele voltou a olhar para o nada com um olhar apavorado... Olhei para o lado de fora do trenó, todos aqueles corpos contorcidos andando lentamente e cambaleando pela rua, rastejando, apodrecendo aos poucos... O pé-de-cabra ainda estava na minha mão, atirei com força para baixo, acertou a cabeça de uma zumbi "Isso!" pensei.
- Você sabe quando esse apocalipse começou? - O meu pai perguntou a ele sem olhar para trás
- Eu acho... Depois do natal passado, no... No dia 27
- Ai meu Deus! - Falei animada - Pai, isso é tão emocionante! Não posso matar um zumbi sequer? Eu juro que...
- Brittany! Já disse que não! Quanto antes estivermos longe deles, melhor!
- Ah, pai, imagina se a epidemia atinge o Pólo Norte? Seria fabuloso, não? Imagina só, a família Noel caçando zumbis e... - Antes que eu pudesse terminar de falar o menino desabou, simplesmente desmaiou no banco
- Parabéns, Brittany, você deixou esse garoto perturbado mais apavorado ainda!
- A gente esqueceu de perguntar o nome dele...
O meu pai chicoteou as renas e aceleramos o passo, eu permaneci sorrindo e poucos minutos mais tarde estávamos em casa. O meu pai saltou do trenó quando entramos na garagem, tirou a cela das renas e começou a cutucar o garoto depois
- Ei, garoto, chegamos... Garoto - Ele deu outra cutucada no menino - Ei! Menino, já chegamos! - Ele nem se mexia...
- Eu sei como acordá-lo - Falei, em seguida me aproximei vagarosamente dele - EI! ESTAMOS CERCADOS DE ZUMBIS! SE VOCÊ NÃO ACORDAR AGORA VAMOS SER COMIDOS!! - Ele levantou gritando como uma garota e depois nos olhou apavorado, eu encarei o meu pai e disse - De nada!
- Quem disse zumbis? - O garoto estava sentado, encolhido no banco, ele estava tremendo, as pálpebras de um de seus olhos vibravam de tensão - Onde a gente está?
- Na garagem - Disse o meu pai - Livre dos zumbis, aqui você estará seguro - Então, ele me encarou - Brittany, leve ele até o quarto de hóspedes
- Claro - Eu abri a porta do trenó e comecei a caminhar na direção da escada, com ele atrás de mim, assim que fechei a porta e estávamos sozinhos no corredor comecei a falar - Então, por que você não gosta de zumbis?
| O corredor que dá acesso às salas da casa |
- Adoráveis! Não é?
- Bem, não era isso que eu ia dizer, mas... - Eu dei risada e fiz ele sorrir durante alguns minutos
- Mas, mudando bruscamente o assunto, você realmente acreditava que o meu pai era o verdadeiro Papai Noel? A maioria das pessoas quando chega aos 12 anos deixa de acreditar...
- Acho... Que a minha sanidade mental está um pouco comprometida... - Eu dei risada de novo, chegamos, finalmente à ultima porta
- Aqui, o quarto de hóspedes - Eu sorri para ele, ele olhou para a minha cara e depois sorriu de volta, aí entrou no quarto.

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