03/12/2011

Insanity - Mais do que loucura

   Jullieth abriu os olhos devagar naquela manhã, estava pensando no que faria hoje... Quando viu que a velha que brigava com a sua colega encontrava-se a encarando em frente à cama, com um estranho olhar similar ao de um zumbi, ela flutuava e balançava-se de um lado para o outro... Ou era o que pensava Jullieth antes de perceber que a velha estava enforcada. Ela deu um grito... O que era aquilo? Por que alguém teria motivos para enforcá-la? E se pensassem que havia sido ela pelo modo como a mulher a tratou no dia anterior? Jullieth encolheu as pernas naquela cama ficou encarando aquilo enquanto tentava organizar seus pensamentos...
   - Está confusa? - Perguntou uma voz familiar... A Angele atrás de sua cama
   - Angele, foi você quem fez isso?
   - Apenas respondi ao seu pedido
   - Que pedido? Eu não pedi que você a matasse
   - Ah, não? Pois saiba que eu jamais faria, por enquanto, algo que você não quisesse, mesmo que de longe
   - Eu não a queria morta! - A mulher já estava ficando com raiva, estava acontecendo um pouco mais rápido do que Angele previra...
   - Ah, não? Pois bem, não ficou chateada pelo modo como ela lhe tratou?
   - Bem, é claro que fiquei, mas...
O olhar da Angele provava a Jullieth o quanto
A garotinha estava tranquila em relação a tudo
isso
   - Então apenas fiz meu trabalho
   - Que trabalho? A polícia vai pensar que fui eu quem fez isso!
   - A polícia não pode vê-la - Nesse momento, Jullieth percebeu alguma movimentação atrás dela, olhou para ver o que acontecera. A velha permanecia pendurada com a corda pelo pescoço, porém sua cabeça erguida e olhos completamente vermelhos e esbugalhados a encarando... Jullieth gemeu de medo - Não se preocupe, ela não vai sair daí, não pode feri-la
   - Onde... Onde você colocou o corpo dela? - Perguntou apavorada que não conseguia tirar os seus olhos dos olhos da velha. Angele apenas riu alto, aquilo era realmente engraçado! A pobre mulher não sabia que aquele era o corpo dela, porém completamente invisível! Mas depois disso, Angele pôs séria a sua expressão e olhou nos olhos da Jullieth
   - No quintal dos fundos, está enterrado...
   A Jullieth saiu sendo seguida pela Angele e acompanhada pelos olhos da velha, que girava sua cabeça à medida que a mulher ia saindo do quarto, quando atingiu 360 graus, a porta bateu. Ela se direcionou à Gisele, que se encontrava próxima a uma mesa, dando remédio a um velho estranho
   - Gisele, Gisele! Me ajude, aquela moça velha que brigava com a Catherine morreu! Ela morreu!
   - Ah, querida, ela não morreu
   - Você viu ela hoje?
   - Hoje é a folga dela, Jullieth...
   - Não... Não, mas ela morreu. - A garota olhou para os dois lados, a Angele não estava à vista - Sabe a Angele?
   - Quem é Angele?
   - Eu ainda não entendo como você não a viu, mas ela me ensinou a andar, mas tem me assustado muito! - No momento em que ela disse isso, a Angele foi avistada, logo atrás da Gisele, encarando a Jullieth com raiva
   - O que a sua amiga imaginária fez?
   - Ela não é imaginária! - A Jullieth estava prestes a chorar - Ela é real - Angele levantou um machado para cortar ao meio a cabeça da Gisele, mas Jullieth pode impedir isso, empurrando a mulher gorda para o lado, fazendo-a cair no chão, mas pelo menos ela estava viva
   - Mas o que é isso?
   - Desculpe! O corpo da moça está no quintal dos fundos! Eu vou te provar que a Angele é real! - A garotinha que no dia anterior parecia tão boa e inocente, sorriu malignamente quando as duas foram para fora
   Horas se passaram e a Gisele estava cavando com a Jullieth apenas para prová-la que não tinha nada no quintal... Depois de muitos buracos feitos no gramado e de montanhas de terra erguidas por suas pás, Gisele resolveu dizer
   - Jullieth, tem certeza do que está falando?
   - Sim! Eu juro! O corpo dela está aqui - Gisele parou de cavar
   - Jullieth, se o corpo dela estivesse aqui, já o teríamos encontrado! - Jullieth perdeu o controle, começou a sacudir a Gisele e dizer
   - Não para de cavar!! A Angele pode me matar também! - Mas ela não o faria isso, a Angele jamais o faria...
   Assim que a garota parou de sacudi-la, a Gisele saiu de lá enquanto a mulher cavava, poucos minutos depois, chegaram guardas com uma camisa de força e a prenderam, Jullieth gritava e esperneava, mas não adiantava, de nada adiantaria, ela foi jogada numa sala completamente vazia... Continuava gritando
   - ANGELE, SUA MALDITA!! COMO PODE FAZER ISSO COMIGO? ATÉ A GISELE ESTÁ CONTRA MIM AGORA, POR QUE VOCÊ FEZ ISSO??
   Horas depois de tanto gritar e chorar, sua garganta doía, ela enxergava mau de tantas lágrimas, quando a Angele apareceu ao seu lado
   - Cansada de gritar?
   - Por que você fez isso?
   - Eu apenas fiz as suas vontades. Você tentou colocá-los contra mim
   - Você disse que o corpo dela estava no quintal. Você mentiu para mim!
   - Não sou eu a louca aqui... - Jullieth olhou nos olhos da Angele, que a encarava com um ar frio e sem vida, com a mesma expressão, ajudou a mulher a se soltar da camisa de força, quando finalmente estava livre, ela disse
   - Não acredito que você disse isso
   - Pois bem, eu disse. Segure minha mão - A garotinha estendeu a mão direita para Jullieth - Vou te levar para o seu antigo quarto, esse lugar é terrível - Extremamente desconfiada, a mulher segurou a mão da Angele. Mal havia dado o tempo de uma piscada de olhos e ela já estava em seu quarto, o sol estava se pondo... Ela não era capaz de acreditar que havia passado tanto tempo assim... E ela ainda nem havia tomado café da manhã...
   Olhou apreensiva o pôr-do-sol, com todas aquelas lembranças que sua boa aparência escondia, o seu olhar era a única coisa capaz de lhe entregar facilmente, pois seus olhos arregalados e repletos de lágrimas com uma expressão aflita a fazia parecer mais insana ainda... Ela pegou seu óculos escuros da mesa de cabeceira e os colocou, então resolveu perguntar à sua "Amiga"
   - Cadê a velha? Ela não está mais enforcada aqui... Onde ela está?
   - Ainda está de dia, ela não pode te ferir
   - Como assim?
   - Está quase anoitecendo, por que você colocou óculos escuros? - A garota mudou bruscamente de assunto
   - Para esconder
   - Esconder o que?
   - Que eu sinto - Não esboçou reação, a pequena menina, apenas deu uma risada baixa um tanto sarcástica. Apenas nesse momento, a Jullieth percebeu que a velha não estava mais lá
   O céu foi escurecendo cada vez mais, a Angele não respondeu sua pergunta, e ela, um pouco mais tranquila, virou de costas a fim de ver os últimos minutos daquele dia, mas tudo o que viu foi seus olhos esbugalhados e vermelhos a encarando. Seu coração bateu forte no momento em que ela viu a velha, mas aí lembrou-se das palavras de Angele "Ela não pode te ferir"
   - Mas não está mais de dia - Ela completou o raciocínio da garota
   Antes que a velha tentasse qualquer coisa, ela saiu do quarto e o trancou com a chave que havia pego da mesma mesa onde se encontrava o óculos, saiu correndo pela casa, a velha estava trancada no quarto, mas a Angele a seguia, andando vagarosamente, mas tão próxima dela, como se não pudessem se separar... Pois estavam ligadas uma à outra, Jullieth correu mais rápido que nunca antes, ela correu até suas pernas doerem e ela desejar sua cadeira de novo para poder deslizar pelo chão mais rapidamente, correu, correu, correu, mas a Angele a alcançou, ninguém estava na casa, logo a Jullieth percebeu sua nova aparência... Velho, deteriorado, como abandonado... Ela foi para o lado de fora onde ficava o som, mas aquilo foi um erro, pois agora ela não tinha mais saída, o céu cheio de estrelas, como se fosse uma noite tranquila... A Angele se aproximava dela com um sorriso maníaco no rosto, a jovem mulher caminhou para trás até que não pudesse mais por estar sendo impedida pela parede, o máximo que ela podia fazer por si mesma era fechar os olhos para se poupar de ver o que a menina, tão pequena faria a ela.
   Abriu os olhos de novo, por causa de uma dor extremamente insuportável, nos braços, na barriga, no pescoço, ela não sentia mais as pernas... Percebeu que estava de dia, que a Angele havia sumido, e que ela estava cheia de cortes compridos e profundos pelo corpo, a velha, não morta, apenas mau-humorada, junto com a Gisele e alguns médicos, a levantaram do chão e a carregaram até algum lugar... Ela não foi capaz de saber onde era, pois depois disso perdeu a consciência, e só recuperou um certo nível de sanidade mental quando estava em sua cadeira de rodas mais uma vez, em frente à janela com os olhos arregalados e apavorados... Estava gritando por dentro, mas ninguém a ouvia...
   Pelo menos a Angele havia sumido de sua vida, ela deu um quase sorriso ao pensar nisso... Mas quando olhou pela janela, viu, encostada na parede do outro prédio, e a encarando com um olhar maligno como seu sorriso, a Angele, segurando por uma coleira a velha morta que estava em pé, coberta de sangue e cicatrizes

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