25/12/2011

Merry Zombie Christmas (Parte 2)

   Eram quase cinco horas da manhã, quando o garoto loiro foi para a cozinha, abrindo a porta devagar e depois olhando para mim
Minha cozinha
   - Você não dorme? - Ele perguntou
   - Hoje não. Eu disse que seria maravilhoso se a peste invadisse o Pólo-Norte, porque quero matar zumbis com a minha família, mas isso não vai ser possível se eu e minha família virarmos zumbis, eu estou na janela da cozinha esperando avistar os primeiros zumbis daqui
   - E se eles não aparecerem?
   - Terei que ficar de guarda amanhã também, e depois de amanhã, até que eles apareçam.
   - Você se daria bem vivendo num apocalipse zumbi...
   - Obrigada - Eu sorri - Esqueci de te perguntar o seu nome...
   - Tyler
   - Prazer, Tyler - Apertamos as mãos, um pouco depois, ele pegou um copo d'água, então uma coisa terrível veio à minha cabeça - Tyler... Acha que o meu pai pode ter sido infectado? Sabe... Através do ar...
   - Não, ele não foi... - Sua expressão era de pavor, apesar da sua voz calma
   - Tyler, é possível?
   - Tem gente que não está acostumado a respirar o ar infectado de Nova York, acabam se infectando através do ar, mas... Isso não aconteceu, senão você teria sido infectada também...
   - É... Eu espero - Ainda com o laptop no colo e os nervos à for da pele esperando os zumbis do Pólo-Norte virem até mim, olhei pela janela, nada além de neve à vista... Voltei a olhar o laptop.
   O Tyler sentou-se ao meu lado, e ficou lá, eu fiquei em silêncio mexendo no laptop e ele simplesmente olhando pela janela... Ficamos assim até o sol sair, quando a minha mãe entrou na cozinha e olhou para nós dois
   - Filha, quem é o seu amigo?
   - O Tyler - Sem tirar os olhos do computador, eu continuei - A gente salvou ele de uns zumbis em Nova York
   - O seu pai me contou... - Ela voltou os olhos pra o Tyler - Quantos anos tem, querido?
   - Quinze... - Minha idade
   - Gostaria de comer alguma coisa, Tyler? Vou fazer panquecas para o café... Gosta de panquecas?
   - Gosto... - A minha mãe às vezes falava demais e deixava as pessoas sem jeito quando olhava elas com seus grandes olhos verdes por trás dos óculos e seu cabelo branco. Ela começou a preparar a comida.
   - Cadê o papai? - Olhei preocupada para a mamãe
   - O seu pai... - A mamãe baixou o olhar - Ele está doente, muito doente, não sei se ele vai passar de hoje - Arregalei os olhos, eu e o Tyler nos entreolhamos apavorados
   - Mãe, o papai vai virar um zumbi!
   - É... É assim... Que... Assim que começa
   - Nós temos que exterminá-lo antes que o vírus se espalhe e ele nos devore - Minha mãe nos olhou irritada
   - Quero que parem com isso, isso não é uma série de televisão, o seu pai está prestes a morrer e você está pensando em matá-lo?
   - Mãe, temos que acabar o quanto antes com o sofrimento dele! Quando ele acordar não será mais o papai, ele será um zumbi e temos que...
   - Brittany, BASTA! Vá para o seu quarto e não quero ouvir mais uma palavra sobre isso - Ela encarou o Tyler - E você também, garoto, e sinta-se grato por eu lhe mandar para o quarto sem café da manhã ao invés de expulsá-lo dessa casa neste frio polar!
   - Claro! Que jeito maduro de lidar com essa situação, mãe, pondo sua filha e o amigo dela de castigo ao invés de encarar a realidade de que realmente existe uma peste zumbi e... - O Tyler segurou de leve o meu braço e falou baixo
   - Brittany, por favor, fique calma.
   - Não vou continuar falando em respeito ao meu amigo. Mas você entendeu meu ponto de vista - Fechei o laptop e levantei com ele na mão, a minha mãe, então, olhou para ele e disse:
Meu laptop
   - E não pegue nada do quarto de hóspedes que não seja seu!
   - S... Sim Senhora - Fechamos a porta da cozinha e eu fui indo para o meu quarto, até que o Tyler disse - O seu pai só tem seis horas até entrar no coma
   - Seis horas?
   - Seis horas. Aconteceu com a minha família toda, duas horas depois ele vai acordar e tentar matar a todos...
   - Você sabe mesmo como tudo isso acontece, não é?
   - Sei, é melhor você fugir daqui o quanto antes...
   - Fugir?
   - Não quer ser devorada por ele, quer?
   - Não, mas não importa para onde eu vá, vão me encontrar e me trazer de volta, até que eu presencie a transformação do meu pai em morto-vivo, eles não me deixarão partir, só então verão que eu estava certa.
   - A sua mãe não quer compreender, não é?
Meu quarto
   - Exatamente, mas - Eu abri a porta do meu quarto - Pelo menos eu vou ter a chance de matar um zumbi pela primeira vez na vida... Pena que ele vai ser meu pai. Então... Até as duas da tarde
   - Hã?
   - Duas da tarde - Eu chequei meu relógio - Quando eu for matar o meu pai e a gente fugir com o trenó e alguns suprimentos
   - A gente?
   - Acha que eu vou te deixar aqui sozinho? Você sabe muito sobre zumbis, mas não sabe se cuidar contra eles - Eu sorri - Você só foge - Ele deu uma risada meio baixa e eu fechei a porta do quarto.
                                                                         ***
   Duas da tarde e nenhuma notícia sobre a morte do meu pai... A mamãe podia ter sido devorada... Ou talvez aquela febre não tenha nada haver com a peste zumbi... De qualquer forma, peguei uma arma qualquer debaixo da minha cama e saí do quarto, no momento em que abri a porta, o Tyler estava lá, prestes a bater na mesma
Foi a primeira que eu vi embaixo da cama
   - Notícias do seu pai? - Ele perguntou com certo desespero na voz
   - Não, estou indo resolver isso, vamos prosseguir com no plano. - Mostrei a ele o que tinha na minha mão
   Fomos ao quarto do meu pai, abrimos vagarosamente a porta e esperávamos ver a mamãe chorando sobre um cadáver em cima da cama ou apavorada com um zumbi tentando matá-la, mas encontramos o mais esperado: O papai debruçado sobre a mamãe devorando seus intestinos... Sua barba ensanguentada, seus olhos avermelhados, até a sua pele fétida, antes hidratada, agora estava levemente ressecada. Deixei o meu medo de lado para atirar nele, o Tyler parecia estar em estado de choque, não se mexia, observava o meu pai com pavor nos olhos, quase não respirava, fui obrigada a puxar ele pelo braço e correr até o trenó. Um pouco depois ele recuperou a sanidade mental para dizer para mim
   - Brittany, você enlouqueceu? Nós íamos pegar suprimentos!
   - Não dá! O meu tiro não acertou a cabeça!
   - Como assim??
   - Eu sei lá, não acertou!!
Na nossa garagem tem o trenó do meu pai e
o carro da minha mãe...
   Cheguei na garagem, apertei o botão para o portão abrir, um vento congelante passou por nós e derrubou o Tyler no chão, enquanto eu o ajudava a levantar, uma cena grotesca chegou à porta da garagem: O meu pai, com as pernas desfiguradas de tantos tiros, se arrastando pelo chão, gemendo por cérebros, isso me fez entrar em pânico e só então atirar na cabeça dele até que ele virasse apenas uma mancha vermelha com um tapete de pele humana no chão. Corri para o trenó onde o Tyler já estava, chicoteei as renas
   - Para onde vamos? - Ele perguntou, sentado em posição fetal no canto do banco. O trenó levantou-se no ar
   - Para onde for seguro ir - Ele ficou me olhando por um bom tempo enquanto eu dirigia as renas... Cinco minutos depois da minha palavra ele me disse
   - Qualquer lugar que eu esteja com você é seguro para mim - Ele segurou uma das minhas mãos - Fica comigo, tipo pra sempre? - Eu sorri para ele
   - Claro que sim.

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